Cultivar_35_Separata

64 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 35 MAIO 2026 modo geral, as importações portuguesas têm como origem países do Mediterrâneo, tanto em valor como em volume (98,6%). O valor médio das importações em 2024 foi de 6,8 €/kg. Na relação comercial com Espanha, o maior fornecedor de Portugal, como vimos, o valor médio situou-se abaixo desta referência, com 6,7 €/kg. No entanto, para importar de Itália (8,8 €/kg), Marrocos (8,3 €/kg) ou Tunísia (8,4 €/kg), foi necessário um investimento superior ao valor médio. As importações com origem na França foram as menos dispendiosas para Portugal, registando um valor médio de 4,9 €/kg, embora tenham fraca representatividade nas importações nacionais (0,2% em valor e 0,3% em volume). Exportações de azeite A evolução de Portugal no setor do azeite entre 2000 e 2024 é descrita como uma transformação radical, passando de um produtor tradicional focado no mercado interno para um dos maiores exportadores mundiais de azeite de alta qualidade. No ano 2000, Portugal tinha esse perfil de produtor de pequena dimensão, centrado no mercado doméstico e com exportações limitadas. Não figurava nos principais lugares do ranking mundial e a sua posição baseava-se sobretudo no olival tradicional, caracterizando-se como importador e com um grau de autoaprovisionamento baixo, ligeiramente acima de 50% na primeira década dos anos 2000. Foram fatores como a modernização do setor, a conversão dos sistemas de cultivo, o aumento da qualidade do produto (em que atualmente cerca de 98% do azeite é classificado como virgem ou extra virgem) e a internacionalização que fizeram com que Portugal passasse de um papel de segunda linha para o de um líder global. Em 2024, Portugal foi um dos principais exportadores mundiais de azeite, atingindo o valor histórico de 1,6 mil milhões de euros em exportação de azeite (superando o recorde do ano anterior de 1,1 mil milhões de euros), correspondentes a 229 milhões de quilogramas, tendo-se verificado uma variação de 2 503% em valor e 142% em volume nas exportações de azeite, face ao ano 2000. No ano 2000, cerca de 80% dos 60,4 milhões de euros eram relativos a azeite não virgem, registando-se uma mudança radical em 2024, com 79% a ser relativo a azeite virgem extra, correspondente a 1248 milhões de euros, o que reflete a qualidade e a valorização da maior parte da exportação. Em termos de volume, foram exportados no ano 2000 cerca de 20 milhões de quilogramas de azeite, dos quais Mapa 27 – Importações de azeite em volume (kg), em 2024 Fonte: GPP, a partir de INE, Estatísticas do Comércio Internacional Mapa 26 – Importações de azeite em valor (€), em 2024

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