A perspetiva do setor 83 8. Olivoturismo, restauração e novos consumidores O olivoturismo é uma ferramenta estratégica de valorização do território, particularmente relevante para o olival tradicional. Tal como o enoturismo contribuiu para valorizar castas, regiões e marcas, o olivoturismo pode valorizar variedades nacionais, lagares, paisagens, património, gastronomia e cultura mediterrânica. A restauração é um canal privilegiado de literacia: cartas de azeite, provas comentadas, harmonizações, formação de chefs e serviço diferenciado podem aproximar o consumidor da origem e da qualidade do azeite português. Nos mercados internacionais, o azeite deve ser promovido como alimento saudável, sustentável e culturalmente diferenciador. O crescimento de novos consumidores, nomeadamente nos Estados Unidos, Brasil, Japão, Canadá, Arábia Saudita e Austrália, demonstra que há espaço para aumentar a procura fora dos mercados tradicionais (Casa do Azeite, n.d.). A abertura de novos mercados, a diplomacia económica e os programas europeus de promoção devem ser mobilizados para consolidar mercados onde Portugal já é reconhecido e conquistar consumidores em geografias de elevado potencial. 9. Fraude, autenticidade e reputação A fraude no azeite é uma ameaça direta à reputação do setor e à confiança do consumidor. Num produto de elevado valor e forte pressão comercial, a adulteração, a rotulagem indevida e a utilização abusiva de menções de origem distorcem a concorrência e penalizam produtores que investem em qualidade. A resposta exige rastreabilidade, fiscalização, análise laboratorial, controlo documental e cooperação entre autoridades, operadores e organizações setoriais. Autenticidade e transparência devem ser tratadas como ativos económicos. A valorização do azeite português depende da confiança: confiança na origem, na categoria, no modo de produção, na sustentabilidade e na correspondência entre o que é declarado e o que é entregue ao consumidor. 10. Uma agenda coletiva: estratégia nacional e interprofissional O setor precisa de uma visão agregadora. É desejável criar um Documento Estratégico para a Sustentabilidade do Olival e do Azeite, com metas quantificáveis, indicadores de acompanhamento e linhas de ação para produção, transformação, água, solo, carbono, biodiversidade, subprodutos, certificação, promoção, investigação, inovação, olivoturismo e mercados externos. Neste contexto, uma AIFO − Associação Interprofissional do Azeite pode desempenhar um papel central na promoção, comunicação, abertura de mercados, defesa da qualidade e coordenação setorial, para aproveitar os instrumentos europeus de promoção: Quadro 2 − Linhas técnicas de valorização dos subprodutos do olival e do lagar Fluxo / subproduto Potenciais utilizações Valor estratégico Caroço de azeitona Valorização energética; biomassa; combustível renovável de base agrícola Redução de custos energéticos e substituição de combustíveis fósseis Bagaço de azeitona Compostagem; fertilização orgânica; biogás; extração de compostos de valor Circularidade, carbono no solo e redução de pressão sobre destino final Águas ruças / efluentes Tratamento, fertirrega controlada quando aplicável, digestão anaeróbia, recuperação de compostos Mitigação de impactos ambientais e recuperação de nutrientes Folhas e podas Compostagem; biomassa; cobertura de solo; incorporação orgânica Matéria orgânica, conservação do solo e potencial energético Azeitona e azeite não conforme Circuitos industriais autorizados; valorização energética ou técnica Redução de desperdício e proteção da autenticidade alimentar Nota: A aplicação concreta depende de enquadramento legal, análise técnica, segurança alimentar e viabilidade económica.
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