Panorama dos números do olival e azeite 45 de árvores e consequente expansão de sistemas com maior produtividade. Em 2009, predominavam os olivais de baixa e média densidade, associados aos sistemas tradicionais, sobretudo no interior norte, centro e parte do Alentejo. A distribuição espacial mostrava que o setor ainda estava fortemente ligado a um modelo extensivo, com menor mecanização e de produtividade moderada. Em 2019, observa-se uma transformação significativa. Verifica-se um aumento expressivo das áreas com densidades superiores a 300 árvores/ha, o que significa uma expansão de sistemas de alta e muito alta produtividade, e a concentração destas áreas em zonas muito específicas, sobretudo no Alentejo. Esta evolução reflete uma mudança no paradigma produtivo, com maior orientação para a eficiência, mecanização e competitividade internacional. As alterações mencionadas entre os dois momentos censitários podem ser explicadas por um conjunto de fatores estruturais e conjunturais, nomeadamente: a expansão do regadio, com o desenvolvimento de infraestruturas de rega, particularmente o empreendimento de Alqueva, que permitiram a instalação de olivais de elevada produtividade, fortemente dependentes de disponibilidade de água, em larga escala no Alentejo; a modernização tecnológica, com a introdução de variedades mais adaptadas às condições edafoclimáticas, sistemas em sebe, colheita mecanizada e tecnologias de monitorização, que contribuíram para aumentar a produtividade e reduzir custos; a valorização do azeite nos mercados internacionais, que levou ao crescimento da procura externa, incentivando o investimento empresarial no setor; e a renovação e conversão de olivais tradicionais para novas plantações mais produtivas. Tendo em conta as 6 classes de densidade de árvores por hectare definidas no inquérito do recenseamento agrícola, classificou-se até à classe “101 a 300 árvores/ha” como sendo olival tradicional, de 301 a 1500 árvores/ha como olival em vaso e acima desta como olival em sebe. Deste modo, verifica-se que cerca de 76% da superfície de olival apresentada no RA2019 se enquadra no olival tradicional (284,8 mil hectares) e 14% no olival em sebe (51,3 mil hectares). A classe mais representativa é a de “101 a 300 árvores/ha”, com 147 mil hectares (39% do total), e que também se pode considerar uma classe intermédia na transição de olival tradicional para em vaso. No entanto, merece destaque o aumento significativo de 359%, face a 2009, da superfície da classe “>1500 árvores/ha”, que caracteriza o olival em sebe (Mapa 23). O Quadro 6 mostra que o Alentejo detém 54,3% da superfície de olival e tem um papel central na modernização do setor e na expansão do olival em vaso (74% desta área) e em sebe (96% desta área), totalizando 76,4 mil hectares no conjunto das três classes (87%), que representam 39% da sua superfície de olival. As regiões de Trás-os-Montes (22% do olival) e Beira Interior (13%) apresentam maior presença de olival tradicional, com 96% e 90%, respetivamente, da sua área de olival nesta categoria. Nestes territórios, predominam explorações familiares com sistemas mais extensivos e uma forte ligação à produção de azeite de qualidade, mantendo uma lógica produtiva distinta da do Alentejo, mais orientada para a valorização territorial do que para a industrial. As restantes regiões agrárias têm uma expressão mais residual, com predomínio do olival tradicional, destacando- -se, no entanto, o Ribatejo e Oeste (6% do olival), com 1,3 mil hectares de olival em sebe, a segunda região com mais superfície nesta categoria. As duas imagens apresentadas no Mapa 23e o Quadro 7 demonstram uma reconfiguração estrutural do olival português, que se traduziu no aumento da densidade média das plantações, no crescimento dos sistemas mais produtivos, na concentração da modernização no Alentejo e na manutenção de sistemas tradicionais em determinadas regiões pela qualidade da sua produção. Este processo reforçou a competitividade internacional do setor e trouxe novos desafios, sobretudo relacionados com a sustentabilidade hídrica, o equilíbrio territorial e a preservação da diversidade paisagística. Portugal pas-
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