Cultivar_35_Olival_Azeite

130 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite olivais em vaso e em sebe10; impacto moderado na paisagem tradicional11); ― sustentabilidade social (mais emprego, melhores remunerações e fixação da população em zonas rurais12); Por fim, no último capítulo são destacadas algumas conclusões sobre este processo de modernização (globalmente positivas), nomeadamente, em termos económicos, a maior dinâmica de investimento associada ao olival em vaso e em sebe (com localização preferencial no Alentejo na área de aproveitamento hidroagrícola do Alqueva); o posicionamento internacional de Portugal na produção e na exportação de azeite; o contributo positivo do setor para a produção agrícola nacional e para o saldo da balança comercial da economia; ganhos de produtividade e de eficiência associados à utilização de variedades “anãs” de oliveira e à disponibilidade de água e de solo; a maior rentabilidade económica associada a estes sistemas de produção de olival. Ao nível da sustentabilidade ambiental destes novos tipos de olival, as conclusões também são positivas, “não tendo sido identificados impactos negativos significativos da cultura sobre o ambiente”. O “olival moderno é capaz de garantir uma elevada eficiência na utilização dos recursos”, ao mesmo tempo que garante uma elevada proteção do solo contra a erosão, uma melhoria da sua fertilidade, e capacidade para fixar grandes quantidades de CO2”. Relativamente à sustentabilidade social, é destacada a “capacidade de garantir importantes níveis de emprego (…) contribuindo por isso para fixar população nas regiões onde os olivais se encontram instalados”. 10 “os olivais em sebe e em vaso, apesar de representarem uma forma de intensificação da atividade agrícola, e consequentemente terem um potencial maior de redução da biodiversidade do que os sistemas mais extensivos, podem diminuir muito o seu impacto através de práticas agrícolas adequadas e da salvaguarda de zonas de refúgio para fomento da biodiversidade funcional” (p.144/5) 11 “quando olhamos para uma escala regional, verifica-se que a importância do olival no total da superfície agrícola já não é tão relevante, predominando ainda largamente as paisagens tradicionais da região, associadas às culturas cerealíferas de sequeiro, às pastagens, ao olival tradicional e ao montado.” (p.148) 12 “para além de criar emprego, a olivicultura permitiu melhorar a produtividade do trabalho e, consequentemente, aumentar a remuneração da mão de obra, criando melhores condições para a melhoria da qualidade de vida e a fixação das populações.” (p.155) Conclusões/comentários Tal como abordado no estudo, a cultura do olival tem uma grande expressão geográfica nos países da bacia do Mediterrâneo, tendo prosperado nesta região durante milhares de anos. Portugal não é exceção: com um clima predominantemente mediterrânico, caracterizado por verões quentes e secos e invernos frios e chuvosos, a cultura é uma marca da paisagem, na agricultura e na gastronomia portuguesa (dieta mediterrânica). Nas últimas décadas, com a globalização da economia e a necessidade de competir num mundo mais amplo e dinâmico, com o crescimento da população urbana e o declínio da população rural (onde a agricultura tem uma maior representatividade) começaram a surgir sistemas de produção de olival mais modernos – mais produtivos, menos intensos em mão-de-obra e mais eficientes na utilização de recursos. A expansão do Alqueva e a necessidade de competir no mercado internacional foram determinantes para o rápido crescimento da área de olival em vaso e em sebe no Alentejo. Muitos investidores portugueses e estrangeiros foram atraídos pela rentabilidade gerada pelo olival moderno, já com historial de aplicação no sul de Espanha e com bons resultados económicos. O interesse pelo olival para azeite no Alentejo tem continuado (a área cresceu de forma significativa entre 2015 e 2019), apesar de se manter nos 206 mil hectares a partir de 2020. Este livro procura explicar o modo de funcionamento dos “novos” sistemas de produção olivícola, assim como destacar a sua importância no mundo atual e, em particular, em Portugal, não esquecendo de sublinhar os desafios ambientais (e sociais) e respetivas respostas, através da implementação de boas práticas agrícolas. O estudo pretende assim contribuir

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