Azeitona de mesa: cultivares, território e identidade 107 destas árvores contribui para a conservação da biodiversidade agrícola, para a proteção da paisagem e para a manutenção de práticas culturais ancestrais, associadas ao cultivo da oliveira e à produção de azeite e azeitona de mesa. Paralelamente, a crescente procura por produtos genuínos e diferenciados tem criado incentivos económicos para a valorização destes olivais, sobretudo em segmentos gourmet e mercados mais exigentes. A exploração sustentável dos olivais tradicionais poderá igualmente favorecer sistemas de produção mais ajustados à realidade minifundiária, característica da região, promovendo a valorização dos produtos locais e a criação de novas fontes de rendimento. Neste contexto, o turismo rural ligado ao olival, integrando atividades relacionadas com a produção, transformação e gastronomia, poderá desempenhar um papel relevante no desenvolvimento sustentável das zonas rurais mais desfavorecidas. Deste modo, a preservação e valorização das cultivares tradicionais de oliveira assumem-se não apenas como uma forma de proteger o património natural e cultural transmontano, mas também como uma estratégia capaz de fortalecer a economia regional e afirmar a identidade dos azeites portugueses. Neste sentido, ao longo dos últimos cinco anos tem vindo a ser desenvolvido um trabalho intensivo de levantamento e estudo do património olivícola da região, envolvendo a caracterização morfológica, físico-química e genética de numerosos exemplares. Na Figura 2, apresentam-se alguns exemplares deste património olivícola atualmente em processo de caracterização. Figura 2 – Exemplares de oliveiras centenárias e frutos de diferentes cultivares tradicionais do património olivícola da região de Trás-os-Montes, atualmente em processo de caracterização morfológica, físico-química e genética
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