105 Azeitona de mesa: cultivares, território e identidade NUNO RODRIGUES, ELSA RAMALHOSA E JOSÉ ALBERTO PEREIRA CIMO – Centro de Investigação de Montanha, LA SusTEC*, Instituto Politécnico de Bragança 1. Introdução Em Portugal, a cultura da oliveira tem grande tradição, sendo cultivada de norte a sul do país, em especial, nas regiões do interior. Esta cultura apresenta um elevado interesse não apenas do ponto de vista económico, mas também social, paisagístico e ambiental. Existe referência de um considerável número de cultivares de oliveira no nosso país, constituindo um património, em grande parte desconhecido, que interessa conhecer, preservar e valorizar. Entre as cultivares conhecidas são poucas as que apresentam implantação nacional, destacando-se a Cobrançosa e a Galega, enquanto a maioria delas tem importância regional. Constituem a base dos excelentes produtos (azeites e azeitona de mesa) obtidos a partir dos frutos de cultivares tradicionais portuguesas, persistindo ainda muitos olivais centenários. Apesar da sua importância, os olivais centenários encontram-se atualmente ameaçados. O setor oleícola enfrenta um contexto de forte concorrência internacional e de liberalização do mercado, o que tem provocado a diminuição dos preços e das margens de lucro dos produtores. Para aumentar a produtividade e a competitividade, muitos agricultores têm optado pela reconversão dos olivais tradicionais em sistemas intensivos e superintensivos, também chamados de alta densidade, estimando-se que cerca de metade do olival português já seja explorado nestes modelos. Embora mais produtivos e mecanizáveis, estes sistemas conduzem frequentemente à substituição das cultivares nacionais por estrangeiras mais adaptadas à produção intensiva. Como consequência, verifica-se a perda de exemplares centenários, de diversidade genética e de património varietal português, bem como o risco de desaparecimento da tipicidade e genuinidade dos azeites e azeitonas associados às cultivares nacionais. Assim, a preservação dos olivais tradicionais e das cultivares autóctones é essencial para garantir a sustentabilidade do setor, a conservação da biodiversidade e a valorização da identidade dos produtos oleícolas nacionais. A região de Trás-os-Montes apresenta características naturais e estruturais que dificultam a implementação de sistemas intensivos. A orografia acidentada, o predomínio do minifúndio que limita a mecanização e a falta de água e grandes estruturas para o * SusTEC – Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia nas Regiões de Montanha https://sustec.ipb.pt/pt/
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