Cultivar_35_Olival_Azeite

A perspetiva do setor 75 lidade excecional, reconhecidos nos mais exigentes concursos internacionais. E importa dizer quem são os verdadeiros pilares desta qualidade: as boas cooperativas e os produtores com lagar próprio que fizeram da excelência uma escolha deliberada. As cooperativas transmontanas têm um papel absolutamente central nesta fileira. São elas que agregam milhares de pequenos olivicultores, que garantem o escoamento da produção, que investem em equipamento e em processos de qualidade, e que mantêm vivas comunidades que de outra forma estariam ameaçadas pelo despovoamento. Sem as cooperativas, a olivicultura transmontana tradicional seria demograficamente insustentável. Ao lado das cooperativas, existe um conjunto crescente de produtores com lagar próprio que aposta conscientemente na qualidade em detrimento da quantidade. São unidades que trabalham a temperatura controlada, que praticam extração a frio para preservar os polifenóis, os aromas e as propriedades nutricionais do azeite virgem extra. Que controlam o ponto de maturação da azeitona, que minimizam o tempo entre colheita e moagem, que investem em análise sensorial e em certificação rigorosa. A Acushla foi, nesse sentido, pioneira: o nosso lagar foi o primeiro em Trás-os-Montes com certificação FSSC 22000 em segurança alimentar, a norma internacional mais exigente do setor. O resultado é um produto com características organoléticas superiores, acidez baixíssima e um perfil sensorial que representa o melhor que esta região pode oferecer ao mundo. Os desafios que não podemos contornar As alterações climáticas afetam já de forma visível o olival transmontano. A irregularidade das chuvas, a intensificação dos verões e a pressão crescente de pragas exigem uma adaptação contínua com custos reais. A instabilidade comercial internacional com as pressões tarifárias norte-americanas e a crescente competitividade espanhola em mercados como o Brasil, onde Portugal detinha uma posição historicamente dominante, criam uma pressão acrescida sobre produtores que já trabalham com margens estreitas. E depois há o desafio coletivo que mais me preocupa: a ausência de uma voz comum forte e organizada. Portugal ainda não tem uma estrutura interprofissional do azeite com o investimento e a projeção da congénere espanhola, que destina anualmente cerca de 8 milhões de euros à promoção coordenada do seu azeite. Enquanto isso não acontecer, os produtores portugueses, e transmontanos em particular, continuarão a competir de forma fragmentada num mercado global que valoriza a escala e a consistência da comunicação. Precisamos de uma marca-chapéu nacional que valorize o que de melhor fazemos, sem diluir as identidades regionais que são a nossa maior riqueza diferenciadora. O rumo que considero necessário e urgente A sustentabilidade desta fileira a médio-longo prazo exige clareza sobre o que somos e o que queremos ser. Para Trás-os-Montes, o caminho passa pela diferenciação consistente: qualidade certificada, DOP – Denominação de Origem Protegida, variedades autóctones, extração a frio, produção biológica ou integrada, rastreabilidade total e narrativa de origem genuína. É esse posicionamento que justifica o preço, que fideliza o consumidor exigente e que torna este território resiliente face à concorrência global. Isso implica que o mercado aprenda a reconhecer e a pagar o preço justo pela diferença. Implica comunicação clara ao consumidor nacional e internacional sobre o que distingue um azeite transmontano de DOP, produzido em olival tradicional e extraído a frio, de um azeite de produção corrente. Implica que a distribuição, a restauração de referência e o retalho especializado façam o seu papel na valorização da origem. Implica ainda políticas públicas que reconheçam o valor territorial e ambiental do olival tradicional transmontano não apenas como produtor de azeite, mas como guardião de biodiversidade, de paisagem, de cultura e de população em territórios que precisam de razões concretas para se manterem habitados e ativos. A Acushla é, para mim, a prova de que este caminho é possível e viável. Mas o que desejo, genuinamente,

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