Cultivar_35_Olival_Azeite

86 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite aumentou mais de 320%, um crescimento muito superior à média mundial, colocando o país entre os principais produtores globais e aproximando-o do grupo dos três maiores. Paralelamente, a exportação de azeite registou uma expansão notável, multiplicando-se várias vezes em volume e valor e ultrapassando recentemente os mil milhões de euros anuais, evidenciando a crescente competitividade do setor nos mercados internacionais. O Alentejo desempenha um papel central nesta transformação. Atualmente, a região concentra a maior parte da produção nacional de azeitona. Em 2024, Portugal produziu cerca de 1,34 milhões de toneladas de azeitona, das quais mais de 1,1 milhões de toneladas tiveram origem no Alentejo, demonstrando a centralidade desta região na fileira oleícola nacional. Este peso reflete a conjugação de vários fatores: disponibilidade de regadio, dimensão das explorações, adoção de tecnologias modernas e integração crescente entre produção agrícola e indústria de transformação. A evolução do olival em Alqueva está associada a um significativo esforço de investimento privado. Os custos de instalação das plantações modernas variam, em média, entre cerca de 10 000 a 12 000 euros por hectare, aos quais acrescem outros custos indiretos associados à transformação das explorações agrícolas. Considerando a área já instalada, estima-se que o investimento acumulado em novas plantações de olival no território de Alqueva ascenda a mais de 750 milhões de euros, podendo atingir os 850 milhões de euros com maquinaria e investimentos acessórios. Este valor não inclui o preço de aquisição ou arrendamento da terra nem os investimentos realizados na agroindústria associada, nomeadamente lagares modernos e unidades de transformação, cujo valor investido pode situar-se entre os 400-500 milhões de euros. Pode-se assim estimar, com alguma segurança, que na área de influência do Alqueva o valor total acumulado de investimento na fileira do azeite possa já ultrapassar os 1 300 milhões de euros. Para além do investimento agrícola direto, registou- -se também um forte desenvolvimento da agroindústria associada, com a instalação e modernização de lagares de elevada capacidade tecnológica. A região do Alentejo concentra atualmente uma parte muito significativa destas unidades industriais, muitas delas localizadas na área de influência de Alqueva, reforçando a integração da fileira e a capacidade de transformação local da produção. Este processo de modernização agrícola foi também acompanhado por uma significativa atração de capital estrangeiro, sobretudo nas fases iniciais do desenvolvimento do regadio. Investidores espanhóis desempenharam um papel determinante na introdução de modelos intensivos e tecnologicamente avançados de olivicultura, instalando algumas das primeiras grandes explorações modernas na região. Com o tempo, os agricultores portugueses adquiriram conhecimento técnico e experiência na condução destes sistemas produtivos, passando a assumir atualmente a maior parte do investimento na cultura do olival. Esta evolução demonstra a capacidade de transferência de conhecimento e a consolidação de um tecido empresarial agrícola cada vez mais competitivo. 22687 24463 26395 30067 33949 32 876 32 760 29230 26288 23 486 22 485 197 3671 6930 15429 24295 31121 32640 37630 44088 49911 53499 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 Olival Copa Olival Sebe Figura 2 – Evolução da área de olival em copa vs. olival em sebe 2015-2025 (ha)

RkJQdWJsaXNoZXIy MTgxOTE4Nw==