A perspetiva do setor 79 a afirmar‑se como produtor de azeites de elevada qualidade, com reconhecimento internacional crescente. Têm sido introduzidas e melhoradas as boas práticas agrícolas, com eficiência de recursos, nomeadamente no uso eficiente da água e da energia, reforçando a reputação do azeite português, evidenciada também na moderna olivicultura em regiões como o Alentejo. Vejo também um enorme potencial na inovação, quer ao nível da agricultura de precisão, da digitalização, quer na valorização de subprodutos e na adoção de modelos de economia circular. Estes fatores permitem simultaneamente reduzir custos, mitigar impactos ambientais e aumentar a resiliência do setor face às incertezas climáticas e de mercado. A meu ver, o futuro da Fileira do azeite passa por uma estratégia integrada e de longo prazo, assente em vários eixos complementares. Em primeiro lugar, é essencial investir seriamente na adaptação às alterações climáticas, incentivando sistemas produtivos mais resilientes, eficientes no uso dos recursos, e assim promovendo a sustentabilidade ambiental. Em segundo lugar, é fundamental apostar na valorização do produto. Isso implica a promoção e valorização da marca “Azeite de Portugal”, bem como reforçar a diferenciação pela qualidade, pela origem, pela inovação e pela credibilidade das práticas sustentáveis, contornando abordagens meramente baseadas no volume ou no preço. Outro foco passa pelo reforço da organização da Fileira. A cooperação entre produtores, a consolidação de estruturas interprofissionais e uma maior articulação entre produção, transformação e comercialização são decisivas para melhorar a competitividade e assegurar uma distribuição mais equilibrada do valor. Por fim, considero essencial uma promoção e internacionalização quer orientada para mercados que reconheçam o azeite apenas como uma commodity, quer para outros em que o diferenciem como um 4 https://www.olivum.pt/ produto cultural, gastronómico e saudável. Se conseguir alinhar sustentabilidade, território, inovação e estratégia de mercado, a Fileira do azeite terá condições para se afirmar de forma sólida e duradoura no contexto global. Em suma, será necessário um grande investimento, quer público, quer privado na AIFO – Associação Interprofissional da Fileira Olivícola, de forma a comunicar, promover e internacionalizar este grande produto que é o azeite e onde sobressai o azeite português com identidade e qualidade sobejamente validada e reconhecida. Gonçalo Moreira Olivum: Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal4 Gonçalo Moreira é engenheiro agrónomo, mestre em nutrição, empresário agrícola e gestor da Olivum, uma associação que representa mais de 56 mil hectares de olival e 21 lagares, correspondendo a cerca de 70% da produção nacional de azeite. Trabalhou também em nutrição e saúde e foi professor. Na Olivum, é responsável, entre outros projetos, pelo Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), um projeto pioneiro lançado em 2022, desenvolvido em parceria com a Universidade de Évora. Trata-se de um referencial para a promoção de práticas de produção agrícola sustentáveis e a valorização do setor olivícola nacional, pretendendo-se que funcione como uma espécie de selo para certificar a sustentabilidade e a rastreabilidade de um azeite. Olival e azeite em Portugal: competitividade, sustentabilidade e valorização estratégica da fileira Resumo. O setor olivícola e oleícola português vive uma fase de afirmação internacional, suportada por ganhos de produtividade, modernização dos lagares, expansão do regadio e melhoria consistente da qualidade. O desafio da próxima década será trans-
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