Cultivar_35_Olival_Azeite

63 Portugal olivícola e oleícola JOSÉ GOUVEIA Elaiólogo Origem e disseminação da oliveira Alguns estudos referem ser a oliveira originária da Ásia Menor. Outros consideram que o seu cultivo se estendeu da Síria à Grécia, através da Anatólia. Também se admite ser originária do Baixo Egipto, da Etiópia, das montanhas do Atlas, de algumas regiões da Europa, ou do sul do Cáucaso, prolongando-se do Irão até às costas mediterrâneas da Síria e da Palestina. A oliveira silvestre ou selvagem (Oleae europaea, var. sylvestris), o zambujeiro, ter-se-á disseminado naturalmente, talvez levado pelas aves migratórias, tordos e outras, até onde encontrou condições climatéricas propícias para o seu desenvolvimento. “Onde a oliveira não chega, o Mediterrâneo morre.” Ao longo dos séculos, a oliveira foi símbolo da vitória e da paz, do progresso, da abastança, da sabedoria, da justiça e da fertilidade. Com os ramos de oliveira, coroavam-se os campeões e com o óleo dos seus frutos, espantavam-se as trevas dos lares, condimentavam-se as iguarias, medicamentavam-se as mazelas e besuntavam-se os atletas. Era a Árvore Sagrada! A domesticação da oliveira começa nas épocas paleolítica e neolítica, quer dizer, entre 10 000 e 3 000 anos a. C., possivelmente na Mesopotâmia, de onde passou para o Egipto (2 000 anos a. C.) e depois às ilhas da Ásia Menor e à Grécia Continental (1 800 anos a.C.). Na primeira metade do primeiro milénio a.C., a oliveira espalhou-se pela Assíria. A partir do século VI a.C., propagou-se pela bacia do Mediterrâneo, chegando à Líbia, à Tunísia, e à ilha da Sicília, de onde foi levada, pelos gregos, para o sul de Itália e se estendeu por todo o país. Os fenícios e os egípcios no século IX a.C., os gregos no século VII a.C., e, depois, os cartagineses no século III a.C. chegaram, via marítima, ao Norte de África. A proximidade entre a Tingitânia (atual Marrocos) e o sul da Península Ibérica, e a similitude geográfica e climática destas duas regiões, significa que compartilhavam muitos aspectos da olivicultura. À data, aqueles povos trocavam produtos de luxo, azeite e vinho, pelos alimentos de que necessitavam. “Onde a oliveira não chega, o Mediterrâneo morre.” Era a Árvore Sagrada!

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