Cultivar_35_Separata

14 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 de sistemas mais densos e mecanizados, que permitiram aumentar significativamente o rendimento por hectare e reduzir os custos de produção. Esta transformação tem contribuído para aumentar a competitividade internacional dos países produtores que adotaram estes modelos produtivos. A expansão da geografia produtiva em novas regiões reflete igualmente a crescente globalização do mercado de azeite. Países que investiram na olivicultura, utilizando modelos agrícolas altamente eficientes com mecanização intensiva, agricultura de precisão e integração vertical das cadeias de valor, conseguiram alcançar níveis de produtividade comparáveis e até superiores aos de regiões tradicionais. Também se tem verificado uma crescente valorização da qualidade e origem do azeite, favorecendo estratégias de diferenciação como a certificação de origem, a produção biológica e a valorização de variedades tradicionais. D. Produção de azeite e produtividade A produção mundial de azeite tem registado uma tendência de crescimento ao longo das últimas décadas (Gráfico 13), embora marcada por elevada variabilidade interanual, resultante sobretudo de fatores climáticos, da alternância produtiva característica da oliveira e da disponibilidade de recursos hídricos. Esta trajetória ascendente reflete simultaneamente a expansão da área de olival em várias regiões do mundo e a melhoria da produtividade agrícola decorrente da modernização tecnológica do setor. Por outro lado, o azeite tem beneficiado de uma crescente valorização associada sobretudo ao reconhecimento das suas propriedades nutricionais e à difusão global do conceito de dieta mediterrânica, o que tem contribuído para o aumento da procura em numerosos mercados internacionais. De acordo com o COI/IOC, na safra de 2024 a produção de azeite foi de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, uma variação de 132% (+1,9 milhões de toneladas) comparativamente ao ano de 1990 que registou cerca de 1,5 milhões de toneladas. A análise da produção por continente, apresentada no Gráfico 14, permite identificar diferenças relevantes entre regiões do mundo, refletindo diferentes níveis de especialização agrícola, condições agroclimáticas e dinâmicas de investimento no setor. A Europa é o principal centro de produção mundial de azeite, resultado de uma forte tradição existente nos países mediterrâneos, com destaque particular para a Espanha (38,4%), que tem uma posição dominante no mercado do setor, e ainda a Grécia (7,4%), a Itália (6,7%) e Portugal (5,8%), que em conjunto concentram mais de 58% da produção mundial. O continente africano constitui uma grande região produtora de azeite, com destaque para os países do Norte de África. Tunísia, Marrocos e Argélia assumem particular relevância na produção regional, tendo registado um crescimento significativo nas últimas décadas, associado ao reforço do investimento na olivicultura, à expansão da área e à crescente integração destes países nos mercados internacionais. Na Ásia, a produção de azeite encontra-se concentrada sobretudo em países do Médio Oriente e da bacia oriental do Mediterrâneo, como Turquia, Síria ou Líbano. Gráfico 13 – Evolução da produção mundial de azeite (x1000 toneladas) GRAF 13 PRODUÇÃO 1453 3376 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 1990/91 1993/94 1996/97 1999/00 2002/03 2005/06 2009/10 2012/13 2015/16 2018/19 2021/22 2024/25 Indica C E I P

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