Evolução do consumo mundial de azeite: tendências e desafios 17 No entanto, a recuperação da produção iniciada em 2024/25, com um volume superior a 3,5 milhões de toneladas e uma relativa moderação dos preços, deu um novo impulso ao consumo, que ultrapassou os 3,2 milhões de toneladas, com perspetivas de consolidação em 2025/26. Assim, embora a volatilidade conjuntural continue a ser um desafio relevante, a tendência estrutural do setor continua a ser no sentido da expansão, sustentada numa sólida base de procura, modernização produtiva e posicionamento internacional. Qualidade, diferenciação e crescimento nos segmentos de maior valor de mercado A segunda grande dinâmica que define a evolução recente do setor é o aumento sustentado do valor médio por tonelada exportada. Este fenómeno deve- -se, em parte, à relativa escassez provocada por produções mais baixas em certas campanhas, mas também a uma transformação mais profunda da procura internacional. O mercado internacional não só compra maioritariamente a categoria de azeite virgem extra (AVE), um autêntico sumo de fruta que nada tem a ver com outros óleos vegetais, mas também exige maior qualidade, diferenciação e os atributos intangíveis associados ao produto. Em resultado, a revalorização do AVE reforçou o seu posicionamento como produto de alto valor acrescentado no comércio agroalimentar global. Neste contexto, o crescente interesse por hábitos de vida saudáveis desempenha um papel determinante. A consolidação da dieta mediterrânica como modelo alimentar de referência internacional, associada a benefícios cardiovasculares e a um elevado teor de antioxidantes, reforçou a perceção do AVE como um alimento não só delicioso, mas também funcional e preventivo. Esta dimensão saudável fomenta o consumo e favorece simultaneamente a criação de valor e a obtenção de preços mais elevados em comparação com outros óleos vegetais. Paralelamente, observa-se uma clara evolução no sentido de produtos com maior valor acrescentado. Os consumidores demonstram um interesse crescente por produtos premium, biológicos e com certificação de origem, o que favorece estratégias de diferenciação baseadas na qualidade, na autenticidade e na ligação ao território. As denominações de origem e os selos de qualidade tornaram-se instrumentos fundamentais para gerar confiança, proporcionar transparência e justificar um posicionamento em segmentos de preço mais elevados. A isto junta-se a diversificação de usos do azeite para além do âmbito estritamente culinário. A sua incorporação na indústria cosmética e farmacêutica, graças às suas propriedades hidratantes e antioxidantes, amplia as oportunidades de negócio e consolida a imagem como produto versátil e de elevado valor funcional. Esta diversificação contribui também para reduzir a dependência exclusiva do consumo alimentar. Por fim, a sensibilidade crescente em relação à rastreabilidade, à sustentabilidade e às alterações climáticas influencia cada vez mais as decisões de compra, especialmente entre os jovens. Os consumidores exigem informação transparente sobre a origem do produto, os métodos de cultivo e extração, e o impacto ambiental da produção. Mais uma vez, o azeite está numa posição privilegiada. O olival é uma verdadeira floresta mediterrânica domesticada que contribui para a conservação do solo, abriga biodiversidade e captura CO₂ da atmosfera, promovendo um balanço de carbono positivo de mais de 10 kg de CO₂ por litro de azeite produzido. Esta tendência tem incentivado práticas mais responsáveis e sustentáveis ao longo de toda a cadeia de valor, reforçando a reputação do setor e consolidando vantagens competitivas baseadas na sustentabilidade. Em conjunto, estes fatores explicam por que razão o azeite virgem extra deixou de competir apenas em termos de volume para passar a competir cada vez mais em termos de valor. O seu posicionamento estratéOs consumidores demonstram um interesse crescente por produtos premium, biológicos e com certificação de origem…
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