Cultivar_35_Olival_Azeite

55 O futuro da olivicultura e do azeite: principais oportunidades e desafios FRANCISCO CAMPELLO AGRO.GES – Sociedade de Estudos e Projetos, Lda. 1. Introdução A olivicultura tem vindo a afirmar-se como uma das culturas agrícolas de maior sucesso em Portugal, impulsionada por uma profunda transformação ocorrida sobretudo nos últimos 15 anos, que consolidou o país como um dos protagonistas no mercado global do azeite. O setor sofreu uma verdadeira revolução, levando o país de uma situação deficitária para a posição de 6º maior produtor mundial de azeite. Portugal passou a ser um exportador líquido: o 3º maior exportador da UE e o 5º a nível global. Esta revolução assentou, não apenas numa expansão das áreas dedicadas à cultura, mas, acima de tudo, na transição tecnológica do olival tradicional para sistemas modernos de regadio, nomeadamente os olivais em vaso e, mais recentemente, os olivais em sebe. Atualmente, cerca de 64% da superfície de olival nacional é composta por olivais modernos (em vaso ou em sebe), na sua larga maioria em regime de regadio (38% da área de olival é regada). O sistema de olival em sebe tem permitido ganhos expressivos de produtividade e elevados níveis de mecanização, contribuindo para a redução dos custos unitários de produção e para o reforço da viabilidade económica e competitividade das explorações. Apesar da sua menor necessidade em termos de mão-de-obra, o emprego gerado pelos olivais modernos tende a ser mais profissionalizado e mais bem remunerado, o que tem contribuído para a capacitação do setor. Estas transformações no campo foram acompanhadas pela modernização dos lagares, que aumentaram a sua capacidade de processamento e elevaram significativamente a qualidade dos azeites produzidos — cerca de 85% da produção nacional é classificada como azeite virgem extra. Graças aos investimentos em automatização e eficiência, alguns lagares portugueses estão hoje entre os mais avançados do mundo. Apesar deste percurso de sucesso, o setor enfrenta desafios relevantes. A crescente volatilidade dos mercados internacionais, a entrada de novos países produtores de azeite e as alterações nos acordos comerciais — como as negociações entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ou a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos — introduzirão novas dinâmicas competitivas, obrigando o setor a Apesar deste percurso de sucesso, o setor enfrenta desafios relevantes.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTgxOTE4Nw==