52 CADERNOS DE ANÁLISE E PROSPETIVA CULTIVAR Separata da Edição N.º 34 DEZEMBRO 2025 Observa-se assim, em Portugal, um padrão característico de aquecimento acelerado (1,0º a 1,4º ao longo de 90 anos), mais rápido do que a média global, de acordo com os especialistas, com maior frequência de anos quentes, menor variabilidade negativa, extremos superiores mais elevados e um aumento substancial nas últimas décadas. Dado este sinal climático inequívoco de um aquecimento contínuo e acelerado nas últimas três décadas, as implicações diretas para a agricultura, gestão hídrica e políticas de adaptação às alterações são evidentes uma vez que o aumento da tma implica: • Maior evapotranspiração, conduzindo a mais consumo de água na rega; • Stress térmico para culturas sensíveis, como os cereais e vinha em regiões quentes; • Aumento de pragas e doenças; • Aumento do risco de seca severa e extrema; • Alteração das épocas de florescimento e colheita; • Maior frequência de ondas de calor; • Impacto na pecuária, com perda de produtividade. A precipitação média anual (pma) apresenta elevada variabilidade interanual, característica do clima mediterrâneo, com vários anos muito chuvosos nas décadas de 1930, 1940, 1960 e 1970. A partir de 1990, a variação mantém-se elevada, mas verifica-se maior frequência de anos com precipitação média abaixo do normal e em anos consecutivos. Apesar de haver uma tendência de redução da pma, esta não é tão visível como a subida verificada na tma; no entanto, há uma maior frequência de anos secos, maiores contrastes entre anos secos e chuvosos, o que diminui a presença/duração das estações transitórias (primavera e outono). Na comparação entre precipitação e temperatura, verifica-se que os anos com anomalias térmicas positivas mais elevadas coincidem com anos secos, dando maior expressão à evapotranspiração, a défices hídricos, stress térmico e hídrico com implicações diretas na agricultura, nomeadamente de sequeiro, que depende sobretudo do equilíbrio entre precipitação e evapotranspiração e tem como consequências a redução da disponibilidade de água no solo, a maturação precoce das culturas, as quebras de produção ou a mudança para outro tipo de culturas mais resistentes à seca. As alterações climáticas têm um impacto substancial sobre algumas das culturas permanentes mais importantes para o país, como são os casos do olival (stress hídrico), da vinha (maturação precoce) e dos frutos. O mesmo sucede nas pastagens (redução da qualidade) e na pecuária (menor produtiGráfico 4 – Situações de seca – Temperatura média anual em Portugal continental Gráfico 5 – Situações de seca – Desvios da temperatura média anual em Portugal continental em relação à média 1981-2010
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