Cultivar_35_Olival_Azeite

142 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite várias regiões, sendo conhecidas em Portugal como zambujeiros. Vestígios arqueológicos comprovam a presença da oliveira desde o Paleolítico Superior, evidenciando a sua ligação ancestral ao ser humano. Outro aspeto relevante é a sua longevidade, existindo exemplares com milhares de anos, o que reforça o seu valor simbólico e histórico. 3. A oliveira na Antiguidade Na Antiguidade Clássica, a oliveira desempenhou um papel central nas civilizações mediterrânicas, especialmente na Grécia e em Roma. Os gregos utilizavam o azeite como base da alimentação, juntamente com pão, vinho e mel: o azeite era considerado altamente nutritivo e essencial à saúde. Além disso, era também utilizado no corpo, com funções estéticas, terapêuticas e desportivas. Os romanos, por seu lado, também atribuíram grande importância à oliveira, considerando a sua madeira sagrada e os seus ramos símbolos da paz, do progresso e da vitória. Sendo a oliveira uma das culturas centrais da propriedade rural romana, o azeite tornou-se um valioso produto comercial, sendo transportado por todo o Império Romano em ânforas. Do vasto legado deixado pelos romanos em várias áreas, não pode deixar de se referir, neste âmbito, a obra de Catão, o Velho, De agri cultura, na qual o autor inclui regras sobre a plantação desta árvore, o cuidado do terreno envolvente, a colheita da azeitona e o funcionamento do lagar. Apesar de esta obra ter sido escrita há mais de 2000 anos, muitos dos seus ensinamentos e princípios base mantêm-se atuais na cultura da oliveira em Portugal, residindo a principal diferença no facto de a olivicultura moderna em Portugal ter transformado essas bases num sistema altamente tecnológico e intensivo. 4. A oliveira na Península Ibérica A introdução da oliveira na Península Ibérica é atribuída aos fenícios e aos gregos, embora tenha sido durante o período romano que a sua produção se expandiu significativamente. O azeite produzido na Hispânia ganhou notoriedade, sendo amplamente referido em textos antigos e tornando-se um produto essencial na alimentação e na economia. Durante os períodos visigótico e árabe, a cultura da oliveira manteve-se relevante; já na Idade Média, os olivais localizavam-se frequentemente junto das povoações, funcionando, assim, como um indicador de presença humana. 5. Azeite: protagonista de diversas funções fundamentais ao longo dos tempos • Alimentação: principal gordura utilizada na culinária mediterrânica; • Iluminação: combustível para lâmpadas e altares; • Medicina: utilizado no tratamento de doenças; • Higiene e estética: cuidado do corpo e da pele. Esta versatilidade demonstra a sua importância nas sociedades tradicionais. 6. Transformações no século XX 6.1. Dificuldades na primeira metade do século No início do século XX, em Portugal, o setor agrícola enfrentava desorganização e dificuldades económicas. Para responder a esta situação, foram criados, nos anos 30, organismos de coordenação económica com o objetivo de regular a produção e o comércio. No setor do azeite, destacam-se a Junta Nacional de Olivicultura (1931) e a Junta Nacional do Azeite (1937). Apesar destas medidas, persistiam problemas como elevados custos de produção, baixa mecanização e irregularidade das colheitas.

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