60 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite ao ano), tendo ultrapassado a Grécia. Também a Turquia e o Chile registaram aumentos significativos nas suas exportações. No que se refere às importações, Itália mantém-se como o maior importador mundial de azeite, concentrando 24% do volume global, embora seja o único dos principais importadores que tem observado um decréscimo em volume (-0,1%). De referir que este país regista igualmente o maior consumo mundial de azeite. Os EUA são o segundo maior importador de azeite, concentrando mais de 19% do volume importado, com um crescimento médio de 3,9%/ano. Espanha ocupa a terceira posição, com 10% das importações, destacando-se como o país que mais aumentou os volumes importados nos últimos 15 anos (20% ao ano). Portugal surge em sexto lugar, com um crescimento médio de 2,4% ao ano. Os EUA importam azeite de vários países, sendo os seus principais fornecedores Espanha, Itália, Tunísia e Turquia. Já França importa essencialmente de Espanha e Itália. O Brasil, por sua vez, importa azeite maioritariamente de Portugal (60% das importações), do Chile e da Argentina. As importações de Portugal provêm essencialmente de Espanha (90%), recorrendo a outras origens para pequenas quantidades, nomeadamente de países produtores do norte de África, Argentina, Chile ou Itália. As exportações do nosso país têm sido maioritariamente destinadas a Espanha (cerca de 55% do volume), ao Brasil (23%), a Itália (13%), a França (2%) e aos EUA (2%). Embora Portugal tenha feito um esforço notável para valorizar o produto através de marcas próprias e embalamento (com foco em mercados como o Brasil), o granel continua a representar cerca de 70% das exportações, nomeadamente para Espanha e Itália. Sendo transacionado globalmente, o azeite está fortemente exposto às políticas comerciais internacionais. O acordo UE-Mercosul cria uma zona de livre comércio com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, facilitando o acesso a um mercado com mais de 273 milhões de consumidores através da eliminação de tarifas aduaneiras. Para a UE, esta eliminação será gradual ao longo de 15 anos, enquanto para os países do Mercosul será imediata. O acordo poderá beneficiar o setor do azeite ao facilitar a entrada em mercados onde o consumo ainda é reduzido e ao tornar permanente a atual suspensão temporária das tarifas sobre o azeite exportado para o Brasil. Além disso, prevê a proteção das Indicações Geográficas, reforçando a diferenciação e o valor acrescentado do azeite português. Contudo, o acordo também apresenta desafios, como a expansão dos olivais modernos na Argentina e no Uruguai, que poderão concorrer com os azeites europeus nos mercados local e europeu. Poderá ainda intensificar a concorrência regional entre produtores europeus, nomeadamente com Espanha e Itália. Por sua vez, os EUA, um dos principais importadores de azeite europeu, aplicaram recentemente uma tarifa de 15% sobre mercadorias da UE, incluindo o azeite. Esta medida aumenta o custo do azeite europeu para os consumidores americanos e poderá incentivar a sua substituição por óleos mais baratos, embora o segmento premium de azeite virgem extra tenha demonstrado maior resiliência devido ao seu valor nutricional e gastronómico. O aumento do custo do azeite europeu favorece ainda a entrada de azeite proveniente de países terceiros. As perspetivas futuras do comércio internacional do azeite português são globalmente positivas, sustentadas pelo crescimento da procura mundial e pela expansão para um crescente número de mercados. No entanto, o setor enfrenta desafios importantes, como a forte dependência de Espanha e o elevado peso das exportações a granel, que limitam a criação de valor. Para reforçar a sua posição, Portugal terá de apostar na diversificação de mercados e na valorizaPortugal terá de apostar na diversificação de mercados e na valorização do produto através de marcas próprias e azeites de maior qualidade.
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