62 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite des identificadas, incluindo cerca de 17 associadas a DOP. Estas variedades tradicionais estão profundamente adaptadas às condições edafoclimáticas locais e constituem um valioso reservatório genético, com características como resistência à seca, tolerância ao frio e rusticidade, fundamentais para desenvolver variedades mais adaptadas aos cenários climáticos futuros. Contudo, muitas destas variedades não se adequam aos sistemas intensivos em sebe nem atingem elevados níveis de produtividade. Por isso, a modernização do olival português tem-se baseado na introdução de variedades estrangeiras, como a Arbequina e a Arbosana, mais produtivas e adaptadas a estes sistemas. Esta tendência coloca em risco a diversidade varietal nacional, promovendo a homogeneização dos olivais e dos perfis de azeite. A substituição de variedades autóctones por estrangeiras compromete a tipicidade de azeites provenientes de variedades tradicionais como a Galega ou a Cordovil, cujos perfis únicos são essenciais para diferenciar e valorizar o azeite português num mercado global cada vez mais uniformizado. Assim, investir no melhoramento das variedades tradicionais, tornando-as compatíveis com sistemas modernos de produção, é uma estratégia-chave para reforçar a competitividade do setor. Esta abordagem permitirá combinar eficiência produtiva com a produção de azeites diferenciados e de elevada qualidade. 6. Conclusão A olivicultura portuguesa encontra-se numa posição particularmente favorável para continuar a crescer, resultado da modernização dos sistemas produtivos, do aumento da qualidade do azeite e da afirmação de Portugal como produtor e exportador relevante no mercado mundial. No entanto, o sucesso futuro do setor dependerá da sua capacidade para responder a um contexto cada vez mais exigente, marcado pela volatilidade dos mercados, pela concorrência de novas geografias produtoras, pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos hídricos. O futuro do setor passará, assim, por combinar competitividade, sustentabilidade e diferenciação. Será essencial continuar a apostar na eficiência produtiva, no regadio e na inovação, mas também valorizar o olival tradicional, proteger o património genético nacional, reforçar as marcas próprias e diversificar mercados. Só desta forma Portugal poderá consolidar a sua posição internacional, criando mais valor para o azeite português e garantindo a resiliência da olivicultura nacional nas próximas décadas. 7. Bibliografia Francisco Campello (AGROGES). Sustentabilidade dos Olivais em Portugal – Desafios e respostas. Cascais: Princípia Editora / Fundação Amélia de Mello, 2022; Consejo Oleícola Internacional – COI (2026). Unidad de Asuntos Económicos y Promoción. Market Statistics. Estadísticas mundiales sobre aceite de oliva y aceituna de mesa. Disponível em: https://www.internationaloliveoil.org/ que-hacemos/estadisticas/ Parras Rosa, Manuel (Dir.). Informe Anual de Coyuntura del Sector Oleícola 2025. Jaén: Cátedra Caja Rural de Jaén de Economía, Comercialización y Cooperativismo Oleícola, 2025; Comissão Europeia (DG Agriculture and Rural Development). EU Agricultural Outlook 2025-2035. European Union, dezembro de 2025; Kaniewski, David, et al. “Olive production in the 21st century will be threatened by water stress and declining solar activity”. Communications Earth & Environment (Nature Portfolio), 2025. Portugal possui um dos mais ricos patrimónios varietais de oliveira do mundo, com mais de 40 variedades identificadas, incluindo cerca de 17 associadas a DOP. Será essencial continuar a apostar na eficiência produtiva, no regadio e na inovação, mas também valorizar o olival tradicional, proteger o património genético nacional, reforçar as marcas próprias e diversificar mercados.
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