Editorial 9 Esta edição da CULTIVAR procura precisamente contribuir para essa reflexão, reunindo diferentes perspetivas nacionais e internacionais sobre um setor que representa hoje uma das expressões mais dinâmicas, resilientes e estratégicas da agricultura mediterrânica contemporânea. O artigo de Jaime Lillo e Julia Álvarez, do Conselho Oleícola Internacional (COI), que abre esta edição, sublinha que o mercado mundial do azeite vive uma transformação estrutural, marcada pelo crescimento da procura, pela modernização da produção e pela expansão para novos mercados. Apesar da volatilidade dos preços, agravada pelas alterações climáticas, o setor tem-se vindo a adaptar através da inovação, da valorização da qualidade e da aposta na sustentabilidade. Como referem os autores, “o azeite deixou de ser apenas um produto agrícola tradicional” para se afirmar como um bem estratégico no comércio global. Tawfik El Achchabi et al., do Ministério da Agricultura, da Pesca Marítima, do Desenvolvimento Rural e das Águas e Florestas de Marrocos, salientam que a olivicultura marroquina é um setor estratégico, essencial para a economia rural, o emprego e as exportações, que tem vindo a ser apoiado por políticas como o Plano Marrocos Verde e a Geração Verde. Com mais de 1,24 milhões de hectares de olival, Marrocos modernizou a produção e reforçou a sua presença internacional, apesar dos desafios climáticos e hídricos. Os autores afirmam que se trata de um setor “profundamente enraizado nas tradições das nossas zonas rurais” e com forte potencial de crescimento sustentável. Para Lorenzo León et al., do Instituto Andaluz de Investigação e Formação em Agricultura, Pescas, Alimentação e Produção Biológica (IFAPA) de Espanha, a olivicultura neste país, com mais de 2 500 anos de história, evoluiu de uma cultura tradicional para um setor altamente modernizado e líder mundial na produção de azeite. A intensificação, a mecanização, a irrigação e a inovação varietal reforçaram a competitividade, apesar dos desafios das alterações climáticas, da escassez de água e da fragmentação das explorações. Os autores destacam que “o olival do futuro tem, pois, uma base sólida”, assente na investigação, na digitalização e na sustentabilidade. Francisco Campello, da Agro.Ges, considera que Portugal se consolidou como um protagonista mundial no setor do azeite, fruto da modernização da olivicultura e da aposta em regadio, mecanização e qualidade — hoje, é o 6.º maior produtor global. No entanto, adverte também que o setor enfrenta desafios como alterações climáticas, escassez de água, concorrência internacional e volatilidade dos mercados. A concluir, o autor salienta que “o futuro do setor passará por combinar competitividade, sustentabilidade e diferenciação”, valorizando inovação, marcas e património genético. Por seu lado, José Gouveia, elaiólogo e antigo professor do Instituto Superior de Agronomia (ISA), traça o percurso da oliveira, desde as suas origens possivelmente na Ásia Menor, espalhando-se depois pelo Mediterrâneo e tornando-se símbolo de paz, sabedoria e prosperidade. Domesticada entre 10 000 e 3 000 a.C., esta cultura foi difundida por gregos, romanos e povos do Norte de África. O azeite, definido pelo autor como “sumo de azeitona” ou “ouro líquido”, destaca-se na Dieta Mediterrânea pelos benefícios cardiovasculares e nutricionais, sendo hoje produzido globalmente e valorizado tanto em termos de saúde como de gastronomia. No Observatório, começamos com um já habitual artigo de auscultação ao setor, desta vez com os contributos de Joaquim Moreira, da Acushla, uma empresa de produção biológica de azeite localizada em Trás-os-Montes, Nuno Santos, da Casa do Azeite − Associação do Azeite de Portugal, Fernando do Rosário, da Associação Interprofissional da Fileira Olivícola (AIFO) e Gonçalo Moreira, da Olivum − Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal e do Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA). De seguida, José Pedro Salema, da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), mostra como o olival moderno em Alqueva transformou a agricultura portuguesa, ocupando 76 589 hectares (60% da área regada) em 2025. Graças ao regadio e à tecnologia, a produção nacional de
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