Cultivar_35_Olival_Azeite

Situação atual e futuro do olival em Espanha 41 +1,5 e +2,5°C em relação aos níveis pré-industriais, enquanto no final do século (2080-2100) o aquecimento poderá situar-se entre +2 e +3°C, em cenários intermédios (SSP2-4.5), e ultrapassar os +5°C em cenários de emissões elevadas (SSP5-8.5). Este aumento será superior à média global e traduzir-se-á numa maior frequência, duração e intensidade das ondas de calor. Este aumento de temperatura será, sem dúvida, um fator crítico na distribuição temporal e geográfica do futuro olival, dando continuidade à evolução que já se tem vindo a observar nos últimos anos (Figura 3). Neste aspeto, há que destacar dois fatores principais relacionados com a temperatura que podem afetar negativamente a cultura: a menor acumulação de frio devido ao aumento das temperaturas de inverno e o stress térmico provocado por episódios de calor extremo durante fases críticas, como a floração e o endurecimento do caroço. Experiências em zonas de clima subtropical, como as Ilhas Canárias, com invernos especialmente quentes, revelam florações assíncronas e escalonadas que prejudicam a produção e podem afetar a qualidade do azeite (Figura 4). Fenómenos semelhantes observam-se também em algumas zonas da península, o que confirma que os efeitos das alterações climáticas são já visíveis. No que diz respeito à precipitação, os modelos revelam uma tendência mais incerta do que no caso da temperatura, mas consistente no sentido de uma redução global e de uma maior irregularidade, especialmente no Sul e na região mediterrânica. As estimativas apontam para reduções médias da ordem dos 10-20% em meados deste século, que poderão intensificar-se até ultrapassarem os 20-30% em algumas regiões no final do século. Além disso, prevê-se uma diminuição do número de dias de chuva, a par de um aumento dos episódios de precipitação intensa, o que implica um regime mais extremo: secas mais prolongadas alternadas com eventos torrenciais. A maior frequência de ondas de calor e episódios de seca terá um efeito combinado muito negativo sobre a produção e a qualidade, especialmente quando esses eventos extremos coincidem com fases fenológicas da cultura, como a floração e a lipogénese. Isto levará a que os efeitos dos eventos climáticos extremos sejam muito variáveis, dependendo do alcance real do aquecimento global, da zona geográfica específica e do estado fenológico em que a planta se encontrar. Esta circunstância torna ainda mais difícil a previsão do comportamento da oliveira em condições climáticas futuras. O efeito positivo do aumento do CO₂ na eficiência do uso da água e na fotossíntese compensará em parte estes impactos negativos, mas não conseguirá, de modo nenhum, reverter totalmente os impactos negativos. Figura 3 – Evolução da temperatura média em Espanha Fonte: https://showyourstripes.info/ Figura 4 – Floração escalonada típica de zonas onde não se verificam os requisitos de frio necessários para uma floração normal no olival A maior frequência de ondas de calor e episódios de seca terá um efeito combinado muito negativo sobre a produção e a qualidade…

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