Cultivar_35_Olival_Azeite

92 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite O melhoramento de plantas é, por definição, um instrumento chave para o desenvolvimento de variedades mais produtivas, mas também mais resilientes a stresses abióticos e bióticos. A primeira etapa do melhoramento é a criação de diversidade genética intervarietal. Atendendo a que a oliveira é uma espécie heterozigótica e alopoliploide, a variabilidade previsivelmente será muito extensa. No início, trabalhámos com progénies de polinização livre de ‘Galega Vulgar’ e ‘Cobrançosa’ e, nos últimos anos, iniciámos um programa de polinização controlada de cruzamentos dirigidos entre variedades de oliveira, selecionadas pelos critérios de hábitos de crescimento, precocidade, produtividade, regularidade, rentabilidade e resistência às principais doenças e pragas. Cada oliveira procedente de uma semente apresenta características únicas e diferenciadoras (Figura 3). O percurso a seguir para obter uma nova variedade de oliveira, é longo e desde os primeiros anos os genótipos são avaliados. Ao final de cada etapa, existe um procedimento de seleção, escolhendo-se os mais interessantes, aqueles que atendem aos critérios de seleção definidos pelo programa, e os genótipos selecionados seguem para a etapa seguinte. A anteceder a primeira etapa de seleção, os materiais, após a germinação, são submetidos a um período de forçagem do crescimento vegetativo com o objetivo de reduzir o período juvenil (Figura 4) (em condições naturais pode ter uma duração entre 10 a 15 anos). O período juvenil finaliza quando pela primeira vez se observam inflorescências. A primeira etapa é a avaliação e seleção dos melhores destes genótipos (F1). Os principais critérios de seleção são a precocidade na entrada em produção e o rendimento em gordura. Ao finalizar esta etapa, os melhores F1 são propagados vegetativamente, tendo em vista a instalação de parcelas experimentais com repetição e em vários locais. Nas descendências de ‘Galega Vulgar’, o objetivo geral é a seleção de genótipos com altos níveis de resistência à gafa e maiores rendimentos em gordura, embora preservando o vigor, a precocidade e a qualidade do azeite. Presentemente, encontram-se em fase avançada de seleção dois genótipos candidatos a novas variedades de oliveira. O contributo das novas tecnologias para o conhecimento sobre o material vegetal em oliveira A introdução de tecnologias de monitorização tem vindo a transformar a forma como se conhece, monitoriza e avalia o comportamento agronómico de variedades. A integração de sensores aplicados ao solo, à planta e ao fruto permite uma abordagem mais objetiva, contínua e em tempo real. Estes equipamentos constituem uma ferramenta essencial para a avaliação objetiva do desempenho varietal, permitindo identificar genótipos mais eficientes no uso da água e mais resilientes a condições de stresse. Adicionalmente, tecnologias emergentes, incluindo sensores óticos e abordagens baseadas em inteligência artificial, têm demonstrado potencial na classificação de variedades e na avaliação da qualidade Figura 3 – Plântulas de semente Olea europaea L., 6 meses após germinação Figura 4 – Plântulas de semente de Olea europaea L. em fase forçagem

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