23/07/2026
A edição de 2026 do relatório «O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo» (SOFI) conclui que os níveis globais de fome diminuem pelo terceiro ano consecutivo, embora as disparidades persistam. Analisa também o custo de uma alimentação saudável.
De acordo com o relatório SOFI, estima-se que 645 milhões de pessoas (7,8% da população mundial) tenham enfrentado a fome em 2025, representando quase 14 milhões de pessoas a menos do que em 2024 e 43 milhões a menos do que no pico de 2022.
A insegurança alimentar também melhorou substancialmente. Em 2025, aproximadamente 2,1 mil milhões de pessoas sofreram de insegurança alimentar moderada ou grave, quase 86 milhões de pessoas a menos do que no ano anterior. Os maiores avanços foram registados na América do Sul e na Ásia, particularmente no sul da Ásia.
O relatório anual apresenta também projeções atualizadas para os próximos 5 anos, relativas à fome no contexto do conflito no Médio Oriente. Dependendo da duração do impacto da crise na inflação alimentar — impulsionada pelos preços mais elevados da energia e dos fertilizantes —, aproximadamente 510 a 520 milhões de pessoas poderão ainda enfrentar a fome em 2030.
Os coautores do relatório — a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) – alertam que o conflito no Médio Oriente de 2026, a par dos fenómenos meteorológicos extremos e das reduções na ajuda pública ao desenvolvimento e no financiamento humanitário, ameaçam comprometer os progressos alcançados no combate à fome mundial.
É destacado também que o progresso lento em matéria de nutrição materno-infantil também continua a ser insuficiente para cumprir os compromissos internacionais, incluindo as metas de nutrição para 2030.
O relatório SOFI deste ano analisa mais detalhadamente o custo de uma alimentação saudável — a despesa mínima média necessária para adquirir alimentos disponíveis localmente que satisfaçam as necessidades energéticas e a maioria das necessidades nutricionais. Destaca que os custos de uma alimentação saudável variam amplamente entre as regiões devido a diferenças estruturais nos sistemas agroalimentares. A redução do custo de uma alimentação saudável requer respostas políticas específicas que possibilitem aumentar a oferta de alimentos nutritivos, reduzindo simultaneamente os custos estruturais ao longo das cadeias de valor agroalimentares, integrando nomeadamente investimentos em infraestruturas, investigação e desenvolvimento, irrigação e cadeias de frio, a par de reformas nos subsídios, na facilitação do comércio e nos quadros regulamentares.
Salienta que as intervenções específicas que aumentem a produtividade, reduzam as perdas e promovam práticas sustentáveis podem, simultaneamente, melhorar os resultados em matéria de nutrição, reforçar a resiliência e apoiar os objetivos climáticos.
The State of Food Security and Nutrition in the World 2026 - Understanding and addressing the high cost of a healthy diet | FAO, IFAD, UNICEF, WFP, WHO, 2026.


