Cultivar_35_Olival_Azeite

40 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite começou a definir uma nova forma de cultivo e uma nova indústria. Mais tarde, na década de 1990, o desenvolvimento do olival em sebe, caracterizado por um aumento da densidade de plantação, representou uma nova mudança ainda mais radical (Figura 1). Este modelo, cuja pedra angular é a colheita mecânica, apresenta custos de investimento superiores aos dos outros modelos. No entanto, a sua maior produtividade nos primeiros anos, resultante do maior número de árvores por unidade de superfície e, sobretudo, dessa possibilidade de uma colheita totalmente mecanizada, aliada à dificuldade em obter mão de obra para os restantes modelos, propiciou, nos últimos anos, uma expansão notável deste sistema em Espanha e noutros países produtores de azeitona. Os dados de Espanha indicam que uma proporção cada vez mais significativa de novas plantações é desenhada neste sistema. Na Andaluzia, por exemplo, a partir de 2010, 32% das novas plantações foram realizadas em sistemas intensivos com até 800 oliveiras/hectare e 26% com densidades ainda maiores (CAPADR, 2025). Tudo parece indicar que estes sistemas serão cada vez mais predominantes e irão reduzindo o peso do olival tradicional, que atualmente ultrapassa os 70% da superfície do olival espanhol, com mais de 1,8 milhões de hectares. A irrigação tem sido também um fator determinante na evolução desta cultura em Espanha, contribuindo para o aumento de produção em grande parte do olival tradicional, que passou a ser irrigado no final do século passado, através da criação de um número significativo de Comunidades de Regantes de grande superfície e elevado número de pequenos proprietários, com dotações anuais de rega de 1 550 m³/ha e até menos. Durante o período de 2004-2024, a área de sequeiro manteve-se praticamente constante, uma vez que não foram concedidas novas licenças de rega para olivais de sequeiro já implantados, enquanto as novas plantações em terrenos com direitos adquiridos para rega deram origem a um aumento da superfície de olival regado, que passou de 500 000 para 900 000 hectares nesse período (Figura 2). A evolução futura dependerá, naturalmente, da disponibilidade de água para irrigação, condicionada pelas reservas hídricas e pela evolução da precipitação num contexto de alterações climáticas, bem como da rentabilidade da cultura utilizando modelos de maior densidade em sequeiro. Efetivamente, os potenciais efeitos associados às alterações climáticas serão outro fator que irá, sem dúvida, condicionar as novas plantações de olival. As projeções climáticas mais recentes, baseadas em modelos regionalizados como o EURO-CORDEX e nos cenários do IPCC, coincidem em indicar que Espanha irá registar um aumento de temperatura claro e sustentado ao longo do século XXI. Para o período 2030-2050, espera-se um aumento aproximado entre Figura 1 – Plantação de olival em sebe de alta densidade Figura 2 – Evolução da área de olival em Espanha com dotações anuais de rega de 1 550 m³/ha e até menos. Durante o períod setemperatura será, sem dúvida, um fator crí;co na distribuição temporal e ge olival, dando con;nuidade à evolução que já se tem vindo a observar nos úl;m 0 500000 1000000 1500000 2000000 2500000 3000000 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 Superfície (ha) Sequeiro Regadio Total A irrigação tem sido um fator determinante na evolução desta cultura em Espanha, contribuindo para o aumento de produção em grande parte do olival tradicional, que passou a ser irrigado no final do século passado…

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