Cultivar_35_Olival_Azeite

18 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite gico no comércio agroalimentar global assenta hoje na qualidade diferenciada, na inovação, na sustentabilidade e na crescente disposição do consumidor para reconhecer e pagar por estes atributos. Globalização da procura e expansão para novos mercados de consumo A terceira grande dinâmica que caracteriza o atual panorama do setor é a expansão progressiva para mercados não tradicionais, especialmente na Ásia e na América. Embora o consumo per capita continue a ser elevado nos países mediterrânicos, o preço elevado do produto, juntamente com mudanças no estilo de vida, tais como o aumento das refeições fora de casa e a expansão da procura por fast food, está a alterar os padrões tradicionais de consumo nestes mercados. Neste contexto, o dinamismo recente da procura provém sobretudo de economias não tradicionais. Em conjunto, sete grandes mercados (Estados Unidos, União Europeia, Brasil, Japão, Canadá, China e Austrália) concentram cerca de 70% das importações mundiais, ultrapassando as 880 000 toneladas na campanha de 2024/25, o que põe em evidência tanto o peso crescente dos destinos extra-mediterrânicos como a influência das transformações no consumo global na configuração do comércio internacional. Os Estados Unidos mantêm-se como o primeiro importador mundial, absorvendo aproximadamente 37% do total global, consolidando-se como um mercado estratégico para os principais países exportadores. No entanto, apesar da sua relevância em volume, o consumo per capita continua a ser moderado: cerca de 1,1 kg por habitante. No Japão e no Brasil, esse consumo mal atinge os 0,4 kg por pessoa, enquanto no Canadá se situa em cerca de 1,2 kg. O caso da China é especialmente ilustrativo: com mais de 1,4 mil milhões de habitantes, o consumo estimado ronda as 53 000 toneladas, um valor ainda reduzido em termos relativos. Estes indicadores mostram que, por enquanto, apenas as classes mais abastadas têm acesso ao azeite, mas também evidenciam uma ampla margem de crescimento potencial se se consolidarem os hábitos alimentares ligados à dieta mediterrânica e se reforçar a educação do consumidor. No entanto, esta expansão internacional não se fez sem dificuldades. Nos últimos anos, o setor tem enfrentado tensões tarifárias e a imposição de barreiras regulamentares, particularmente no mercado norte-americano, um dos principais destinos fora da União Europeia. Estas circunstâncias obrigaram os exportadores europeus a repensar as suas estratégias comerciais, intensificando a diversificação de destinos e reforçando o seu posicionamento competitivo em mercados emergentes. … o dinamismo recente da procura provém sobretudo de economias não tradicionais. Figura 2 – Distribuição global das importações de azeite Fonte: COI 2026 Figura 3 – Consumo de azeite em kg por habitante e ano Fonte: COI 2026

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