78 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite Cobrançosa ou Cordovil, constituem ativos diferenciadores, mas necessitam de investigação e valorização para garantir a sua viabilidade económica. A sustentabilidade deve assumir-se como eixo estruturante, com foco na eficiência hídrica e na adoção de tecnologias e boas práticas agrícolas. Paralelamente, é fundamental reforçar a organização da fileira, promovendo uma maior articulação entre produção, transformação e comercialização. A educação do consumidor é igualmente determinante. Aumentar a literacia sobre o azeite contribui para a sua valorização e para o crescimento do consumo. Por fim, Portugal deve afirmar-se claramente como origem de azeite de qualidade, investindo numa estratégia consistente de “marca país”, com comunicação coordenada e presença nos mercados internacionais. Em síntese, o setor do azeite em Portugal deve perseguir um modelo de desenvolvimento que equilibre tradição e inovação, preserve os seus ativos únicos, continue a modernizar-se de forma sustentável, ao mesmo tempo que reforça a sua capacidade de organização e comunicação para competir num mercado global cada vez mais exigente. Fernando Rosário AIFO: Associação Interprofissional da Fileira Olivícola Fernando Rosário é engenheiro zootécnico, olivicultor e um profundo conhecedor do setor olivícola. É presidente da Direção da AIFO e presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches. Foi também presidente do Grupo de Trabalho “Azeitonas e Azeite” do COPA-COGECA (Comité das Organizações Profissionais Agrícolas-Comité Geral da Cooperação Agrícola), a organização que representa os produtores agrícolas e as suas cooperativas na União Europeia, sendo atualmente membro deste grupo. Participa igualmente no Conselho Oleícola Internacional (COI). A Fileira do azeite enfrenta atualmente um conjunto de desafios estruturais muito exigentes, tanto a nível nacional como internacional, sendo o mais crítico, sem dúvida, o impacto das alterações climáticas. A irregularidade da precipitação, as secas prolongadas e as ondas de calor cada vez mais frequentes estão a provocar uma forte instabilidade produtiva, com grande oscilação na quantidade produzida e, por vezes, igualmente influindo na qualidade do azeite. Esta volatilidade aumenta o risco económico e coloca pressão adicional sobre os recursos naturais, em particular a água. Quando nos referimos a olival, tanto nos referimos a olivais conduzidos em sistemas modernos, irrigados, tecnologicamente avançados e orientados para a produção, quer a sistemas tradicionais com menor escala e com menor rentabilidade por unidade de superfície. É bom ter presente esta assimetria para não fragilizar a coesão territorial e social da fileira, sobretudo em regiões rurais mais vulneráveis. Acresce ainda a questão da organização da cadeia de valor. Apesar do crescimento da produção e das exportações, continua a ser um desafio captar mais valor ao longo da Fileira. Urge promover a marca “Azeite de Portugal”, papel que a AIFO irá assumir a curto prazo, bem como afirmar marcas fortes e comunicar eficazmente a origem, a qualidade e a sustentabilidade do azeite, num mercado internacional muito competitivo e ainda bastante orientado pelo preço. Apesar destes desafios, considero que a Fileira do azeite dispõe de oportunidades muito significativas. A nível global, existe uma tendência de crescimento da procura, impulsionada pela valorização do azeite enquanto produto saudável, associado à dieta mediterrânica, e pela expansão do consumo em novos mercados e também em mercados menos representativos. Em paralelo, os segmentos premium, biológico e sustentável têm igualmente vindo a ganhar peso, o que abre espaço para estratégias de diferenciação. No caso português, essas oportunidades são particularmente evidentes, pelo que Portugal tem vindo
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