Cultivar_35_Olival_Azeite

82 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite variedades estrangeiras produzidas em Portugal e na diversidade sensorial do território. A certificação deve ser entendida como ferramenta de diferenciação e confiança. O Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), desenvolvido pela Olivum com suporte técnico-científico da Universidade de Évora, integra 98 critérios organizados em 26 capítulos e permite avaliar dimensões ambientais, sociais, económicas e culturais da produção e transformação, com o objetivo de promover a sustentabilidade do setor, assim como a diferenciação e a valorização do azeite e do sector olivícola nacional. Este tipo de referencial é particularmente relevante para mercados que valorizam alimentos sustentáveis, saudáveis, rastreáveis e produzidos com responsabilidade. 5. Sustentabilidade de todos os formatos de olival A competitividade do setor depende da coexistência equilibrada entre diferentes modelos de olival. O olival moderno, em vaso e em sebe, trouxe produtividade, mecanização, eficiência, escala exportadora e capacidade tecnológica. O olival tradicional, por sua vez, conserva património genético, paisagístico, cultural e ambiental, assegurando serviços de conservação do solo, biodiversidade, sequestro de carbono, coesão territorial e identidade mediterrânica. O olival tradicional enfrenta custos de colheita elevados, baixa produtividade relativa, falta de mão de obra, envelhecimento dos produtores, abandono e pressão para reconversão. É por isso fundamental desenvolver um Documento Estratégico para a Sustentabilidade do Olival, com metas, indicadores, medidas de apoio e políticas específicas para cada realidade produtiva, incluindo mecanização adaptada, valorização das variedades tradicionais, pagamento por serviços de ecossistema, DOP, olivoturismo e promoção territorial. 6. Mão de obra, mecanização, inteligência artificial e eficiência A escassez de mão de obra é uma limitação transversal, com especial impacto na colheita e no olival tradicional. A resposta passa por qualificação, atração de jovens, segurança laboral, profissionalização das operações e aumento da mecanização. No olival moderno, a mecanização é já um elemento estrutural de competitividade; no olival tradicional, importa desenvolver soluções tecnicamente adequadas, economicamente viáveis e compatíveis com a preservação das árvores e da paisagem. A próxima fronteira será a integração sistemática de tecnologias digitais. Sensores, teledeteção, modelos preditivos, agricultura de precisão, robótica, automação e inteligência artificial permitirão melhorar a previsão de produção, otimizar rega e fertilização, antecipar riscos fitossanitários, reduzir custos e documentar práticas sustentáveis. Esta orientação está alinhada com os objetivos da PAC 2023-2027, que incluem competitividade, inovação, digitalização, ação climática, gestão sustentável dos recursos naturais e reforço da posição dos agricultores na cadeia de valor (Comissão Europeia, n.d.). 7. Economia circular: subprodutos como ativos estratégicos A valorização dos subprodutos do olival e do lagar é uma das grandes oportunidades de sustentabilidade e eficiência económica. Caroço de azeitona, bagaço, águas ruças, folhas, podas e biomassa podem ser encaminhados para compostagem, fertilização orgânica, produção de biogás, valorização energética, alimentação animal, extração de compostos bioativos ou desenvolvimento de biomateriais. O setor deve evoluir de uma lógica de gestão de resíduos para uma lógica de valorização de recursos. A reclassificação do caroço de azeitona como subproduto valorizável energeticamente foi um avanço relevante, mas subsistem barreiras administrativas, nomeadamente na incorporação do bagaço de azeitona na compostagem. A Olivum tem defendido que, tratando-se de um processo de extração exclusivamente mecânico, a valorização agronómica e industrial destes fluxos deve ser promovida, criando soluções de baixo carbono, reduzindo custos e reforçando a circularidade do setor.

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