Cultivar_35_Olival_Azeite

118 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite Técnica Económica (OTE) Especialização em Olival, portanto com 2/3 do seu Valor de Produção Padrão (VPP) proveniente do olival. Já nas explorações que recorrem ao apoio ao olival tradicional, a área em explorações especializadas é de 24 360 hectares, 26,8%, uma proporção bastante mais baixa, como expectável. O olival que foi candidatado, em 2024, à medida de apoio ao olival tradicional corresponde a 90 896 hectares, ou seja, 77% do total da área estimada de olival tradicional (117 000), o que é uma proporção muito relevante. A parcela de olival tradicional que não é candidatada a este apoio deve corresponder: a parcelas que não conseguem reunir todas as condições de apoio, ou a parcelas de dimensão muito reduzidas, para as quais não será compensador a candidatura, mas poderão também ser áreas já abandonadas. Em termos de pagamentos concretizados no PU 2024, o número de beneficiários foi de 23 400, a área paga foi de 89 749 hectares (ligeiramente inferior ao valor candidatado de 90 896 ha) e o montante pago de 12 346 470 euros, o que representa uma área média de 3,8 ha, um pagamento por exploração de 527,6 euros e por hectare de 137,5 euros. Em relação às características das explorações e da área apoiada nesta intervenção, verifica-se que 26,8% da área sujeita a apoio pertence a explorações especializadas em olival, 23% a explorações especializadas em bovinos ou outros ruminantes, em exploração extensiva, 24% a explorações de policultura e 14% a explorações mistas. Trata-se, assim, de uma intervenção a que recorrem essencialmente explorações não especializadas. Por outro lado, em termos de estrutura, 15,5% da área da intervenção está em explorações com menos de 5 ha, 27,8% em explorações entre 5 e 25 ha, 25,7% em explorações entre 25 e 100 ha e os restantes 31% em explorações com mais de 100 ha. Em termos regionais, 61,1% da área está no Alentejo, 17,8% em Trás-os-Montes e 14,1% na Beira Interior. Isto é, 93% da área está nestas três regiões. Refira-se ainda que 97,4% da área deste apoio está em zonas desfavorecidas, sendo 22,5% em zonas de montanha e a restante área em zonas com outros constrangimentos naturais ou específicos. Conclusão O olival tradicional é um símbolo da identidade rural portuguesa, um património vivo que tem marcado, e deve continuar a marcar, a paisagem, a cultura, a economia e a sociedade rural de Portugal. E é uma componente incontornável na viabilização duma agricultura mais ecológica, resiliente e sustentável. O apoio à sua preservação é, por isso, essencial e deve continuar a ser uma aposta relevante nas políticas públicas. Por outro lado, o olival moderno tem sido um indiscutível sucesso com um notável crescimento das suas áreas de norte a sul do país, mas com um claro destaque para a zona do Alqueva, tendo o elevado nível de investimento apoiado no PDR 2020 sido claramente um fator relevante nesse crescimento.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTgxOTE4Nw==