O futuro da olivicultura e do azeite: principais oportunidades e desafios 57 com aumento da sua quota dos 1,9% para os 5%; e o Egipto, que partindo de uma produção muito baixa, cresceu a uma taxa média anual de 60,5%, subindo do 22º lugar para o 10º no ranking dos maiores produtores. Tanto Portugal como o Egipto apresentam uma percentagem já significativa dos seus olivais explorados em sistemas modernos de regadio, aspeto que potenciou os crescimentos observados. O mapa da olivicultura mundial tem vindo a alargar-se para outras geografias. Nos últimos 16 anos, o número de países produtores passou de 46 para 66. Países como a Austrália, os EUA, o Chile, a Argentina, entre outros, têm investido na instalação de olivais modernos de regadio, emergindo como produtores de azeites de qualidade e com baixos custos de produção. Muitos destes novos produtores possuem uma vantagem estratégica importante: por se localizarem no hemisfério sul, conseguem abastecer o mercado com azeites frescos entre abril e julho, período em que os stocks europeus são mais escassos. Assim, a evolução futura da produção mundial de azeite será marcada por duas dinâmicas principais, que já se têm vindo a verificar: a expansão geográfica da produção e a modernização dos sistemas de produção. A produção de azeite continuará a expandir-se para novas geografias fora da tradicional bacia mediterrânica, impulsionada pelas alterações climáticas e pela oportunidade gerada pelo crescimento da procura de azeite em mercados emergentes. Estes novos países produtores irão apostar em sistemas produtivos modernos e tecnologicamente avançados, nomeadamente o olival em sebe, beneficiando de condições agroclimáticas cada vez mais favoráveis e de uma maior disponibilidade de terra e água. Apesar de as novas geografias terem ainda um peso limitado no total mundial, apresentam potencial de crescimento, podendo ganhar relevância futura à medida que consolidam conhecimento técnico, adaptam variedades e beneficiam de janelas climáticas mais adequadas. Os países produtores tradicionais deverão seguir o caminho já iniciado em Portugal e Espanha, que consiste na reconversão dos olivais tradicionais em olivais modernos de regadio, sempre que existam condições para tal, de forma a aumentar a produção e reduzir custos. 3. Evolução do Consumo O consumo global de azeite tem aumentado de forma consistente nas últimas décadas, impulsionado sobretudo pela valorização da dieta mediterrânica, pela expansão da gastronomia mediterrânica a nível mundial e pela crescente consciência dos seus benefícios para a saúde. No entanto, tal como sucedeu para a produção mundial, também o crescimento do consumo de azeite acabou por ser bastante mais atenuado nos últimos 15 anos. Este consumo global passou de 2,8 milhões de toneladas no quadriénio 2007-2010, para pouco mais de 3 milhões de toneladas no quadriénio 2022-2025, um crescimento médio anual de apenas 0,3%. Refira-se que o quadriénio final inclui os anos 2022 e 2023, em que o consumo mundial desceu de forma muito significativa, em virtude do aumento de preços histórico originado pela seca prolongada em Espanha. Na Tabela 2, apresenta-se a evolução do consumo de azeite dos 10 principais países consumidores, que representam 69% do consumo mundial: Os três maiores consumidores de azeite no mundo são a Itália, a Espanha e os EUA, que concentram cerca de 43% do consumo mundial. Os outros países consumidores (que não os 10 maiores) representam 31% do consumo, o que demonstra a grande dispersão geográfica do consumo deste produto (198 países). Refira-se ainda que os EUA, a França, o Brasil e a Alemanha, encontram-se entre os 10 maiores con- …a evolução futura da produção mundial de azeite será marcada por duas dinâmicas principais, que já se têm vindo a verificar: a expansão geográfica da produção e a modernização dos sistemas de produção.
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