Situação atual e futuro do olival em Espanha 43 adapte bem ao sistema, por serem excessivamente vigorosas, de grande porte e detentoras de elevada rigidez dos ramos ou de copas pouco compactas. Assim, um fator determinante para o início deste sistema de cultivo foi a disponibilidade da variedade Arbequina, que por natureza apresentava um porte compacto devido à sua precocidade, produtividade e regularidade na frutificação, o que permitia a colheita com máquinas de vindimar. Posteriormente, identificou-se também a variedade Arbosana, que se adaptava ainda melhor ao sistema, uma vez que o seu vigor e porte eram inferiores aos da Arbequina. A expansão inicial da plantação em sebe deveu-se, assim, quase exclusivamente a essas duas variedades. Esta situação incentivou o desenvolvimento de programas de melhoramento que permitissem alargar o leque de variedades adaptadas a este novo sistema. No entanto, devido ao longo período de tempo necessário, só recentemente é que o melhoramento foi incorporado como mais uma prática no cultivo da azeitona. Em Espanha, os trabalhos realizados desde a década de 1990 permitiram a seleção e o registo de novas variedades provenientes de programas de melhoramento. A primeira variedade obtida foi a Chiquitita / Sikitita (Rallo et al., 2008), adaptada para a plantação em sebe de alta densidade, resultado do programa conjunto do IFAPA e da Universidade de Córdoba dedicado à obtenção de novas variedades para produção de azeite. Neste mesmo programa de melhoramento, foram recentemente registadas duas novas variedades que dão continuidade à série iniciada: Sikitita-2 e Martina. Trata-se de variedades precoces e produtivas, com uma arquitetura adaptada a uma densidade de plantação média-alta e produtoras de um Azeite Virgem Extra (AVE) de alta qualidade, estabilidade e perfis organoléticos singulares. Estas três variedades descendem da Arbequina e da Picual. 1 https://www.agromillora.com/olint/nuevas-variedades-para-el-olivar-en-seto/ 2 https://www.todolivo.com/todolivo-i-15-dossier/ 3 https://balam.es/sultana/ O recente auge do sistema de olival em sebe e a necessidade de novas variedades adaptadas incentivaram, nos últimos anos, o desenvolvimento de iniciativas de melhoramento neste sentido. Difundiram-se, assim, novas variedades resultantes de melhoramento, como a Oliana, a Lecciana e a Coriana (Agromillora1), a I15 (Todolivo2) e a Sultana (Balam3), fruto de diversos programas de melhoramento, públicos e privados. E tudo indica que o número de novas variedades irá crescer nos próximos anos. Em todas elas, procurou-se baixo vigor, precocidade na entrada em produção, alta produtividade e teor em gordura, bem como azeites com características nutricionais e sensoriais notáveis. Um potencial risco futuro decorre do facto de as novas variedades acima mencionadas descenderem de cruzamentos em que a variedade Arbequina participou sempre como progenitora (direta ou indiretamente, uma vez que a variedade Arbosana, também comum como progenitora, deriva, por sua vez, da mesma variedade Arbequina). Este aspeto pode resultar numa perigosa homogeneidade genética nas novas variedades. Por conseguinte, o leque de variedades disponíveis continua a ser limitado e serão necessárias muitas mais nos próximos anos para cobrir diferentes necessidades relacionadas com a arquitetura da planta, a adaptação a fatores limitantes, a qualidade dos azeites, etc. Outra área em que o trabalho de melhoramento está a proporcionar novas variedades adaptadas é o desenvolvimento de novos materiais resistentes às principais doenças da planta. Neste sentido, no programa de melhoramento do IFAPA para resistência à verticilose, foram registadas três novas variedades (Urgavona, Castula e Iliturgitana) com elevado nível de resistência e boas características agronómicas, provenientes de cruzamentos em que intervêm proO recente auge do sistema de olival em sebe e a necessidade de novas variedades adaptadas incentivaram, nos últimos anos, o desenvolvimento de iniciativas de melhoramento…
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