102 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite físico-química dos subprodutos permite conhecer o seu teor em matéria orgânica, nutrientes e compostos potencialmente limitantes, enquanto a análise do solo possibilita avaliar o seu estado de fertilidade e as necessidades específicas das culturas. Esta informação é fundamental para definir doses de aplicação adequadas, evitar desequilíbrios nutricionais e minimizar riscos de impactes negativos, garantindo uma utilização mais eficiente e sustentável destes materiais. Apesar destas condicionantes, a aplicação direta constitui uma alternativa relevante em determinados contextos, sobretudo quando integrada em estratégias de gestão local dos excedentes, permitindo reduzir custos e simplificar operações. Inovação e bioeconomia Para além das soluções de valorização agrícola, o projeto explorou abordagens orientadas para a valorização de compostos bioativos presentes nos subprodutos do olival. O bagaço e as folhas apresentam concentrações relevantes de compostos fenólicos, conhecidos pelas suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas. Através de processos de extração adaptados, foi possível obter frações concentradas destes compostos, que foram posteriormente utilizadas no desenvolvimento de formulações com potencial aplicação como biocidas. Estes resultados demonstram a viabilidade da integração de princípios de biorrefinaria no setor oleícola, promovendo a transformação de excedentes em produtos de elevado valor acrescentado. Embora estas soluções se encontrem ainda numa fase de desenvolvimento, apresentam elevado potencial de transferência tecnológica e podem contribuir para a diversificação das atividades económicas associadas à fileira do azeite, reforçando a sua ligação à bioeconomia e à inovação. Circularidade e sustentabilidade A análise dos impactes ambientais associados às práticas de valorização estudadas revelou resultados globalmente positivos. As soluções baseadas na compostagem e na aplicação ao solo não evidenciaram aumentos significativos das emissões de gases com efeito de estufa, sendo compatíveis com sistemas agrícolas sustentáveis. Por outro lado, a valorização local dos excedentes permite reduzir as emissões associadas ao transporte e ao tratamento externo, contribuindo para a diminuição da pegada de carbono das explorações. A integração de diferentes fluxos de resíduos, incluindo subprodutos de origem pecuária, possibilitou ainda o desenvolvimento de soluções de simbiose entre atividades, promovendo uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis. Neste contexto, a adoção de práticas de valorização dos excedentes do olival assume um papel estratégico na promoção da economia circular, contribuindo para sistemas agrícolas mais resilientes, eficientes e ambientalmente sustentáveis. Considerações finais Os resultados do projeto INOVCIRCOLIVE demonstram que os excedentes do setor oleícola podem ser valorizados de forma eficiente, deixando de ser encarados como resíduos e passando a constituir recursos com valor económico e agronómico. No âmbito do projeto, os parceiros empresariais encaminharam uma parte significativa dos seus excedentes para processos de valorização, com particular destaque para a compostagem. De forma mais abrangente, um estudo de benchmarking realizado junto de empresas do setor evidenciou que, em muitos casos, a percentagem de excedentes encaminhados para compostagem ultrapassa largamente os 20%, especialmente no que se refere a folhas e ramos de oliveira e ao bagaço de azeitona. A compostagem apresenta-se, assim, como uma solução tecnicamente consolidada e de fácil adoção, já implementada em várias explorações. O contri-
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