Cultivar_34_FuturodaPAC

Relatório sobre “O Futuro da Competitividade Europeia” 121 lamentação harmonizada em toda a UE, e defende o reforço dos investimentos públicos em tecnologias disruptivas. Sublinha ainda a importância da colaboração entre universidades e empresas, de modo a acelerar a transferência de conhecimento científico para o tecido produtivo. II. Alinhar Descarbonização e Competitividade A Europa lidera as políticas de sustentabilidade e comprometeu-se a alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Contudo, a transição energética deve ser conduzida de modo a não comprometer a competitividade industrial, já que, presentemente, os preços da energia permanecem substancialmente mais elevados em relação aos principais concorrentes (EUA e China). Draghi propõe uma estratégia energética europeia coordenada, baseada numa combinação de fontes renováveis, nomeadamente o nuclear, o hidrogénio e tecnologias de captura de carbono, assegurando a articulação entre descarbonização e competitividade. Sublinha igualmente a necessidade de modernizar as infraestruturas energéticas, como as redes elétricas, que atualmente limitam a expansão da energia renovável. III. Reforçar a Segurança e Reduzir Dependências A UE continua vulnerável devido à dependência de fornecedores externos, particularmente em setores críticos como os semicondutores e as matérias-primas estratégicas, representando um risco significativo num ambiente geopolítico instável. O fortalecimento e a diversificação das cadeias de abastecimento, bem como o aumento da produção interna de materiais e tecnologias críticas, são essenciais paraS reduzir vulnerabilidades externas e garantir a resiliência económica da UE. Além disso, o autor apela a uma maior integração das capacidades de defesa dos países europeus. 4. Recomendações Setoriais Para concretizar esta estratégia, o Relatório propõe o recurso a instrumentos financeiros comuns, incluindo emissão de dívida europeia direcionada a projetos estratégicos, maior coordenação política e simplificação dos processos decisórios. Sem estas reformas, a União Europeia enfrenta o risco de um declínio progressivo da sua relevância económica e tecnológica. A sua implementação permitiria, porém, dinamizar a economia, reforçar a segurança estratégica e reposicionar a Europa como líder em inovação e sustentabilidade. O relatório identifica dez setores prioritários para intervenção estratégica europeia: 1. Energia; 2. Matérias-primas críticas; 3. Digitalização e tecnologias avançadas; 4. Indústrias de elevada intensidade energética; 5. Tecnologias limpas; 6. Setor automóvel; 7. Defesa; 8. Espaço; 9. Indústria farmacêutica; 10. Transportes. 5. Conclusão Para que a Europa se mantenha competitiva, segura e próspera, serão necessárias reformas estruturais profundas e investimentos ambiciosos de grande escala. O futuro da UE dependerá da sua capacidade de colmatar o défice de inovação, conciliar a transição verde com a competitividade económica e reforçar a segurança num contexto internacional em rápida transformação. Este Relatório constituiu uma das principais referências da Comissão Europeia na definição de um novo plano estratégico orientado para uma Europa mais próspera e competitiva de forma sustentável, nomeadamente na proposta do novo Quadro Financeiro Plurianual (QFP 2028-2034), que propõe uma maior centralização em torno dos Estados-Membros, simplificação dos programas existentes e um foco em áreas como a defesa e a transição ecológica.

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