O futuro da olivicultura e do azeite: principais oportunidades e desafios 61 ção do produto através de marcas próprias e azeites de maior qualidade. 5. Condicionantes estratégicas para a olivicultura nacional Apesar do percurso de sucesso da olivicultura portuguesa e das boas perspetivas de mercado, o futuro do setor dependerá igualmente da sua capacidade de responder a um conjunto de desafios estruturais. Entre estes, destacam-se os seguintes: Alterações climáticas As secas prolongadas e as ondas de calor que afetaram a bacia mediterrânica nas campanhas de 2022/23 e 2023/24 — com consequências devastadoras para a produção em Espanha, Itália, Grécia e mais atenuadas em Portugal — constituíram um aviso inequívoco sobre a vulnerabilidade do setor às alterações climáticas. As projeções científicas apontam para um agravamento progressivo destes fenómenos, com a redução da precipitação e invernos mais amenos. Estas alterações irão afetar as fases críticas da oliveira como a floração, a polinização e o enchimento do fruto, reduzindo a produtividade dos olivais, nomeadamente os de sequeiro. O aumento das temperaturas criará condições para uma maior pressão de pragas e doenças, com impactos nos custos de produção e na qualidade dos azeites produzidos. A adaptação a estas novas condições exige uma abordagem integrada que inclui o melhoramento genético e a seleção de variedades mais resistentes ao calor e ao stress hídrico, a implementação de rega de precisão mesmo que deficitária (se possível), o uso de culturas de cobertura do solo e a aplicação de matéria orgânica e biochar para favorecer a retenção de água no solo. Neste contexto, importa realçar a necessidade de Portugal continuar a apostar na expansão do regadio, como uma estratégia de adaptação essencial para a sustentabilidade da agricultura nacional e para o setor da olivicultura, em particular. As alterações climáticas provocarão também uma deslocação geográfica das zonas de cultivo do olival. A médio prazo, prevê-se que as regiões produtoras se desloquem para latitudes mais a norte: em Itália, o número de olivais está a aumentar na região norte enquanto estabiliza ou diminui no sul. Geografias onde hoje as condições são desfavoráveis para a olivicultura podem tornar-se mais propícias para a cultura no futuro. Preservação do olival tradicional O setor olivícola em Portugal enfrenta o desafio estratégico de conciliar dois sistemas produtivos distintos, mas fundamentais para a sustentabilidade e a identidade do país: os olivais modernos de regadio, que impulsionam a produtividade e a competitividade do setor; e os olivais tradicionais de sequeiro, que embora tenham um elevado valor cultural, paisagístico e de biodiversidade, apresentam baixas produtividades, dificuldades de mecanização e custos de produção elevados. A manutenção dos olivais tradicionais, que ainda representam 36% da área nacional de olival, terá de passar por criar condições para assegurar a sua viabilidade económica. A estratégia para garantir esta viabilidade passa pela atribuição de apoios no âmbito da PAC e pela certificação DOP/IGP do azeite produzido. Esta certificação é essencial para valorizar os azeites provenientes destes sistemas, diferenciando-os do azeite proveniente dos sistemas modernos de regadio, destacando as suas características organoléticas próprias, associadas às variedades de azeitona utilizadas e aos respetivos processos de produção. Valorização do património genético Portugal possui um dos mais ricos patrimónios varietais de oliveira do mundo, com mais de 40 variedaO setor olivícola em Portugal enfrenta o desafio estratégico de conciliar dois sistemas produtivos distintos, mas fundamentais para a sustentabilidade e a identidade do país: os olivais modernos de regadio e os olivais tradicionais de sequeiro…
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