Cultivar_35_Olival_Azeite

O futuro da olivicultura e do azeite: principais oportunidades e desafios 59 geralmente menos saudáveis e sustentáveis. No consumo mundial de óleos vegetais, o azeite representa apenas 1,2% do total, um peso muito inferior às alternativas como o óleo de palma ou de soja (ver Figura 1). Este dado demonstra que o azeite não é uma gordura indiferenciada, mas antes um produto de nicho/premium, quando comparado com os óleos de palma, soja ou girassol, de custo mais baixo, e que são refinados através de processos químicos. Assim, podemos concluir que o consumo mundial de azeite tem condições para crescer de forma sustentada nas próximas décadas, desde que a produção acompanhe esse aumento da procura, garantindo oferta suficiente e competitiva para lhe responder. Para isso, será essencial que a produção de azeite tenha também um crescimento sustentado, através da entrada de novas áreas de produção e da reconversão de olivais tradicionais pouco produtivos em olivais modernos de regadio. Caso contrário, a estagnação da produção limitará o consumo: os aumentos da procura traduzir-se-ão em preços mais elevados, reforçando o posicionamento do azeite como produto premium ou de luxo, em vez de um bem de consumo corrente, situação que levará à sua substituição por outros óleos vegetais. Esta situação ficou bastante evidente em 2022/23, quando a redução da oferta levou os preços de azeite para máximos históricos, originando uma queda pronunciada no consumo. 4. Comércio Internacional A expansão do consumo de azeite para novas geografias tem impulsionado o crescimento do comércio internacional, uma tendência claramente visível nos últimos 15 anos. Os quatro maiores países exportadores — Espanha, Itália, Tunísia e Portugal — concentram atualmente 79% das exportações mundiais de azeite. Portugal ocupa a quarta posição, impulsionado por um crescimento muito expressivo das quantidades exportadas (27% O azeite, apesar das suas características únicas e dos benefícios para a saúde, integra a categoria dos óleos vegetais, onde concorre com vários substitutos — geralmente menos saudáveis e sustentáveis. Tabela 4 – Evolução das exportações de azeite dos principais países exportadores País Exportações Mundiais de Azeite Taxa Média de Var. Anual Média 2007-2010 Média 2022-2025 t % t % Espanha 702 319 50,5 % 903 280 42,1 % 1,9 % Itália 309 634 22,3 % 321 010 15,0 % 0,2 % Tunísia 119 250 8,6 % 243 250 11,3 % 6,9 % Portugal 42 838 3,1 % 218 684 10,2 % 27,4 % Grécia 98 706 7,1 % 165 664 7,7 % 4,5 % Turquia 21 875 1,6 % 119 750 5,6 % 29,8 % Síria 19 000 1,4 % 46 250 2,2 % 9,6 % Argentina 15 875 1,1 % 26 875 1,3 % 4,6 % Chile 3 250 0,2 % 16 375 0,8 & 26,9 % França 5 200 0,4 % 12 027 0,6 % 8,8 % Outros países 53 293 3,8 % 70 760 3,3 % 2,2 % Total Mundial 1 391 240 2 143 926 3,6 % Fonte: Elaboração própria a partir de dados do COI e do EUROSTAT. Tabela 5 – Evolução das importações de azeite dos principais países importadores País Importações Mundiais de Azeite Taxa Média de Var. Anual Média 2007-2010 Média 2022-2025 t % t % Itália 511 326 33,8 % 502 872 23,9 % -0,1 % EUA 258 250 17,1 % 408 250 19,4 % 3,9 % Espanha 53 781 3,6 % 218 705 10,4 % 20,4 % França 111 305 7,4 % 120 405 5,7 % 0,5 % Portugal 75 702 5,0 % 103 456 4,9 % 2,4 % Brasil 48 500 3,2 % 81 875 3,9 % 4,6 % Alemanha 59 205 3,9 % 76 012 3,6 % 1,9 % Canadá 34 000 2,2 % 61 375 2,9 % 5,4 % Japão 33 750 2,2 % 44 125 2,1 % 2,0 % Austrália 30 625 2,0 % 34 500 1,6 % 0,8 % Outros países 296 157 19,6 % 456 301 21,6 % 3,6 % Total Mundial 1 512 601 2 107 876 2,6 % Fonte: Elaboração própria a partir de dados do COI e do EUROSTAT.

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