Cultivar_35_Olival_Azeite

A olivicultura em A agricultura na História de Portugal 143 6.2. Segunda metade do século: a concorrência dos óleos industriais A partir da Segunda Guerra Mundial, surgiram no mercado óleos alimentares industriais, como os de amendoim, girassol e soja. Estes produtos, mais baratos e produzidos em larga escala, tornaram-se fortes concorrentes do azeite. Em Portugal, o óleo de amendoim teve em particular grande impacto, alterando significativamente os hábitos alimentares, sobretudo na preparação de fritos. O surgimento destes óleos evidenciou, de forma mais vincada, a crise do azeite, pois tiveram, como consequência direta, a perda de competitividade daquele produto no mercado. Contudo, importa ressalvar que a produção destes óleos se baseia em processos químicos de extração e refinação, enquanto o azeite resulta da simples prensagem da azeitona, o que o torna um produto totalmente natural e, por consequência, muito mais saudável. 6.3 Desafios para o azeite: • Concorrência de produtos mais baratos; • Fraudes (mistura com óleos refinados); • Dificuldade em garantir qualidade; • Abandono de olivais; • Aumento dos custos de produção. 7. Situação contemporânea e importância atual Apesar das dificuldades, o azeite continua a ser um produto de grande importância, especialmente na dieta mediterrânica. Distingue-se dos óleos industriais por ser natural e por manter características únicas ao nível do sabor, qualidade e valor nutricional. A investigação tem contribuído para melhorar a produção e reduzir custos, permitindo alguma recuperação do setor. 8. Conclusão A história da oliveira e do azeite reflete a evolução das sociedades mediterrânicas ao longo de milhares de anos. Este produto foi essencial na alimentação, economia e cultura, mantendo-se relevante até aos dias de hoje. Apesar da concorrência dos óleos industriais, o azeite continua a destacar-se pelas suas qualidades naturais e pelo seu valor histórico, sendo um símbolo da identidade mediterrânica. Comentário Volvidos quase 30 anos da publicação desta obra, os sucessivos avanços científicos têm comprovado a importância do azeite como base de uma alimentação natural e saudável em contraste com o carácter químico dos óleos alimentares muitas vezes, senão cada vez mais, utilizados na confeção de produtos alimentares. Nos últimos anos, ganhou particular relevância o óleo de palma, ainda não referido por este autor. Estudos científicos parecem indicar que este é nocivo para a saúde humana, sobretudo quando consumido em quantidades consideráveis. Assim, aproveita-se a presente ficha de leitura para realçar a importância do azeite, para que se encare o seu custo mais elevado face ao dos óleos obtidos por meios químicos a partir de sementes, não como um gasto supérfluo, mas como um investimento na nossa saúde e qualidade de vida.

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