Cultivar_35_Olival_Azeite

10 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite azeite quadruplicou desde a década de 1990, crescendo 320%. Esta evolução tornou o setor altamente competitivo e profissional, colocando Portugal entre os maiores produtores e exportadores mundiais de azeite. O artigo de António M. Cordeiro et al., do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária I.P. (INIAV), sublinha que a olivicultura enfrenta desafios como alterações climáticas, escassez de água e necessidade de mecanização e que, para os enfrentar, há que destacar a importância das variedades nacionais e do melhoramento genético para criar olivais mais produtivos, resilientes e sustentáveis. A combinação entre conservação genética, seleção de materiais adaptados e tecnologias digitais, sensores e inteligência artificial permitirá otimizar rega, fertilização e produtividade no futuro. Vasco Fitas da Cruz e Diogo Coelho, da Universidade de Évora, afirmam que o setor oleícola em Portugal, sobretudo no Alentejo, se tornou mais produtivo e competitivo, mas gerou também mais excedentes como bagaço, folhas e águas residuais. O projeto INOVCIRCOLIVE, uma parceria de investigação, desenvolvimento e implementação entre múltiplas instituições públicas e entidades privadas, desenvolveu soluções como compostagem, aplicação ao solo e extração de compostos bioativos, promovendo economia circular, redução de custos e maior sustentabilidade na fileira do azeite. O artigo de Nuno Rodrigues et al., do CIMO – Centro de Investigação de Montanha, constata que a olivicultura em Portugal tem um grande valor económico, social e ambiental, destacando os olivais tradicionais e as cultivares autóctones. Contudo, estes enfrentam algumas ameaças devido à intensificação agrícola. Em Trás-os-Montes, a valorização sustentável, aliada à inovação e ao estudo científico, é essencial para preservar a biodiversidade, a qualidade e a identidade dos produtos oleícolas. A investigação efetuada pelos autores evidencia o elevado valor nutricional das azeitonas nacionais. João Marques, do GPP, salienta que, no âmbito da PAC, o setor do olival beneficia de um vasto conjunto de apoios, nomeadamente ao investimento, ao regadio e à gestão, o que contribui de um modo muito relevante para o grande crescimento do olival moderno, mas as políticas públicas têm reforçado igualmente o apoio ao sistema tradicional, através de intervenções agroambientais específicas. De facto, o olival tradicional continua a ser essencial para a paisagem, a cultura e a sustentabilidade rural em Portugal, e estes apoios ajudam a preservar a biodiversidade, combater o êxodo rural e promover azeites de elevada qualidade e autenticidade, sendo vitais para preservar um sistema de baixa densidade que, embora menos produtivo, é fundamental não deixar ao abandono. O artigo de Susana Gaspar, do GPP, traça a evolução do azeite desde a Antiguidade até à atualidade, destacando o seu papel central na dieta mediterrânica e na cultura alimentar portuguesa. Além do valor histórico e simbólico, evidencia os benefícios nutricionais deste bem alimentar, sobretudo do azeite virgem extra, rico em gorduras saudáveis e compostos antioxidantes, referindo o seu papel central na (nova) Roda dos Alimentos e na Roda da Alimentação Mediterrânica. Defende ainda a promoção deste padrão alimentar como modelo de saúde, sustentabilidade e identidade cultural. Fotografia de Artur Pastor – Apanha da azeitona, Alentejo, década de 1950/60, Arquivo Municipal de Lisboa / Fotográfico

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