100 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 35 Olival e azeite mentar. Paralelamente, o enquadramento legal em vigor (Decreto-Lei n.º 102-D/2020) apoia os “mecanismos de desclassificação de resíduos”, permitindo que determinados materiais, após cumprimento de critérios específicos, deixem de ser considerados resíduos e passem a ser utilizados como produtos. Este instrumento facilita a sua valorização e reutilização, reduzindo constrangimentos administrativos associados à gestão de resíduos e promovendo a sua integração em modelos de economia circular. O projeto INOVCIRCOLIVE envolveu a colaboração de 13 parceiros, coordenados pela Universidade de Évora, sendo: Universidade de Évora; Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veternária – INIAV; Centro Nacional de Competências InovTechAgro; Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia – PACT; Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo – CEBAL; Centro de Estudos e promoção do Azeite do Alentejo – CEPAAL; Portugal Rural; Torre da Figueiras; António Rosado; Courela do Zambujeiro; Planície de Verão Agro-Pecuária, Lda (Casa Relvas); Cooperativa de Olivicultores do Cano; Sociedade Industrial e Comercial de Azeites – SICA. A abordagem adotada no INOVCIRCOLIVE assentou na articulação entre investigação laboratorial, ensaios em campo e validação em contexto real de exploração, permitindo avaliar simultaneamente a eficácia técnica e a viabilidade operacional das soluções propostas. A caracterização das explorações envolvidas evidenciou uma predominância de sistemas intensivos, frequentemente associados a modelos de integração vertical. Este contexto mostrou-se particularmente favorável à implementação de estratégias de valorização local, reduzindo custos logísticos e potenciando a circularidade interna dos sistemas. De um modo geral, os produtores demonstraram abertura à adoção de práticas inovadoras, sobretudo quando associadas a benefícios económicos diretos e a uma redução de encargos operacionais. Compostagem: uma solução consolidada A compostagem afirmou-se como a principal via de valorização agrícola dos excedentes do olival. No âmbito do projeto, foram desenvolvidos e monitorizados diferentes processos, envolvendo combinações de folhas de oliveira, bagaço de azeitona e estrumes, com o objetivo de otimizar parâmetros críticos como a relação carbono/azoto, a humidade, a temperatura e a aeração. Um aspeto determinante para o sucesso do processo consistiu na correta formulação das misturas iniciais. Para tal, revelou-se essencial o conhecimento prévio das características físico-químicas dos materiais orgânicos utilizados, nomeadamente o teor de matéria seca, o conteúdo em carbono e azoto e a sua biodegradabilidade. Neste sentido, antes da construção das pilhas de compostagem, procedeu-se à recolha de amostras representativas das matérias-primas disponíveis nas explorações, as quais foram posteriormente analisadas em laboratório. Esta abordagem permitiu ajustar as proporções dos diferentes materiais, de modo a garantir condições adequadas ao arranque do processo, assegurando valores próximos dos ideais para a relação C/N e para a humidade. Figura 1 – Logotipo de Projeto INOVCIRCOLIVE Figura 2 – Pilhas de compostagem com excedentes do setor oleícola Fonte: Projeto INOVCIRCOLIVE
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