120 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR N.º 34 O futuro da Política Agrícola Comum e a renovação do seu modelo económico e industrial. O autor destaca ainda que apenas quatro das 50 maiores empresas tecnológicas do mundo estão sediadas na Europa, evidenciando uma significativa lacuna tecnológica que compromete a competitividade do continente num contexto global onde a inovação assume um papel cada vez mais determinante para o sucesso económico. O principal desafio da UE reside em preservar e reforçar a sua relevância num sistema internacional cada vez mais competitivo, no qual a capacidade de inovação e a autonomia estratégica assumem um papel cada vez mais determinante. 2. Diagnóstico e Contexto Global O Relatório identifica e analisa as transformações que ocorreram no equilíbrio económico internacional, destacando a consolidação dos EUA e da China1 como polos dominantes em matéria de inovação tecnológica, de investimento industrial e de influência geopolítica. Os EUA destacam‑se pela liderança em tecnologias de ponta, como inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia e computação quântica, impulsionada por um forte investimento do setor privado e políticas públicas robustas de apoio à inovação. A China, por sua vez, consolidou-se como a segunda maior economia mundial, apoiada num investimento estatal intensivo, na promoção da autonomia tecnológica e da expansão internacional, sobretudo através da Belt and Road Initiative2. Este modelo combina desenvolvimento económico e subsequente projeção geopolítica, constituindo um desafio estrutural à competitividade europeia. Neste contexto, para responder a estas ameaças, foram identificadas três grandes áreas de ação para poder relançar o crescimento sustentável da UE: 1 A China é a segunda maior economia do mundo em termos de Produto Interno Bruto (PIB), com os Estados Unidos a ocuparem a primeira posição. Em 2025, o PIB da China foi estimado em cerca de 19,23 biliões de dólares, enquanto o PIB dos EUA foi estimado em cerca de 30,51 biliões, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). 2 Embora seja muitas vezes referida em português pela designação inglesa (literalmente, Iniciativa Cintura e Rota ou Uma Cintura, Uma Rota, de One Belt, One Road), é frequentemente também designada por Nova Rota da Seda. Inovação: Déficit de investimento em inovação em relação aos EUA e à China; Descarbonização: Custos energéticos elevados, que reduzem a competitividade industrial; Segurança: Dependência externa de matérias-primas críticas e tecnologias estratégicas, agravada pela fragmentação regulatória e institucional. Draghi estima que a UE necessite de um investimento adicional anual entre 750 e 800 mil milhões de euros para recuperar o atraso tecnológico e consolidar a sua base industrial. Para viabilizar este esforço financeiro, o Relatório propõe a emissão conjunta de dívida da UE, semelhante ao modelo utilizado pelo Mecanismo de Recuperação e Resiliência, com o objetivo de mobilizar recursos a uma escala compatível com os desafios estruturais que a Europa enfrenta. 3. Eixos Estratégicos da Competitividade Europeia O Relatório propõe uma estratégia integrada assente em três eixos fundamentais a desenvolver, de forma coordenada, entre os Estados-Membros (EM): I. Colmatar o Défice de Inovação: A insuficiência de investimento em inovação é identificada como um dos principais obstáculos ao crescimento europeu. As empresas da UE investem menos de €270 mil milhões em investigação e desenvolvimento (I&D) do que as suas congéneres norte-americanas, e o setor tecnológico da Europa permanece subdimensionado. Grande parte da estrutura industrial europeia continua centrada em indústrias tradicionais, como a automóvel, enquanto setores emergentes, como a inteligência artificial, a biotecnologia e a robótica avançada, enfrentam dificuldades em se afirmar. Draghi propõe a criação do estatuto de “Empresa Europeia Inovadora”, que facilitaria o acesso a regu-
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