Cultivar_35_Olival_Azeite

Olival em Alqueva: sustentabilidade, investimento e desenvolvimento regional 87 Um dos exemplos mais evidentes dessa mudança é a transição das plantações de olival em copa para o modelo de olival em sebe. A grande maioria das empresas agrícolas tem optado por reconverter os seus olivais para o sistema em sebe, com cerca de 2 000 árvores por hectare. Neste modelo, as oliveiras são plantadas com compassos mais apertados e conduzidas de forma a formar uma parede vegetal contínua, semelhante a uma sebe. A principal vantagem deste sistema reside precisamente na sua elevada mecanização. Grande parte das operações agrícolas – desde a poda à colheita –pode ser realizada com recurso a maquinaria especializada, reduzindo drasticamente a necessidade de mão de obra. Num contexto em que a disponibilidade de trabalhadores agrícolas é cada vez menor, esta característica torna o olival em sebe particularmente atrativo para muitos agricultores. Além disso, o sistema em sebe permite uma entrada em produção mais rápida e uma maior produtividade por hectare, contribuindo para uma maior rentabilidade da exploração. A gestão do olival torna-se também mais previsível e uniforme, facilitando o planeamento das operações culturais e a otimização dos recursos. O impacto económico deste desenvolvimento é visível em vários níveis. Para além da produção agrícola propriamente dita, a fileira do azeite contribuiu para a instalação de modernas unidades industriais de extração e transformação, reforçando a capacidade tecnológica da região e criando novas cadeias de valor. A existência de grandes produtores integrados, frequentemente com lagar próprio e forte presença nos mercados externos, contribuiu para posicionar o azeite português como um produto competitivo e reconhecido internacionalmente. Paralelamente, a crescente procura internacional por azeite de qualidade tem reforçado a competitividade do setor, estimulando o investimento e consolidando a posição de Portugal como exportador relevante neste mercado. A expansão do olival teve igualmente efeitos significativos na valorização dos terrenos agrícolas. A introdução do regadio e a possibilidade de instalar culturas permanentes de elevado valor acrescentado contribuíram para uma reconfiguração do mercado fundiário regional, aumentando o interesse de investidores nacionais e internacionais e promovendo a reconversão de áreas anteriormente ocupadas por culturas extensivas de sequeiro ou por culturas anuais de menor rentabilidade. No plano social, o desenvolvimento do olival contribuiu para a dinamização económica de um território marcado, durante décadas, por processos de despovoamento e envelhecimento demográfico. Embora a mecanização da cultura reduza a necessidade de mão de obra em comparação com modelos agrícolas tradicionais, o setor gerou emprego direto e indireto em várias áreas, incluindo gestão agrícola, mecanização, rega, serviços técnicos, logística e transformação industrial. A atividade oleícola tem, assim, contribuído para a criação de riqueza regional, para a fixação de população e para o reforço da coesão territorial. A sustentabilidade ambiental constitui igualmente um eixo fundamental da evolução do setor. O olival é uma cultura muito bem adaptada às condições climáticas da região mediterrânica e apresenta, em comparação com outras culturas de regadio, níveis relativamente moderados de consumo de água, sobretudo quando associado a sistemas eficientes de rega localizada. A gestão eficiente da água assume particular importância num contexto de alterações climáticas e de crescente pressão sobre os recursos hídricos, sendo a monitorização técnica e a inovação tecnológica elementos essenciais para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Além disso, enquanto cultura permanente, o olival pode contribuir para a melhoria da estrutura do solo e para o sequestro de carbono, sobretudo quando são adotadas práticas agronómicas adequadas, como o enrelvamento das entrelinhas ou a gestão sustentável da fertilização. A crescente valorização das práticas agrícolas sustentáveis tem também levado o setor a desenvolver iniciativas próprias, como programas de certificação e monitorização

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