Portugal olivícola e oleícola 65 do século XIX, chegou-se a 570 000 ha de plantação de olival estreme. Com o surto da revolução industrial, entrou-se numa fase muito negativa da olivicultura portuguesa devido à falta de mão de obra nos campos. Os custos de produção aumentaram e também a falta de qualidade do azeite e a concorrência feroz dos óleos de sementes, muito mais baratos, fizeram com que o consumo, per capita, que em Portugal, nos anos de 1960 era da ordem de 10,5 kg, decrescesse até cerca de 3,6 kg per capita, em 1980. Hoje em dia, o consumo, em Portugal, rondará os 8 kg por pessoa/ano. A produção de azeite, em Portugal, chegou a ultrapassar, na década de 50 do século passado, as 120 000 toneladas e, depois, chegou-se ao início do século XXI com produções inferiores a 30 000 toneladas. Contudo, e para nosso bem, as coisas, nos últimos anos, mudaram para melhor e, hoje em dia, Portugal é olhado como um investidor sem igual na Velha Europa, nesta área. O azeite em Portugal passou, em poucos anos, de uma participação de 1,5 % na produção de azeite da União Europeia, para 5,0 % do total. A isto não é alheio o investimento feito na barragem de Alqueva. A água da barragem chega a 140 000 ha, em terras férteis e de declives suaves. Em 2008, Portugal apenas tinha cerca de 4 000 a 6 000 ha de olival regado. Alqueva está a colocar Portugal no rol dos países maiores produtores a nível mundial. Uma verdadeira potência oleícola. A produção de azeitona, em Portugal, quadruplicou, em apenas 10 anos. Neste momento, Portugal é já o 4º ou 5º maior país exportador, a nível mundial, exportando cerca de 500 milhões de euros de azeite, infelizmente a maior parte a granel. Repito, infelizmente, a maior parte a granel. Mesmo assim, a balança comercial do azeite passou de um saldo negativo de 55 milhões de euros, em 2008, para os dias atuais com um saldo positivo de cerca de 250 milhões de euros. Porquê consumir azeite? Porque é uma gordura que faz bem à saúde e porque é um ingrediente inigualável na contribuição que dá às iguarias culinárias! O azeite era também o único meio que os antigos tinham para se alumiar e, com ele, os gregos ungiam o corpo depois do banho e mantinham os músculos flexíveis, no ginásio. Era o combustível principal com que se queimavam os corpos nas piras funerárias e se derramava depois sobre as cinzas, para as perfumar. Os cremes de beleza eram fabricados a partir de pó de argila ou outros ingredientes, amassados com azeite. As massagens regulares do couro cabeludo com uma mistura de azeite, gema de ovo, cerveja e sumo de limão mantinham fortes as cabeleiras. A azeitona e o azeite eram utilizados para cozinhar, mas também para fazer perfume e óleo de banho. Não é, portanto, estranho que o azeite escasseasse na Grécia para a alimentação. Mas não era só o azeite que escasseava pois, por volta do ano 600 a.C., não restava terra fértil para cultivar o cereal ou para a criação de gado. Os egípcios, no século IX a.C., e depois os gregos, no século VII a.C., e os cartagineses, no século III a.C., viram-se assim na obrigação de migrar por mar. Estes povos chegaram até à Península Ibérica onde trocavam produtos de luxo, azeite e vinho, pelos alimentos de que necessitavam. Os gregos trouxeram o cultivo da oliveira e da vinha até o Ocidente: Sicília, Itália, Norte de África e Península Ibérica. Foi assim que chegou até nós o azeite e a oliveira que, com a invasão romana, no ano 218 a.C., se desenvolveu e se expandiu. … a balança comercial do azeite passou de um saldo negativo de 55 milhões de euros, em 2008, para os dias atuais com um saldo positivo de cerca de 250 milhões de euros.
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