Cultivar_35_Olival_Azeite

140 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite ―A incapacidade de resposta ao aumento do consumo (1990-2004) ― A dinâmica dos novos olivais e a emergência de um dualismo (2005-atualidade) ― Sistemas de olivicultura, inovação e desenvolvimento rural O trabalho começa com um conjunto de referências históricas e análise desta cultura em Portugal, salientando a “revolução” iniciada por Alexandre Herculano no final da década de 1850 num setor que estava então bastante degradado, e a mudança nos usos do azeite entre 1850 e 1950, da iluminação para a alimentação, com grande impacto no aumento de qualidade. Caracteriza os sistemas de olivicultura dominantes no país, nos últimos dois séculos, e aborda as principais mudanças ocorridas desde meados do século XIX até à atualidade, fazendo referência às alterações tecnológicas e estruturais ocorridas. Refere, nomeadamente, a pressão exercida no setor pela autorização da comercialização de óleo de amendoim como óleo alimentar já em 1929, bem como a criação da Junta Nacional do Azeite pouco tempo depois, em 1937, e mais tarde o surgimento de um sistema cooperativo com forte apoio estatal, acompanhando o aumento progressivo da importância do olival em área, produção e qualidade neste período. Destaca a crise na produção e no consumo com a emergência, na década de 1960, de outros óleos alimentares de sementes oleaginosas como o cártamo e o girassol, de preço inferior e bem promovidos em termos de marketing. A crise foi agravada pelo êxodo rural e o abandono que se sentiram muito fortemente neste período. Salienta ainda a forma como a mecanização, apesar das suas vantagens, rompeu um certo equilíbrio ecológico, ao retirar os animais de trabalho que eram fonte de fertilidade do solo, contribuindo para a degradação e erosão deste. Na década de 1990, as notícias sobre os benefícios para a saúde da dieta mediterrânica, e do azeite como sua gordura principal, faz alterar de novo os padrões de consumo, com dificuldade de resposta por parte dos produtores nacionais a essa procura acrescida. O setor vai evoluindo continuamente, mas a segunda grande “revolução” dá-se com a entrada em funcionamento do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva e a conclusão da primeira fase do respetivo projeto de regadio, já no início do século XXI. Assim, ao longo do documento, vão sendo abordadas as variações da cultura que têm vindo a ocorrer, os vários fatores que influenciaram essas variações, bem como as políticas adotadas relativamente à cultura do olival, à produção e ao consumo de azeite e ainda as diferenças tecnológicas que levaram a uma acentuada melhoria da qualidade. No final, o estudo faz ainda uma reflexão sobre os atuais sistemas de olivicultura e a sua relação com a inovação e o desenvolvimento rural. Como referido, abrange já na sua análise o impacto dos novos aproveitamentos hidroagrícolas da região do Alentejo e refere o emergir do dualismo olivícola atualmente existente no nosso país e que tem sido objeto de diferentes políticas públicas: por um lado, os olivais tradicionais de sequeiro, por outro lado, os novos olivais de grande dimensão, regados e conduzidos em bosque ou sebe com a tecnologia mais moderna e a aplicação de muito do conhecimento entretanto adquirido. Termina com um capítulo dedicado aos sistemas de olivicultura, à inovação e ao desenvolvimento rural, onde se enfatiza esta dualidade dos sistemas de produção existentes e as dinâmicas que lhes estão associadas, concluindo com a necessidade de políticas públicas dirigidas a ambos os sistemas, bem como à investigação e à inovação. Este trabalho é já de 2014 e é de salientar que essa tem sido efetivamente a orientação das políticas públicas adotadas por Portugal, ao abrigo da Política Agrícola Comum nas suas sucessivas implementações: manutenção das medidas de apoio ao olival tradicional e, em simultâneo, apoio ao esforço empreendido pelos produtores nas novas plantações de regadio, que permitiram transformar por completo o panorama da produção olivícola no país e levar Portugal a tornar-se exportador líquido de azeite de grande qualidade.

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