56 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite adaptar-se rapidamente a contextos de maior incerteza e pressão sobre os preços. Paralelamente, as alterações climáticas colocam desafios estruturais à sustentabilidade da olivicultura, nomeadamente ao nível da disponibilidade de água, da variabilidade produtiva e da incidência de pragas e doenças, fatores que poderão afetar significativamente a produção nos principais países produtores da bacia mediterrânica. Neste artigo, procura-se analisar as principais dinâmicas do mercado do azeite, com o objetivo de antecipar tendências e identificar os desafios e oportunidades que o setor olivícola nacional terá de enfrentar. 2. Evolução da Produção A área mundial de olival tem crescido de forma sustentada, atingindo já os 11,8 milhões de hectares, distribuídos por 66 países dos cinco continentes1. No entanto, 88% da superfície mundial está concentrada nos 10 maiores países produtores, que representam 90% do total de azeite produzido no mundo. A tabela seguinte apresenta a evolução da produção de azeite destes países ao longo dos últimos 1 Relatório Anual sobre a Situação do Sector Oleícola, julho de 2025, Juan Vilar Hernández. 15 anos, assim como alguns dados sobre as características dos olivais existentes em cada país: Na última década e meia, a produção mundial de azeite passou de 2,86 para 3,09 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento médio anual de apenas 0,5%. Trata-se de um crescimento modesto a nível global que esconde dinâmicas diferentes entre países produtores. Espanha mantém o seu destaque como o maior produtor mundial, mas a sua quota na produção mundial caiu de 44% para 35%, com uma taxa de decréscimo médio anual de -1,0%. Importa considerar que parte deste decréscimo se deveu à ocorrência de condições climatéricas extremas — seca prolongada e ondas de calor — nas campanhas de 2022/23 e 2023/24, que se traduziram em produções historicamente baixas, baixando significativamente a média quadrienal considerada (2022-25). Itália, Grécia e Síria, apresentaram também quebras significativas na sua produção, sendo países com estruturas mais fragmentadas, olivais mais antigos e menor percentagem de regadio. Itália foi o país com maior quebra de produção, reduzindo o seu peso no mercado mundial dos 16,8% para os 9%, em resultado de secas frequentes, do problema da Xylella fastidiosa e da predominância de olivais velhos com difícil mecanização. Do lado dos crescimentos, destacam-se: a Turquia que, no período em análise, viu a sua produção aumentar a uma taxa média anual de 12,5%, passando do sexto para segundo maior produtor mundial, sendo hoje responsável por 12% do volume global de azeite produzido; Portugal, que apresentou uma taxa média de crescimento anual similar à da Turquia, Na última década e meia, a produção mundial de azeite passou de 2,86 para 3,09 milhões de toneladas… Trata-se de um crescimento modesto a nível global que esconde dinâmicas diferentes entre países produtores. Tabela 1 – Distribuição da produção mundial de azeite pelos principais países produtores País Produção Mundial de Azeite Taxa Média de Var. Anual % Área de Regadio % Área Sebe ou Vaso Média 2007-2010 Média 2022-2025 t % t % Espanha 1 264 875 44,3 % 1 077 842 34,9 % -1,0 % 32 % 32 % Turquia 127 250 4,5 % 365 250 11,8 % 12,5 % 30 % 27 % Tunísia 150 000 5,2 % 306 750 9,9 % 7,0 % 3 % 11 % Itália 480 000 16,8 % 279 356 9,0 % -2,8 % 23 % 21 % Grécia 313 300 11,0 % 251 875 8,2 % -1,3 % 19 % 25 % Portugal 53 775 1,9 % 153 475 5,0 % 12,4 % 38 % 64 % Marrocos 110 000 3,8 % 115 750 3,7 % 0,3 % 86 % 54 % Síria 140 000 4,9 % 114 000 3,7 % -1,2 % 5 % 12 % Argélia 44 750 1,6 % 75 000 2,4 % 4,5 % 18 % 35 % Egipto 4 875 0,2 % 49 125 1,6 % 60,5 % 40 % 41 % Outros países 168 950 5,9 % 301 975 9,8 % 5,2 % – – Total Mundial 2 857 775 3 090 397 0,5 % 29 % 37 % Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comité Oleícola Internacional (COI) e de dados de Juan Vilar Consultores Estratégicos
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