Cultivar_35_Olival_Azeite

90 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite ção dos recursos genéticos de Olea europaea L. em Portugal. Localizada na Herdade do Reguengo, no Pólo de Inovação de Elvas do INIAV, I.P., desde 2012, a Coleção reúne um conjunto representativo de acessos e variedades de oliveira autóctones, permitindo a sua conservação ex situ em boas condições culturais. A CPRO assegura a preservação da diversidade genética intervarietal e oferece um repositório fiável de germoplasma que suporta estudos comparativos e caracterização fenotípica e agronómica dos diferentes materiais de oliveira em avaliação. A informação é essencial para a tomada de decisões sobre a utilização de materiais adaptados às diferentes tipologias de olival, bem como para a seleção de variedades como progenitores para o Programa de Melhoramento Genético. No decurso de cada ciclo anual, a produtividade, a regularidade, a resiliência a alterações climáticas, incluindo stresse hídrico e térmico, os hábitos de crescimento adequados à diferentes tipologias de olival e as pressões bióticas emergentes, são algumas das características que se procuram determinar no material em coleção. A CPRO desempenha assim um papel estratégico para a obtenção de dados científicos para o conhecimento e a inovação na olivicultura, permitindo nomeadamente o desenvolvimento de práticas culturais mais sustentáveis e eficientes. Ao integrar a conservação com a caracterização e a avaliação, a Coleção contribui de forma decisiva para a proteção e a valorização do património genético nacional e para o reforço da competitividade e a sustentabilidade do setor olivícola português. Produção do olival: equilíbrio entre hábitos de crescimento, frutificação e produtividade A arquitetura da oliveira, a sua área foliar e a exposição à radiação solar assumem um papel determinante na interceção de luz e na eficiência global da copa. Uma área foliar adequada, bem distribuída e iluminada, favorece a produção, enquanto situações de sombreamento ou desequilíbrio vegetativo podem limitar a frutificação e acentuar fenómenos como a queda de frutos ou a alternância de produção. Nas diferentes tipologias de olival, a produtividade num determinado ano climatológico depende do equilíbrio entre o crescimento vegetativo, a capacidade fotossintética e os fatores de produção (e.g. água, nutrientes), que em conjunto regulam a produção e a disponibilidade de assimilados para os órgãos reprodutivos. As variedades de oliveira diferem significativamente no seu hábito de crescimento vegetativo, o que influencia diretamente a sua adaptação às tipologias de olival assentes num maior número de plantas por área plantada. Existem situações intermédias e o fundamental é pensar no que será imprescindível para a oliveira conseguir atingir os níveis mais elevados de produção e regularidade. A interação entre os processos vegetativos e os reprodutivos ao longo de um ciclo bienal tem assim uma grande importância, sendo que a fotossíntese, realizada nas folhas, constitui a base para a produção de fotoassimilados, que sustenta tanto o crescimento vegetativo como o desenvolvimento dos frutos e a biossíntese do azeite. Nos olivais tradicionais, caracterizados por uma baixa densidade de plantação e com as copas em vaso bastante amplas, é frequente haver uma distribuição irregular da luz no interior da árvore, reduzindo a eficiência fotossintética em zonas sombreadas. Nos olivais intensivos, com maior densidade de plantas e as copas em vaso conduzidas através de podas de frutificação ajustadas, verifica-se uma melhor interceção da radiação e maior proporção de área foliar ativa. Nos olivais em sebe, a arquitetura das copas é otimizada para maximizar lateralmente a exposição solar, promovendo uma elevada eficiência fotossintética por unidade de superfície. O equilíbrio entre a área foliar e a iluminação é cuidadosamente gerido, de modo a evitar o sombreamento excessivo, e a assimilação de carbono sustenta elevados níveis de frutificação e produtividade. A seleção de progenitores tem sido realizada com base no conhecimento agronómico, sanitário e tecnológico em coleção e/ou em ensaios comparativos realizados, ou não, em condições controladas. Os resultados da avaliação das variedades autóctones na CPRO confirmam a grande variabilidade intervarietal existente em todas as características estudadas.

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