64 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite Foi assim que chegou a Portugal a oliveira domesticada que os gregos, sabiamente, cultivavam e que tiveram nos romanos seguidores argutos e inteligentes, igualmente defensores da oliveira e do azeite. No século I a. C., já a capital da Bética, hoje Andaluzia, estava rodeada de olivais, mas foram os romanos que puseram esses olivais a produzir, copiando dos gregos os sistemas de cultivo. Enxertavam os zambujeiros, tornando-os produtivos, e desenvolveram os transplantes, o que é testemunhado por Virgílio, autor das Geórgicas, quando diz “as oliveiras exigem grandes esforços e canseiras. Todas são transplantadas, colocadas em linha e a sua manutenção acarreta grandes despesas”. O século XVI foi uma época de desenvolvimento da olivicultura, devido à maior procura de uma população crescente e, também, pelas necessidades advindas da descoberta e colonização do Novo Mundo. A oliveira e o azeite chegaram ao Brasil, à Argentina, ao Chile e mesmo à América. Mais recentemente, a crescente procura de azeite, consequência dos efeitos benéficos que traz para a saúde e das excecionais qualidades gastronómicas, dinamizou a produção internacional que tem, assim, vindo a aumentar as plantações de olival, não só nos países tradicionalmente produtores, mas também em países onde as oliveiras não constavam das listas das respetivas culturas. São exemplo disso a Austrália, a África do Sul, alguns países orientais como a China e outros da América Latina como a Argentina, o Perú e o Chile e, mais recentemente ainda, o Egipto, a Arábia Saudita e o Paquistão. Olival e azeite Desde sempre, a oliveira tem estado associada a práticas religiosas, a mitos e tradições, a manifestações artístico-culturais, a usos medicinais e gastronómicos. Na Antiga Grécia, as mulheres, quando aspiravam à maternidade, passavam longos períodos à sombra das oliveiras e dormiam debaixo das suas folhas. Da sua madeira, faziam-se os cetros reais e com o azeite, ungiam-se monarcas, sacerdotes e atletas. Com as folhas, faziam-se grinaldas e coroas para os vencedores. Os egípcios, há seis mil anos, atribuíam a Ísis, mulher de Osíris, deus supremo da sua mitologia, o mérito de ensinar a cultivar a oliveira. Palas Atenea, deusa da paz e da sabedoria, filha de Zeus, era para os gregos a mãe da árvore sob a qual teriam nascido Remo e Rómulo, descendentes dos deuses e fundadores de Roma. Atribui-se ao mitológico Aristeu, filho de Apolo e da ninfa Cirene, a criação das artes de explorar as abelhas e de extrair o azeite. Por esta via, ou por outra mais prosaica, o Homem cedo aprendeu a tirar partido das excelentes qualidades energéticas, biológicas, nutricionais e organoléticas deste óleo natural. Os romanos já tinham vasto conhecimento das técnicas de moenda da azeitona e da armazenagem e conservação do azeite. Os gregos e os árabes empenharam-se na extensão do cultivo da oliveira e no aperfeiçoamento dos processos de extração do azeite, termo oriundo do árabe “az-zait” que quer dizer sumo de azeitona. Para mim, é esta a melhor definição de azeite: “SUMO DE AZEITONA”. Em Portugal e no Alentejo Em Portugal, onde os vestígios da presença da oliveira datam da Idade do Bronze, o olival e o azeite conheceram, ao longo dos tempos, períodos de abastança e outros de carestia. Por exemplo, no final Em Portugal os vestígios da presença da oliveira datam da Idade do Bronze…
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