Cultivar_35_Olival_Azeite

44 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite genitores com algum nível de resistência à doença (León e De la Rosa, 2022). Estas novas variedades foram registadas como especialmente recomendadas em zonas com elevado risco de verticilose (Figura 5). Tal como em Espanha, noutros países produtores, como Itália, Israel, Marrocos, Tunísia e Turquia, foram recentemente registadas novas variedades resultantes de programas de melhoramento, embora tenham tido pouca ou nenhuma difusão internacional. Um ponto de especial interesse a ter em conta com estas variedades é a necessidade de uma ampla experimentação antes da sua difusão comercial. A experiência de casos anteriores com novas variedades, não só com a oliveira, mas também com outras árvores de fruto, aconselha a que a difusão destas novas variedades se realize gradualmente, com a devida precaução e avaliando a sua adaptação às diferentes condições que irão encontrar. Os estudos realizados nos últimos anos no IFAPA apontam para a complexidade de caracterizar uma variedade de oliveira com determinados níveis de produtividade, teor em gordura ou composição do azeite. Estas características, embora tenham uma influência genética inquestionável (inerente à variedade), variam muito consoante as condições ambientais, o que obriga a realizar uma experimentação local durante um período de tempo suficientemente longo para determinar a variedade que melhor se adapta a determinadas condições ambientais e as possíveis limitações para o cultivo das diferentes variedades. A experimentação neste sentido é limitada, pelo que as recomendações devem ser interpretadas com cautela, em particular quando se trata de comparar variedades que não foram testadas nas mesmas condições experimentais. Os trabalhos de melhoramento serão, sem dúvida, uma constante no futuro, em resposta a diversas necessidades do setor. Assim, por exemplo, o surgimento ou agravamento de diferentes problemas fitossanitários, as ameaças decorrentes dos diversos cenários de alterações climáticas e a aposta cada vez maior em sistemas de agricultura biológica indicam a importância de dispor de novo material vegetal com características melhoradas. Neste contexto de alterações climáticas, será também cada vez mais necessário que o olival do futuro se baseie em plantações multivarietais, sobretudo em explorações de média ou grande dimensão. Dado que todas as variedades terão vantagens e inconvenientes, o recurso a diversas variedades numa mesma exploração permitir-nos-á diversificar o risco face a um cenário climático pouco previsível. Em suma, o surgimento de novas variedades modernas e mais adaptadas a superar os atuais desafios da agricultura constituirá uma ferramenta muito importante para aumentar a rentabilidade atual das explorações olivícolas e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Aconselhamento e digitalização Atualmente, a agricultura em geral, e o setor olivícola em particular, vivem uma verdadeira revolução tecnológica com a implementação dos mais recentes avanços em sensores e digitalização (Parra-López et al., 2021). Estes avanços foram acelerados por dois fatores essenciais: o surgimento de novos sensores avançados de baixo custo e o desenvolvimento de novos sistemas de conectividade. No que diz respeito aos avanços na área dos sensores, os de última geração vão muito além dos tradicionais sensores de Neste contexto de alterações climáticas, será cada vez mais necessário que o olival do futuro se baseie em plantações multivarietais… Figura 5 – Novas variedades resistentes à verticilose da oliveira

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