7 A presente edição da CULTIVAR é dedicada ao setor do olival e do azeite. O dinamismo recente desta fileira, em Portugal e no mundo, associado à realização em Lisboa de importantes eventos internacionais dedicados ao setor, torna particularmente oportuno este olhar aprofundado sobre uma cultura histórica, profundamente enraizada na identidade e na paisagem agrícola nacional. O olival e o azeite estão intimamente ligados a uma planta endógena de valor botânico, agronómico, histórico e cultural incontornável para os países produtores. Poucas culturas agrícolas conseguiram, ao longo de milénios, manter uma relação tão profunda com os territórios, as paisagens, a alimentação (e outras utilizações) e as comunidades rurais. A oliveira acompanhou civilizações, resistiu a condições adversas, moldou economias locais e tornou-se símbolo de permanência, resiliência e adaptação. Essa resiliência constitui, aliás, uma das maiores forças desta cultura num contexto de profundas alterações climáticas. A capacidade de adaptação da oliveira a condições edafoclimáticas difíceis, particularmente nas exigências em água, associada a métodos de produção relativamente simples quando comparados com outras culturas permanentes, contribuiu para consolidar a sua expansão e a sua permanência nos territórios mediterrânicos. A forte ligação do azeite à gastronomia, à dieta mediterrânica e aos benefícios reconhecidos para a saúde tem igualmente desempenhado um papel decisivo na valorização internacional do produto e na diferenciação em relação aos produtos industriais concorrentes. Editorial EDUARDO DINIZ Diretor-geral do GPP Fotografia do autor – Olival tradicional, Foz Côa, 2024
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