Panorama dos números do olival e azeite 15 Com parcelas relativamente reduzidas na produção mundial de azeite, as Américas têm vindo a aumentar progressivamente a sua quota, graças a países como a Argentina, Chile e EUA, com olivais modernos e elevados níveis de mecanização e tecnologia agrícola que permitem elevada produtividade. A Oceânia tem uma quota mais modesta, embora se verifique um crescimento gradual nas últimas décadas. A comparação entre os anos 1990 e 2024 (Gráfico 15) evidencia mudanças na distribuição relativa da produção de azeite entre os continentes. A Europa continua a dominar claramente, no entanto, regista- -se uma redução da sua quota de 70,3% para 59,6% e um aumento significativa da Ásia no mercado da produção de azeite, reflexo do forte investimento feito em países do Médio Oriente, indicando uma gradual diversificação geográfica da produção. O Gráfico 16, relativo ao top 10 mundial de produção de azeite, mostra a forte concentração da produção. Estes países representam mais de 91% do total global e podemos verificar que a liderança de Espanha é particularmente expressiva (1,3 milhões de toneladas → 38,4%). Esta situação resulta da combinação de vários fatores estruturais como a grande extensão de olival, o elevado nível de mecanização, a forte capacidade industrial de transformação e a elevada integração nos mercados internacionais. Considerando o conjunto dos 10 países com maior produção de azeite apresentados no Gráfico 16, ao analisar esta e a superfície de cada um, facilmente se constata que produzir muito (volume) não é o mesmo que produzir com alto rendimento por hectare (produtividade). Isto tem a ver com a distinção entre a intensidade da exploração e a escala da área cultivada. Como temos verificado, a Espanha domina a produção global devido à vasta área de olival que garante um volume total elevado, no entanto é Portugal (512 kg/ha) quem se destaca na produtividade pela tecnologia e modernização do setor, no Alentejo, com sistemas em vaso e em sebe que maximizam o azeite por hectare, ao contrário da produção tradicional, que se encontra em extensas áreas de países como a Itália (207 kg/ha), Grécia (295 kg/ha), Marrocos (73 kg/ha), Tunísia (182 kg/ha) e Síria (154 kg/ha). Salientar ainda que destes 10 países, Portugal é o 9º na superfície de olival e o 6º na produção de azeite, mas o 1º na produtividade. Para além das questões de escala vs. eficiência e de sistema intensivo vs. tradicional, há ainda que ter em conta fatores climáticos, como por exemplo secas e ondas de calor, que podem reduzir drasticamente Gráfico 14 – Evolução da produção mundial de azeite, por continente (x1000 toneladas) GRAF 14 0 1 000 2 000 3 000 4 000 1986 1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 Milhares África Americas Ásia Europa Oceania Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO Gráfico 15 – Produção mundial de azeite em 1990 e 2024, por continente (%) GRAF 15 África 15,8% Américas 0,8% Ásia 13,1% Europa 70,3% 1 420 700 1990 África 17,0% Américas 1,9% Ásia 20,8% Europa 59,6% Oceânia 0,6% 3 360 100 2024 Fonte: GPP, a partir de COI/IOC e FAO
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