CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA Separata da Edição N.35 | maio 2026 | O lival e azeite CULTIVAR
CULTIVAR Cadernos de Análise e Prospetiva Separata da edição N.º 35 maio de 2026 Panorama dos números do olival e azeite
CULTIVAR | Cadernos de análise e prospetiva® | SEPARATA – Panorama dos números do olival e azeite Esta Separata é parte integrante da edição da CULTIVAR N.º 35 | Olival e azeite | maio de 2026 Propriedade: Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) Praça do Comércio, 1149-010 Lisboa Telefone: + 351 213 234 600 e-mail: [email protected] | website: www.gpp.pt Equipa editorial Coordenação: Ana Sofia Sampaio, Eduardo Diniz, Manuel Loureiro Ana Filipe Morais, Ana Rita Moura, Cristina Sá, Eduardo Lopes, Helena Alegre, João Marques, Rui Trindade e-mail: [email protected] Colaboraram nesta Separata Helena Alegre e Rui Trindade Edições anteriores: https://www.gpp.pt/index.php/publicacoes-gpp/cultivar-cadernos-de-analise-e-prospetiva Edição: Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) Execução gráfica e acabamento: Sersilito – Empresa Gráfica, Lda. Tiragem: 1 000 exemplares ISSN: 2183-5624 Depósito Legal: 394697/15
Índice Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1. O setor do olival e do azeite no mundo: superfície, produção, consumo e comércio internacional . . 6 A. Distribuiçãoglobaldasuperfíciedeolival . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 B.Produçãoglobaldoolival................................... 8 C.Produtividadeglobaldoolival................................ 11 D. Produçãodeazeiteeprodutividade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 E.Consumodeazeite...................................... 16 Consumodeoutrosóleosvegetais.............................. 17 F. Comérciointernacionaldeazeite............................... 18 2. O setor do olival e do azeite na UE27: superfície, produção, consumo e comércio internacional . . . 21 A.Superfíciedeolival...................................... 21 B.Produçãodoolival...................................... 22 C.Produtividadedoolival.................................... 24 D.Produçãodeazeitedoolival................................. 25 E.Consumodeazeite...................................... 27 Consumodeoutrosóleosvegetais.............................. 29 ConsumopercapitadeóleosegordurasnaUE27 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 F. Comérciointernacionaldeazeite............................... 31 3. O setor do olival e do azeite em Portugal: explorações, superfície, produção, consumo ecomérciointernacional.................................... 35 A.Exploraçõescomolival.................................... 35 B.Superfíciedeolival...................................... 39 DenominaçõesdeOrigemProtegida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 MododeProduçãoBiológico................................. 48 C.Produçãoeprodutividade.................................. 49 D.Produçãodeazeite...................................... 53 E.Consumoeautoaprovisionamento.............................. 58 Consumopercapita..................................... 59 Autoaprovisionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 F. Comérciointernacional................................... 61 Importaçõesdeazeite.................................... 62 Exportaçõesdeazeite.................................... 64 ÍndicedeQuadros......................................... 69 ÍndicedeMapas.......................................... 69 ÍndicedeGráficos......................................... 70
5 Panorama dos números do olival e azeite RUI TRINDADE com a colaboração de HELENA ALEGRE Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) Introdução O olival constitui uma das paisagens agrícolas mais emblemáticas da região mediterrânica, representando simultaneamente um património agrícola milenar, um elemento estruturante dos territórios rurais e um setor estratégico da produção agroalimentar. A presença da oliveira acompanha a história das civilizações mediterrânicas há vários milénios, tendo moldado sistemas produtivos, práticas culturais e paisagens que perduram até à atualidade. A expansão histórica do olival está associada às características climáticas desta região, caracterizada por verões quentes e secos e invernos moderados, que favorecem o desenvolvimento da oliveira, particularmente adaptada a ambientes semiáridos e a solos de baixa fertilidade. O azeite, produto emblemático da oliveira, adquiriu igualmente um valor simbólico, económico, social, cultural e alimentar, profundamente enraizado nas sociedades mediterrânicas e que tem beneficiado de uma crescente apreciação internacional, associada sobretudo ao reconhecimento das suas propriedades nutricionais e à difusão global da dieta mediterrânica. Desde a Antiguidade que vem sendo utilizado não apenas como alimento fundamental deste tipo de alimentação mediterrânica, mas também em práticas religiosas, medicinais e cosméticas, assumindo um lugar singular na história económica e cultural da região. A modernização dos sistemas de produção, a inovação tecnológica e a crescente integração nos mercados internacionais têm permitido uma profunda transformação do setor olivícola, com aumento de produtividade e competitividade do setor, reforçando a importância quer do olival quer do azeite. Simultaneamente, o olival continua a desempenhar funções ambientais e territoriais de extrema relevância, contribuindo para a conservação do solo, a manutenção da biodiversidade e a gestão sustentável das paisagens rurais. Apesar destas dinâmicas positivas, o setor enfrenta igualmente desafios relevantes no futuro, relacionados com as alterações climáticas, a gestão sustentável dos recursos hídricos, a crescente concorrência internacional e a necessidade de garantir modelos produtivos ambientalmente sustentáveis. Neste contexto, as políticas públicas na União Europeia a 27 (UE27), nomeadamente no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), têm um papel fundamental no apoio à modernização do setor, à sustentabilidade ambiental das explorações e à valorização económica dos territórios rurais associados ao olival.
6 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 1. O setor do olival e do azeite no mundo: superfície, produção, consumo e comércio internacional 2024 SUPERFÍCIE OLIVAL (ha) 11 066 175 PRODUÇÃO OLIVAL (t) 25 551 899 PRODUTIV. OLIVAL (kg/ha) 2 309 PRODUÇÃO AZEITE (t) 3 360 100 CONSUMO AZEITE (t) 3 215 000 EXPORTAÇÕES AZEITE 14 565 127 m€ 1 994 881 t IMPORTAÇÕES AZEITE 15 392 076 m€ 1 854 955 t A. Distribuição global da superfície de olival Tendo como referência informação compilada a partir de fontes estatísticas internacionais, nomeadamente a Organização da Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Conselho Oleícola Internacional (COI/IOC), o EUROSTAT, o International Trade Centre (ITC) e ainda o Instituto Nacional de Estatística (INE), para Portugal, verificou-se que a superfície mundial dedicada ao cultivo da oliveira registou um crescimento significativo ao longo das últimas décadas, refletindo simultaneamente a expansão geográfica da cultura e a crescente procura global de azeite e de produtos derivados da azeitona. De acordo com a informação disponibilizada pela FAO, a área mundial de olival aumentou cerca de 3,9 milhões de hectares entre 1986 e 2024, passando de 7,2 milhões para 11,1 milhões de hectares (+53,7%). Este crescimento ocorreu em diferentes fases e com intensidades distintas entre continentes. Em 1986, cerca de 61% da superfície de olival localizava- -se na Europa, quota que baixou para 46% em 2024, apesar de ter aumentado a sua área em 16% no período (+693 mil hectares). A Oceânia apresentou a maior taxa de crescimento (4 011%), contudo tem uma relevância residual, enquanto África e Ásia com mais 2 milhões e 1 milhão de hectares, respetivamente, foram os que apresentaram os incrementos mais relevantes na superfície global de olival nos países da região do Mediterrâneo. Constata-se, assim, que nas últimas décadas se verificou uma gradual diversificação geográfica da produção, com o desenvolvimento de novas áreas olivícolas em países como a Tunísia, a Turquia, Marrocos ou a Síria, bem como em regiões fora da região mediterrânica, incluindo a América do Sul, a Austrália e partes da América do Norte. Gráfico 1 – Evolução da superfície de olival no mundo no período 1986-2024 (milhares ha) Graf 1 Graf 2 7 198 11 066 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 8 000 10 000 12 000 14 000 5 00 10 00 15 00 20 00 25 00 30 00 20 0 25 0 30 0
7 A produção de azeite tem-se concentrado nos países mediterrâneos, que desde sempre representam a maior parte da área mundial de olival. De acordo com os dados da FAO, em 2024, cerca de 97% (10,6 milhões de hectares) da superfície global de olival encontra-se nesta região. Entre estes, destaca-se claramente a Espanha, que concentra mais de 2,6 milhões de hectares, 24% da superfície mundial. O top 10, composto exclusivamente por países mediterrâneos, totaliza 10,3 milhões de hectares, que correspondem a mais de 93% da área total de olival. Para além da já referida Espanha, conta ainda com mais três países com mais de um milhão de hectares, mais concretamente a Tunísia (1,9 milhões), Marrocos (1,2 milhões) e Itália (1,1 milhões). Portugal ocupa a 9ª posição deste ranking com 381 mil hectares. O Mapa 1 permite visualizar a distribuição e dimensão mundial da superfície do olival, evidenciando a forte concentração desta cultura na região do Mediterrâneo, caracterizada por verões quentes e secos, invernos amenos e solos bem drenados, condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da oliveira. Observa-se ainda a expansão do olival em regiões fora do Mediterrâneo, nomeadamente • Américas: Argentina (127 mil ha), Chile (20 mil ha), EUA (17 mil ha); • Oceânia: Austrália (33 mil ha); • Médio Oriente: Irão (34 mil ha), Arábia Saudita (24 mil ha). Graf 1 Graf 2 Graf 7 GRAF 32 GRAF 36 G GRAF 3 7 198 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 % UE27 no mundo % Resto mundo África 26% Americas 1% Ásia 13% Europa 60% Oceania 0% 7 197 641 1986 África 35% Americas 2% Ásia 17% Europa 46% Oceania 0% 11 066 175 2024 9218 0 5 000 10 000 15 000 20 000 1986 1991 1996 2001 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 África Americas 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 % UE27 no mundo África 14% Americas 3% Ásia 17% Europa 66% Oceania 0% 9 217 988 1986 Gráfico 2 – Evolução da superfície de olival no mundo no período 1986-2024, por continente (milhares ha) Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Quadro 1 – Superfície de olival em 1986 e 2024 no mundo (ha) Continente Superfície 1986 Superfície 2024 Variação absoluta Taxa variação % no total 1986 % no total 2024 África 1 861 110 3 881 563 2 020 453 108,6 25,9 35,1 Américas 57 923 205 779 147 856 255,3 0,8 1,9 Ásia 916 794 1 892 190 975 396 106,4 12,7 17,1 Europa 4 361 014 5 053 755 692 741 15,9 60,6 45,7 Oceânia 800 32 889 32 089 4011,1 0,0 0,3 MUNDO 7 197 641 11 066 176 3 868 535 53,7 100 100 Fonte: GPP, a partir de FAO Graf 6 Graf 1 Graf 2 Graf 7 GRAF 32 GRAF 36 GRAF 5 GRAF 3 7 198 11 066 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 % UE27 no mundo % Resto mundo África 26% Americas 1% Ásia 13% Europa 60% Oceania 0% 7 197 641 1986 África 35% Americas 2% Ásia 17% Europa 46% Oceania 0% 11 066 175 2024 9218 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 África Americas Ásia 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 20 % UE27 no mundo África 14% Americas 3% Ásia 17% Europa 66% Oceania 0% 9 217 988 1986 Fonte: GPP, a partir de COI/IOCe FAO Gráfico 3 – Superfície de olival no mundo por continente em 1986 e 2024 (%)
8 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 Este processo de expansão geográfica tem sido acompanhado por importantes transformações tecnológicas no setor. A introdução de sistemas de produção em vaso e em sebe, a mecanização da colheita, a melhoria genética das variedades e o desenvolvimento de modernas unidades industriais de extração contribuíram para um aumento significativo da produtividade média das explorações olivícolas. B. Produção global do olival A evolução da produção mundial de olival ao longo das últimas décadas revela uma tendência de expansão significativa, refletindo mudanças estruturais profundas no setor oleícola internacional. Conforme evidenciado no Gráfico 5, a produção global aumentou de 9,2 milhões de toneladas em 1986 para aproximadamente 25,6 milhões de toneladas em 2024, o que corresponde a um crescimento de cerca de 177% ao longo do período (Quadro 2). O aumento da produção reflete não apenas a expansão da superfície cultivada, mas sobretudo as transformações estruturais do setor com intensificação Fonte: GPP, a partir de COI/IOCe FAO Mapa 1 – Superfície mundial de olival em 2024 (ha) Graf 6 Graf 7 GRAF 40 GRAF 36 GRAF 5 GRAF 3 11 066 2006 2011 2016 2021 1 2006 2011 2016 2021 Ásia Europa Oceania 2006 2011 2016 2021 % Resto mundo as África 35% Americas 2% Ásia 17% Europa 46% Oceania 0% 11 066 175 2024 9218 25552 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 1 1 2 2 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 % UE27 no mundo % Resto mundo África 14% Americas 3% Ásia 17% Europa 66% Oceania 0% 9 217 988 1986 África 17% Americas 3% Ásia 22% Europa 58% Oceania 0% 25 551 899 2024 1 1 2 2 3 3 4 1 1 2 2 3 3 Graf 6 Graf 7 GRAF 40 GRAF 36 GRAF 5 GRAF 3 11 066 1 2006 2011 2016 2021 001 2006 2011 2016 2021 s Ásia Europa Oceania 01 2006 2011 2016 2021 do % Resto mundo ca % ricas % Ásia 3% África 35% Americas 2% Ásia 17% Europa 46% Oceania 0% 11 066 175 2024 9218 25552 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 % UE27 no mundo % Resto mundo África 14% Americas 3% Ásia 17% Europa 66% Oceania 0% 9 217 988 1986 África 17% Americas 3% Ásia 22% Europa 58% Oceania 0% 25 551 899 2024 Gráfico 4 – Top 10 da superfície mundial de olival em 2024 (milhares ha) GRAF 4 GRAF 8 GRAF 12 185 381 474 681 848 913 1083 1239 1866 2646 Líbia PORTUGAL Argélia Síria Grécia Turquia Itália Marrocos Tunísia Espanha 785 913 1056 1080 1270 1341 2300 2507 3750 8310 Síria Argélia Tunísia Marrocos Egito PORTUGAL Itália Grécia Turquia Espanha 3817 4106 4151 5066 6614 8322 8471 10784 13467 14634 Jordânia Turquia Iraque México Chile China EUA Egito Koweit Arábia Saudita Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 5 – Produção mundial do olival por continente em 1986 e 2024 (%)
Panorama dos números do olival e azeite 9 tecnológica da produção, nomeadamente a intensificação dos sistemas produtivos, em que os olivais tradicionais, caracterizados por reduzida densidade de plantação e colheita manual, têm vindo a ser progressivamente complementados por olival em vaso e em sebe, que permite: • Maior densidade de árvores por hectare; • Mecanização integral da colheita; • Maior eficiência produtiva; • Redução de custos. O crescimento da produção está ainda associado ao aumento da procura internacional de azeite e de azeitona de mesa, que tem sido impulsionada por fatores como a valorização da dieta mediterrânica, a crescente integração dos mercados agroalimentares e o aumento do consumo em economias emergentes. Apesar da tendência global de crescimento mencionada, a leitura do Gráfico 6 permite também observar alguma volatilidade interanual da produção, reflexo da sensibilidade da oliveira às condições climáticas e ao fenómeno de alternância produtiva que caracteriza esta espécie. A evolução da produção mundial por continente, apresentada no Gráfico 7 e no Quadro 2, permite constatar que esta não ocorreu de forma homogénea entre regiões, mostrando diferentes trajetórias de desenvolvimento da olivicultura. A Europa mantém-se como o principal centro mundial de produção de olival, concentrando a maior parte da produção global (Mapa 2). Em 1986, o continente representava cerca de 66,2% da produção mundial, valor que, embora tenha diminuído em termos relativos, ainda se situava em 57,5% em 2024. Em termos absolutos, a produção europeia aumentou de 6,1 milhões de toneladas para cerca de 14,7 milhões de toneladas (+141% → 8,6 milhões t), evidenciando a continuidade do crescimento da produção nos principais países mediterrânicos, que resulta essencialmente da modernização tecnológica do setor e da intensificação dos sistemas produtivos. A redução da quota relativa da Europa deve-se ao aumento que se tem verificado noutras regiões do mundo. A Ásia apresentou um crescimento superior a 255%, passando de 1,6 milhões de toneladas para 5,6 milhões em 2024, uma consequência do dinamismo de países da bacia oriental do Mediterrâneo e do Médio Oriente, onde a olivicultura possui uma longa tradição histórica, mas onde se têm verificado investimentos relevantes na moderGráfico 7 – Evolução da produção mundial do olival no período 1986-2024, por continente (x1000 ha) Graf 6 G Graf 7 GRAF 40 066 9218 25552 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 1281 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 1986 1991 1996 20 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 60 80 100 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 1986 1991 1996 20 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 6 – Evolução da produção mundial do olival no período 1986-2024 (x1000 t) Graf 6 G Graf 7 GRAF 40 GRAF 36 066 9218 25552 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 1281 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 1986 1991 1996 20 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 20 40 60 80 100 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 1986 1991 1996 20
10 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 nização das explorações agrícolas, fazendo a sua quota na produção mundial passar para 22%. Em África, verificou-se também um crescimento expressivo, passando de 1,3 milhões de toneladas em 1986 para cerca de 4,4 milhões de toneladas em 2024, o que representa um aumento de aproximadamente 237%. Um crescimento particularmente impulsionado pelo desenvolvimento da olivicultura nos países do Norte de África, com condições agroclimáticas que favorecem a expansão da cultura. Países como Egito (1,3 milhões toneladas → +4 603%), Tunísia e Marrocos (1,1 milhões de toneladas) e Argélia (913 mil toneladas → +353%) têm assumido um papel crescente na produção. Quadro 2 – Produção do olival em 1986 e 2024 no mundo (t) Continente Produção 1986 Produção 2024 Variação absoluta Taxa variação % no total 1986 % no total 2024 África 1 318 625 4 448 033 3 129 408 237,3 14,3 17,4 Américas 214 000 707 454 493 454 230,6 2,3 2,8 Ásia 1 580 357 5 616 299 4 035 942 255,4 17,1 22,0 Europa 6 103 722 14 698 303 8 594 581 140,8 66,2 57,5 Oceânia 1 284 81 809 80 525 6 271,4 0,0 0,3 MUNDO 9 217 988 25 551 899 16 333 911 177,2 100 100 Fonte: FAO Nas Américas, a produção aumentou 231% (cerca de 500 mil toneladas), refletindo sobretudo a expansão da olivicultura em países como Argentina, Chile e Estados Unidos. Na Oceânia, o crescimento foi ainda mais acentuado, embora partindo de valores muito reduzidos, sendo impulsionado pelo desenvolvimento recente da produção na Austrália. Estes novos polos de produção caracterizam-se frequentemente por sistemas agrícolas altamente mecanizados e tecnologicamente avançados, orientados para mercados internacionais. O Gráfico 8, relativo aos principais produtores mundiais, evidencia uma forte concentração geográfica da produção em torno de um número relativamente Mapa 2 – Produção mundial do olival em 2024 (t) Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
Panorama dos números do olival e azeite 11 reduzido de países. A Espanha, com 8,3 milhões de toneladas, destaca-se claramente como o maior produtor mundial, sendo responsável por uma parcela muito significativa da produção global (33% da produção mundial e 57% da europeia). Este posicionamento resulta da conjugação de diversos fatores estruturais, como a vasta extensão de olival, elevados níveis de mecanização agrícola, forte capacidade de transformação industrial e uma elevada integração nos mercados internacionais. Destaque ainda para a Turquia (15%), Grécia (10%), Itália (9%), Portugal e Egito (5%), com posições relevantes na produção mundial, embora com volumes inferiores. De referir ainda que o conjunto de países que representam o top 10 mundial, somam um total de 23,3 milhões de toneladas, a que corresponde 91,2% da produção global. C. Produtividade global do olival A evolução da produtividade do olival à escala mundial evidencia uma tendência de crescimento gradual ao longo das últimas décadas, refletindo o aumento da superfície e da produção como consequência da modernização tecnológica da olivicultura e a crescente intensificação dos sistemas produtivos. A leitura do Gráfico 9 permite observar que a produtividade média mundial do olival apresenta um aumento significativo entre 1986 e 2024 (cerca de 80% → passou de 1281 kg/ha em 1986 para 2309 kg/ha em 2024), embora com alguma variabilidade interanual associada à alternância produtiva da oliveira e às condições climáticas que influenciam o rendimento das culturas. Este aumento resulta essencialmente dos fatores estruturais já mencionados. A evolução da produtividade por continente, apresentada no Gráfico 10, revela diferenças relevantes entre regiões do mundo, refletindo níveis distintos de modernização agrícola, condições agroclimáticas e estruturas produtivas. A produtividade do olival na Europa aumentou cerca de 108%, passando de 1400 kg/ha em 1986 para 2908 kg/ha em 2024 (+1509 kg/ha). O continente europeu apresenta níveis de produtividade relativamente elevados e tem um papel central na evolução tecnológica da olivicultura. A presença de países com forte tradição nesta cultura e elevado investimento em inovação agrícola tem contribuído para a melhoria gradual da produtividade média. Contudo, a existência de áreas extensas de olival tradicional, especialmente em zonas montanhosas ou de pequena dimensão fundiária, como se verifica em Portugal, Itália, Grécia e Espanha, limita o aumento da produtividade média em algumas regiões. Graças aos investimentos na modernização das explorações de olivicultura e nas respetivas infraestruturas registou-se igualmente uma evolução significativa da produtividade na Ásia (72%) e em África (62%). Embora as Américas e a Oceânia representem uma parcela relativamente reduzida da produção mundial, os níveis de produtividade alcançados em algumas explorações podem ser particularmente elevados, refletindo a adoção de modelos produtivos mais recentes, altamente eficientes e tecnologicamente Gráfico 8 – Top 10 da produção mundial do olival em 2024 (milhares t) GRAF 8 2646 785 913 1056 1080 1270 1341 2300 2507 3750 8310 Síria Argélia Tunísia Marrocos Egito PORTUGAL Itália Grécia Turquia Espanha 3467 14634 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
12 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 avançados, caracterizados por elevados níveis de mecanização e gestão agrícola intensiva. Apesar de as Américas registarem uma evolução negativa (-7%) entre 1986 e 2024, é a região que apresenta a produtividade mais elevada (Gráfico 10) ao longo de todo o período. Entre 1986 e 2024, evidenciam- -se alterações nos níveis de produtividade de cada região. Em 1986, as Américas, com 3695 kg/ha, tinham uma produtividade que era mais do dobro da registada na Europa, na Ásia e na Oceânia e o quádruplo de África. Ao longo dos anos, as alterações, de modo geral, apontam para uma tendência de convergência gradual na produtividade do olival entre os continentes (exceto o africano) como resultado da difusão global de tecnologias agrícolas e de práticas mais eficientes, que tem contribuído para a transferência de conhecimento técnico entre países produtores, favorecendo a produtividade em regiões que historicamente apresentavam rendimentos agrícolas mais baixos (Gráfico 11). No Mapa 3, podemos observar uma distribuição heterogénea dos rendimentos agrícolas. As regiões com maiores níveis de produtividade tendem a concentrar-se em áreas caracterizadas por: • condições agroclimáticas favoráveis; • elevado grau de modernização agrícola; • disponibilidade de recursos hídricos para rega ou forte investimento em regadio; • forte integração das explorações na cadeia agroindustrial do azeite. Gráfico 9 – Evolução da produtividade do olival no período 1986 a 2024 (kg/ha) Graf 10 Graf 9 GRAF 40 GRAF 11 1281 2309 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 0 1 000 2 000 3 000 4 000 5 000 6 000 1986 1991 1996 2001 África Americas Á 709 3695 1724 1400 1605 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 África Americas Ásia Europa Oceania 1986 1146 3438 2968 2908 2488 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 África Americas Ásia Europa Oceania 2024 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 Europa Mundo Gráfico 10 – Evolução da produtividade do olival no período 1986 a 2024, por continente (kg/ha) Graf 10 0 1 000 2 000 3 000 4 000 5 000 6 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 2908 2024 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Quadro 3 – Produtividade do olival em 1986 e 2024 no mundo (kg/ha) Continente Produtividade 1986 Produtividade 2024 Variação absoluta Taxa de variação (%) África 709 1 146 437 61,7 Américas 3 695 3 438 -257 -6,9 Ásia 1 724 2 968 1 244 72,2 Europa 1 400 2 908 1 509 107,8 Oceânia 1 605 2 488 883 55,0 MUNDO 1 281 2 309 1 028 80,2 Fonte: FAO
Panorama dos números do olival e azeite 13 Por outro lado, áreas onde predominam sistemas de produção tradicionais apresentam geralmente níveis de produtividade inferiores. As transformações observadas na superfície, produção e produtividade do olival refletem as mudanças estruturais profundas no funcionamento do setor do azeite a nível mundial. Como tem sido referido, um dos fatores mais relevantes na evolução recente tem sido a intensificação tecnológica da produção agrícola, com a introdução Gráfico 11 – Produtividade do olival em 1986 e 2024, por continente (kg/ha) GRAF 11 709 3695 1724 1400 1605 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 África Americas Ásia Europa Oceania 1986 1146 3438 2968 2908 2488 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 África Americas Ásia Europa Oceania 2024 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Mapa 3 – Produtividade mundial do olival em 2024 (kg/ha) Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 12 – Top 10 da produtividade mundial do olival em 2024 (kg/ha) GRAF 4 GRAF 12 185 381 474 681 848 913 1083 1239 1866 2646 Líbia PORTUGAL Argélia Síria Grécia Turquia Itália Marrocos Tunísia Espanha Síria Argélia Tunísia Marrocos Egito PORTUGAL Itália Grécia Turquia Espanha 3817 4106 4151 5066 6614 8322 8471 10784 13467 14634 Jordânia Turquia Iraque México Chile China EUA Egito Koweit Arábia Saudita Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
14 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 de sistemas mais densos e mecanizados, que permitiram aumentar significativamente o rendimento por hectare e reduzir os custos de produção. Esta transformação tem contribuído para aumentar a competitividade internacional dos países produtores que adotaram estes modelos produtivos. A expansão da geografia produtiva em novas regiões reflete igualmente a crescente globalização do mercado de azeite. Países que investiram na olivicultura, utilizando modelos agrícolas altamente eficientes com mecanização intensiva, agricultura de precisão e integração vertical das cadeias de valor, conseguiram alcançar níveis de produtividade comparáveis e até superiores aos de regiões tradicionais. Também se tem verificado uma crescente valorização da qualidade e origem do azeite, favorecendo estratégias de diferenciação como a certificação de origem, a produção biológica e a valorização de variedades tradicionais. D. Produção de azeite e produtividade A produção mundial de azeite tem registado uma tendência de crescimento ao longo das últimas décadas (Gráfico 13), embora marcada por elevada variabilidade interanual, resultante sobretudo de fatores climáticos, da alternância produtiva característica da oliveira e da disponibilidade de recursos hídricos. Esta trajetória ascendente reflete simultaneamente a expansão da área de olival em várias regiões do mundo e a melhoria da produtividade agrícola decorrente da modernização tecnológica do setor. Por outro lado, o azeite tem beneficiado de uma crescente valorização associada sobretudo ao reconhecimento das suas propriedades nutricionais e à difusão global do conceito de dieta mediterrânica, o que tem contribuído para o aumento da procura em numerosos mercados internacionais. De acordo com o COI/IOC, na safra de 2024 a produção de azeite foi de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, uma variação de 132% (+1,9 milhões de toneladas) comparativamente ao ano de 1990 que registou cerca de 1,5 milhões de toneladas. A análise da produção por continente, apresentada no Gráfico 14, permite identificar diferenças relevantes entre regiões do mundo, refletindo diferentes níveis de especialização agrícola, condições agroclimáticas e dinâmicas de investimento no setor. A Europa é o principal centro de produção mundial de azeite, resultado de uma forte tradição existente nos países mediterrâneos, com destaque particular para a Espanha (38,4%), que tem uma posição dominante no mercado do setor, e ainda a Grécia (7,4%), a Itália (6,7%) e Portugal (5,8%), que em conjunto concentram mais de 58% da produção mundial. O continente africano constitui uma grande região produtora de azeite, com destaque para os países do Norte de África. Tunísia, Marrocos e Argélia assumem particular relevância na produção regional, tendo registado um crescimento significativo nas últimas décadas, associado ao reforço do investimento na olivicultura, à expansão da área e à crescente integração destes países nos mercados internacionais. Na Ásia, a produção de azeite encontra-se concentrada sobretudo em países do Médio Oriente e da bacia oriental do Mediterrâneo, como Turquia, Síria ou Líbano. Gráfico 13 – Evolução da produção mundial de azeite (x1000 toneladas) GRAF 13 PRODUÇÃO 1453 3376 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 1990/91 1993/94 1996/97 1999/00 2002/03 2005/06 2009/10 2012/13 2015/16 2018/19 2021/22 2024/25 Indica C E I P
Panorama dos números do olival e azeite 15 Com parcelas relativamente reduzidas na produção mundial de azeite, as Américas têm vindo a aumentar progressivamente a sua quota, graças a países como a Argentina, Chile e EUA, com olivais modernos e elevados níveis de mecanização e tecnologia agrícola que permitem elevada produtividade. A Oceânia tem uma quota mais modesta, embora se verifique um crescimento gradual nas últimas décadas. A comparação entre os anos 1990 e 2024 (Gráfico 15) evidencia mudanças na distribuição relativa da produção de azeite entre os continentes. A Europa continua a dominar claramente, no entanto, regista- -se uma redução da sua quota de 70,3% para 59,6% e um aumento significativa da Ásia no mercado da produção de azeite, reflexo do forte investimento feito em países do Médio Oriente, indicando uma gradual diversificação geográfica da produção. O Gráfico 16, relativo ao top 10 mundial de produção de azeite, mostra a forte concentração da produção. Estes países representam mais de 91% do total global e podemos verificar que a liderança de Espanha é particularmente expressiva (1,3 milhões de toneladas → 38,4%). Esta situação resulta da combinação de vários fatores estruturais como a grande extensão de olival, o elevado nível de mecanização, a forte capacidade industrial de transformação e a elevada integração nos mercados internacionais. Considerando o conjunto dos 10 países com maior produção de azeite apresentados no Gráfico 16, ao analisar esta e a superfície de cada um, facilmente se constata que produzir muito (volume) não é o mesmo que produzir com alto rendimento por hectare (produtividade). Isto tem a ver com a distinção entre a intensidade da exploração e a escala da área cultivada. Como temos verificado, a Espanha domina a produção global devido à vasta área de olival que garante um volume total elevado, no entanto é Portugal (512 kg/ha) quem se destaca na produtividade pela tecnologia e modernização do setor, no Alentejo, com sistemas em vaso e em sebe que maximizam o azeite por hectare, ao contrário da produção tradicional, que se encontra em extensas áreas de países como a Itália (207 kg/ha), Grécia (295 kg/ha), Marrocos (73 kg/ha), Tunísia (182 kg/ha) e Síria (154 kg/ha). Salientar ainda que destes 10 países, Portugal é o 9º na superfície de olival e o 6º na produção de azeite, mas o 1º na produtividade. Para além das questões de escala vs. eficiência e de sistema intensivo vs. tradicional, há ainda que ter em conta fatores climáticos, como por exemplo secas e ondas de calor, que podem reduzir drasticamente Gráfico 14 – Evolução da produção mundial de azeite, por continente (x1000 toneladas) GRAF 14 0 1 000 2 000 3 000 4 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 Milhares África Americas Ásia Europa Oceania Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 15 – Produção mundial de azeite em 1990 e 2024, por continente (%) GRAF 15 África 15,8% Américas 0,8% Ásia 13,1% Europa 70,3% 1 420 700 1990 África 17,0% Américas 1,9% Ásia 20,8% Europa 59,6% Oceânia 0,6% 3 360 100 2024 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
16 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 a colheita em países do Mediterrâneo com grandes produções. Também a variedade de azeitona é importante, já que algumas são selecionadas especificamente pelo seu alto rendimento industrial e adaptação à mecanização, favorecendo a produtividade. Outras variedades tradicionais focam-se no sabor ou na azeitona de mesa, resultando em menor volume de azeite extraído por tonelada de fruto. Alguns países fora da região mediterrânea, sem tradição na olivicultura e com reduzida produção de azeite e superfície, mas que contam apenas com sistemas em sebe, apresentam produtividades substancialmente mais elevadas que as registadas pelos países tradicionais. E. Consumo de azeite A evolução do consumo mundial de azeite nas últimas décadas evidencia uma tendência de crescimento gradual (variação de 93% em 2024 face a 1990), acompanhando a expansão da produção e a crescente valorização deste produto na alimentação global. No Gráfico 18, é possível observar uma trajetória ascendente ao longo do período 1990-2025, embora marcado por ligeiras oscilações interanuais Gráfico 16 – Top 10 da produção mundial de azeite em 2024 (x1000 toneladas) GRAF 16 GRAF 17 40 85 90 105 195 224 250 340 450 1290 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Egito Argélia Marrocos Síria PORTUGAL Itália Grécia Tunisia Turquia Espanha 73 154 179 182 207 295 340 488 493 512 0 100 200 300 400 500 600 Marrocos Síria Argélia Tunisia Itália Grécia Egito Espanha Turquia PORTUGAL Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Mapa 4 – Produção mundial de azeite em 2024 (x1000 toneladas) Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 17 – Produtividade do top 10 da produção mundial de azeite em 2024 (kg/ha) GRAF 16 GRAF 17 40 85 90 105 195 224 250 340 450 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Egito Argélia Marrocos Síria PORTUGAL Itália Grécia Tunisia Turquia 73 154 179 182 207 295 340 488 493 512 0 100 200 300 400 500 600 Marrocos Síria Argélia Tunisia Itália Grécia Egito Espanha Turquia PORTUGAL Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
Panorama dos números do olival e azeite 17 associadas à variabilidade das colheitas, consequência das condições climatéricas e do fenómeno de alternância produtiva, que caracteriza a oliveira. O consumo de azeite concentra-se sobretudo na Europa, em particular na região do Mediterrâneo, em resultado da forte tradição gastronómica com a utilização do azeite na dieta desta região. Contudo, observa-se um crescimento progressivo noutras regiões do mundo, nomeadamente nas Américas e na Ásia, o que se deve à difusão internacional dos benefícios nutricionais do azeite (Gráfico 19). Esta alteração gradual da geografia do consumo (Gráfico 20), mostra-nos que, embora a Europa continue a representar a maior quota do consumo mundial, verifica-se uma redução significativa da sua participação relativa entre 1990 e 2024. Em contrapartida, outras regiões têm vindo a reforçar o seu peso no consumo global, sobretudo as Américas (de 7% para 20%) e a Ásia (de 10% para 17%). Esta evolução reflete a progressiva diversificação geográfica do consumo, com um aumento da procura fora das regiões tradicionalmente consumidoras, o que contribui para reforçar o carácter cada vez mais global do mercado do azeite. Consumo de outros óleos vegetais Analisando a evolução do consumo de óleos vegetais (Gráfico 21), verificamos que, entre 2013 e 2023, se verificou um crescimento significativo de 34%, sendo dominantes os óleos vegetais mais baratos e produzidos em grande escala, como sejam o óleo de palma e de soja. Verifica-se também que, ao longo destes 10 anos, o padrão alimentar relativamente aos tipos de óleos mais consumidos se manteve inalterado. Gráfico 18 – Evolução do consumo mundial de azeite (x1000 toneladas) GRAF 18 MUNDO UE 3 248 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 1990/91 1995/96 2000/01 2005/06 2010/11 2015/16 2020/21 2025/26 1 667 Gráfico 19 – Evolução do consumo mundial de azeite, por continente (x1000 toneladas) GRAF 19 GRAF 20 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 1990/91 1995/96 2000/01 2005/06 2010/11 2015/16 2020/21 2025/26 África Américas Ásia Europa Oceânia África 7% Américas 7% Ásia 10% Europa 75% Oceânia 1% 1 666500 1990 1994 Nota: valores estimados no período 2023/24 a 2025/26 Fonte: COI/IOC, “Olive oil balances, nov. 2025” Gráfico 20 – Consumo de azeite em 1990 e 2024, por continente (%) GRAF 20 2025/26 África 7% Américas 7% Ásia 10% Europa 75% Oceânia 1% 1 666500 1990 África 11% Américas 20% Ásia 17% Europa 50% Oceânia 2% 3 215000 2024 1994 2024 Fonte: COI/IOC, “Olive oil balances, nov. 2025”
18 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 Quando se compara o consumo de azeite com o dos outros óleos vegetais, verifica-se que o consumo de azeite permanece estável e em valores muito baixos (1% a 2%) face à totalidade do consumo dos outros óleos vegetais. Segundo dados da FAO, e comparando o ano de 2013 com o ano de 2023, o consumo de azeite diminuiu de 1,88% para 1,34%. Importa, no entanto, realçar que 2023 e 2024 foram os anos em que os preços do azeite registaram as maiores subidas de sempre, pelo que esta descida de consumo deverá estar também relacionada com esta situação. F. Comércio internacional de azeite A evolução do comércio internacional de azeite evidencia uma tendência de crescimento tanto em valor como em volume. No entanto, o aumento do valor das exportações revela-se, em muitos períodos, mais acentuado do que o crescimento do volume exportado, sugerindo um aumento do preço médio do azeite transacionado nos mercados internacionais (Gráfico 23 e Gráfico 24). Esta diferença entre o ritmo de crescimento do valor e do volume constitui um indicador da crescente valorização económica do produto e da diferenciação qualitativa do azeite comercializado nos mercados globais, que resulta de vários fatores estruturais, nomeadamente: • aumento da procura internacional de azeite; • crescente valorização de azeites de maior qualidade, especialmente azeite extra virgem; • expansão do consumo em novos mercados; • volatilidade dos preços, a nível global, em função das variações de produção. Gráfico 21 – Consumo de azeite e outros óleos vegetais no mundo (x1 000t) 0 40 000 80 000 120 000 160 000 200 000 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Óleo de soja Óleo de colza Óleo de girassol Óleo de palma Azeite Óleo de soja 24% Óleo de colza 12% Óleo de girassol 8% Óleo de palma 32% Azeite 2% Outros Óleos vegetais 22% 175 799 2013 Fonte: GPP, a partir de FAO Gráfico 22 – Consumo de azeite e outros óleos vegetais no mundo em 2013 e 2023 (x1 000t) Óleo de soja 24% Óleo de colza 12% Óleo de girassol 8% Óleo de palma 32% Azeite 2% Outros Óleos vegetais 22% 175 799 2013 Óleo de soja 25% Óleo de colza 13% Óleo de girassol 9% Óleo de palma 33% Azeite 1% Outros Óleos vegetais 19% 235 987 2023 Fonte: GPP, a partir de FAO Gráfico 23 – Evolução do valor das exportações mundiais de azeite (x1000 euros) Gráfico 24 – Evolução do volume das exportações mundiais de azeite (x1000 toneladas) GRAF 54 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 mechanical ... 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 16 000 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 milhares de euros 3580376 11532146 2871844 7632869 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 milhares de euros Exportações UE27 Importações UE27 GRAF 24 MUNDO TOP10 Argentina 18 685 EUA 24 416 GRAF 26 Camarões 42 717 Síria 68 426 Turquia 100 861 Grécia 117 913 Tunisia 216 138 1238 1995 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 Milhares toneladas 68426 100861 117913 216138 235793 301761 758879 Síria Turquia Grécia Tunisia PORTUGAL Itália Espanha Fonte: International Trade Centre
Panorama dos números do olival e azeite 19 A leitura do Gráfico 25 e do Gráfico 26 evidencia uma forte concentração das exportações em alguns países do Mediterrâneo, com destaque para Espanha, Itália, Portugal, Tunísia, Grécia, Turquia e Síria, que em conjunto representam 91% do valor e 87% do volume exportado. A Espanha ocupa uma posição dominante no comércio internacional de azeite, sendo responsável por uma parcela muito significativa das exportações mundiais, tanto em valor (40%) como em volume (38%). Este posicionamento resulta da elevada dimensão do seu setor oleícola e da forte capacidade industrial e comercial. A Itália apresenta igualmente um papel relevante, particularmente no comércio em valor. Este facto reflete o forte posicionamento do país nos segmentos de maior valor acrescentado, associado à reputação internacional do azeite italiano e à sua estratégia de comercialização baseada em marcas reconhecidas e produtos de qualidade diferenciada. Alguns países, como a Tunísia, a Grécia ou a Turquia, apresentam posições relativamente mais fortes em termos de volume do que de valor, o que indica uma maior especialização na exportação de azeite a granel ou em segmentos de menor valor unitário. A evolução das importações mundiais de azeite acompanha a dinâmica das exportações, refletindo o aumento do consumo global e consequente internacionalização do mercado. Tal como observado no caso das exportações, o crescimento do valor (Gráfico 27) das importações tende a ser mais pronunciado do que o aumento do volume (Gráfico 28), sugerindo um incremento do preço médio do azeite no comércio internacional. Para além dos fatores enunciados nas exportações, esta evolução pode também dever-se a: • valorização do azeite como produto associado a dietas saudáveis; • expansão do consumo em mercados com mais poder de compra. Gráfico 25 – Top 10 dos exportadores mundiais de azeite (x Meuros) Gráfico 26 – Top 10 dos exportadores mundiais de azeite (toneladas) GRAF 25 x 1 000 000€ UE27 + resto do mundo GRAF 56 GRAF 60 x 1 milhão 119 121 134 300 600 937 1444 1538 2928 5807 França Chile Argentina Síria Turquia Grécia Tunisia PORTUGAL Itália Espanha 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 16 000 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 Exportações UE27 Exportações resto Mundo 323 937 1538 2928 5807 Outros Grécia PORTUGAL Itália Espanha TOP10 Argentina 18 685 EUA 24 416 GRAF 26 Camarões 42 717 Síria 68 426 Turquia 100 861 Grécia 117 913 Tunisia 216 138 PORTUGAL 235 793 Itália 301 761 Espanha 758 879 Outros 36 082 2,5 Malta 0 0 Luxembourg 60 0,0 Finland 73 0,0 Bulgaria 82 0,0 Estonia 96 0,0 Slovenia 109 0,0 Slovakia 156 0,0 Sweden 184 0,0 Toneladas GRAF 61 Ireland 233 0,0 Cyprus 249 0,0 Croatia 280 0,0 Denmark 281 0,0 Latvia 334 0,0 Lithuania 388 0,0 Czech Republic 415 0,0 Poland 784 0,1 Austria 912 0,1 Netherlands 4 408 0,3 Germany 4 947 0,3 Belgium 9 063 0,6 France 13 028 0,9 Grécia 117 913 8,1 PORTUGAL 235 793 16,3 Itália 301 761 20,8 Espanha 758 879 52,3 Hungary No Quantity Romania No Quantity UE27 1 450 428 100 1238 1995 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 Milhares ton 18685 24416 42717 68426 100861 117913 216138 235793 301761 758879 Argentina EUA Camarões Síria Turquia Grécia Tunisia PORTUGAL Itália Espanha 36082 117913 235793 301761 7588 Outros Grécia PORTUGAL Itália Espanha Fonte: International Trade Centre Gráfico 27 – Evolução do valor das importações mundiais de azeite (x1000 euros) Gráfico 28 – Evolução do volume das importações mundiais de azeite (x1000 toneladas) GRAF 27 import mundo 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 16 000 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 milhares de euros GRAF 28 GRAF 30 1386 1855 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 Milhares toneladas 68641 77481 92788 111184 365873 414672 RC Africana Alemanha Brasil PORTUGAL França EUA Itália 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 2006 Milhares toneladas Fonte: International Trade Centre
20 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 Entre os maiores mercados de importação destacam- -se os Estados Unidos, a Itália, a Espanha, a França, o Brasil e a Alemanha. Importa referir que não há dados disponíveis para as importações em volume por parte da Espanha em 2024 (em 2023, foram 210452 toneladas), com naturais repercussões na linha evolutiva do Gráfico 26 e ausência no Gráfico 28. Os Estados Unidos assumem uma posição particularmente relevante, sendo um dos maiores importadores mundiais de azeite, o que se deve à forte expansão do consumo nas últimas décadas. Por sua vez, a Espanha e a Itália, para além de grandes exportadores, são também grandes importadores. Este fenómeno resulta da intensa integração das cadeias de valor no setor oleícola, incluindo operações de transformação, mistura, embalagem e reexportação de azeite. Gráfico 29 – Top 10 dos importadores mundiais de azeite (x Meuros) Gráfico 30 – Top 10 dos importadores mundiais de azeite (toneladas) GRAF 29 97 415 25 507 22 172 91 022 46 402 21 275 48 179 29 495 31 006 31 459 47 962 7 3 025 0,0 6 225 0,1 6 896 0,1 10 259 0,1 11 906 0,2 15 205 0,2 GRAF 62 15 396 0,2 15 855 0,2 x 1 milhão 17 068 0,2 17 758 0,2 25 472 0,3 25 680 0,3 33 451 0,4 36 368 0,5 39 629 0,5 41 929 0,5 49 149 0,6 78 827 1,0 97 864 1,3 06 006 1,4 58 501 2,1 74 296 2,3 91 022 7,7 46 402 8,5 48 179 12,4 29 495 18,7 31 006 39,7 32 869 100,0 GRAF 58 397 426 522 591 646 721 948 1429 3031 3031 Canadá Japão Reino Unido PORTUGAL Alemanha Brasil França Espanha Itália EUA 58,7 49,6 1 4 7 10 13 16 19 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 10 000 000 12 000 000 14 000 000 16 000 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 Importações UE27 Importações resto Mundo 548 106 159 174 591 646 948 1429 3031 Outros Polónia Bélgica P. Baixos PORTUGAL Alemanha França Espanha Itália GRAF 28 GRAF 30 11 Toneladas GRAF 63 0,0 0,1 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,3 0,3 0,3 0,5 0,5 0,6 0,7 0,9 1,3 1,3 1,4 1,5 2,3 2,6 8,4 11,4 13,6 1386 1855 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 2006 2009 2012 2015 2018 2021 2024 Milhares toneladas 51833 53008 60871 67175 68641 77481 92788 111184 365873 414672 Japão Turquia Reino Unido RC Africana Alemanha Brasil PORTUGAL França EUA Itália 87985 18664 21515 68641 92788 111184 414672 Outros Bélgica P. Baixos Alemanha PORTUGAL França Itália Fonte: International Trade Centre Mapa 5 – Valor das exportações de azeite em 2024 (x1000 euros) Mapa 6 – Volume das exportações de azeite em 2024 (toneladas) Mapa 7 – Valor das importações de azeite em 2024 (x1000 euros) Mapa 8 – Volume das importações de azeite em 2024 (toneladas) Fonte: GPP, a partir de International Trade Centre
Panorama dos números do olival e azeite 21 A. Superfície de olival Em 2024, a superfície de olival na UE27 era ligeiramente superior a 5 milhões de hectares. Uma leitura do Gráfico 31 mostra uma evolução relativamente estável ao longo do período compreendido entre 1986 e 2024 (+709 mil hectares). Esta estabilidade deve-se a fatores como a expansão do olival noutras regiões do mundo, muitas vezes associada à modernização agrícola e ao abandono e reconversão de áreas menos produtivas, sobretudo de olival tradicional. A superfície de olival da UE27 leva esta região a manter-se como o principal espaço geográfico da olivicultura mundial, representando uma parcela muito significativa no total, embora se verifique uma tendência de redução da sua quota relativa ao longo do tempo (45,3% em 2024 vs. 60% em 1986 – Gráfico 32). Conforme tem sido referido neste artigo, esta evolução deve-se à forte expansão da olivicultura noutros países, nomeadamente no norte de África e Médio Oriente e à crescente globalização do setor do azeite. A superfície de olival está concentrada em quatro Estados-Membros (Espanha, Itália, Grécia e Portugal) na bacia do Mediterrâneo e com forte tradição agrícola associada à oliveira, que no seu conjunto detêm 99% desta área. A Espanha assume uma posição dominante com cerca de 53% da superfície de olival da UE27, correspondente a mais de 2,6 milhões de hectares (+28% face a 1986). Portugal destaca-se como um caso de crescimento recente, impulsionado pela instalação de novos oli2. O setor do olival e do azeite na UE27: superfície, produção, consumo e comércio internacional 2024 *2023 SUPERFÍCIE OLIVAL (ha) 5 007 600 PRODUÇÃO OLIVAL (t) 14 558 160 PRODUTIV. OLIVAL (kg/ha) 2 907 PRODUÇÃO AZEITE (t) 1 632 427 CONSUMO AZEITE (t) 1 326 600 EXPORTAÇÕES AZEITE 11 532 146 m€ 1 450 428 t IMPORTAÇÕES AZEITE 7 632 839 m€ 999 762* t Gráfico 31 – Evolução da superfície de olival na UE27, no período 1986 a 2024 (x1000 ha) Gráfico 32 – Superfície de olival – UE27 e resto do mundo, no período 1986 a 2024 (%) GRAF 31 GRAF 35 4298 5008 0 1 500 3 000 4 500 6 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 Thousands 3 2646 14558 6 000 9 000 12 000 15 000 18 000 Thousands 8310 Graf 1 Graf 2 Graf 7 GRAF 32 GRAF 36 7 198 11 066 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 000 12 000 14 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 África Americas Ásia Europa Oceania 0 20 40 60 80 100 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 % UE27 no mundo % Resto mundo África 26% Americas 1% Oceania 0% 7 197 641 1986 África 35% Oceania 0% 11 066 175 2024 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 1 0 5 000 10 000 15 000 20 000 25 000 30 000 0 20 40 60 80 100 198 1986
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