A evolução do Complexo Agroflorestal na economia portuguesa 29 total de consumos intermédios agrícolas. Nos últimos 38 anos, verificaram-se flutuações na estrutura, com a alimentação animal a perder peso (-16,5p.p.) para os outros bens e serviços (+15,4p.p.). É também de destacar a perda de peso das “sementes e plantas” (‑6,6p.p.) e o ganho de peso de componentes de aquisição de serviços, nomeadamente Manutenção e Reparação de Material e Ferramentas (+3,4p.p.), Manutenção e Reparação de Edifícios Agrícolas e de Outras Obras (+2,3p.p.) e Serviços Agrícolas (+3,7p.p.). Entre 1986 e 2024, os consumos intermédios da agricultura registaram um crescimento de 3,9% ao ano, em valor, sobretudo em razão do crescimento do volume de consumos intermédios (2,8% ao ano), 17 A industrialização da agricultura é um fenómeno já com alguns anos. Em setores muito integrados, como o vinho, o azeite ou a carne, em que os agricultores são também transformadores de produtos agrícolas, torna-se complexa ou arbitrária a imputação de preços de produção. Mais recentemente, tem aumentado a integração do setor hortofrutícola. Para além disso, a imputação de alguns custos também levanta dificuldades, levando em geral à desvalorização do setor primário. Por exemplo, a valorização da produção de vinho ou azeite agrícola tem como referência o vinho “à saída do lagar”, mas custos com garrafas, rótulos, publicidade, por serem suportados por cooperativas agrícolas, são imputados ao setor agrícola. A aquisição de serviços imputada ao setor agrícola aumentou exponencialmente nos últimos anos, nomeadamente devido à expansão da integração vertical da fileira alimentar até à comercialização; à substituição de equipamentos da exploração (veículos, máquinas, ferramentas, armazéns), que integravam o capital fixo, pela aquisição de serviços de transporte, de reparação, de conservação de bens e à contratação indireta de mão-de-obra, através de empresas. com destaque para a aquisição de outros bens e serviços (6,6% ao ano), a segunda rubrica com maior importância na estrutura de consumos intermédios agrícolas a seguir à alimentação animal. A aquisição de outros bens e serviços cresceu significativamente em volume a partir de 1998/9917, tendo sido acompanhada de um decréscimo dos preços implícitos. No último ano, os consumos intermédios diminuíram em valor (-0,9%), sobretudo devido ao decréscimo dos preços (-2,9%), contudo, os preços ainda não recuperaram da forte subida dos últimos anos. Do lado da evolução em volume, salienta-se o crescimento dos adubos e corretivos (11,2%), significativamente mais baratos face ao ano anterior, e dos Tabela 12 – Estrutura dos Consumos Intermédios e respetivas variações (%) Estrutura de Consumos intermédios (%) Taxa de crescimento médio anual 1986-2024 (%) 1986 2024P Variação p.p. Volume Preço Valor Total 100,0 100,0 2,8 1,1 3,9 Sementes e Plantas 8,9 2,3 -6,6 3,2 -2,8 0,3 Energia e Lubrificantes 7,7 5,8 -1,9 0,9 2,2 3,1 Adubos e Corretivos do Solo 5,9 5,7 -0,2 1,9 2,0 3,9 Produtos Fitossanitários 2,8 3,1 0,3 1,7 2,5 4,2 Despesas com Veterinários 0,3 0,9 0,6 3,7 2,9 6,7 Alimentos para Animais 55,7 39,2 -16,5 1,1 1,9 3,0 Manutenção e Reparação de Material e Ferramentas 1,9 5,3 3,4 4,4 2,2 6,7 Manutenção e Reparação de Edifícios Agrícolas e de Outras Obras 1,5 3,8 2,3 4,4 2,0 6,5 Serviços Agrícolas 2,0 5,7 3,7 2,5 4,3 6,8 Serviços de Intermediação Financeira Indiretamente Medidos (SIFIM) 2,3 1,9 -0,4 2,5 0,9 3,4 Outros Bens e Serviços 11,0 26,3 15,4 6,6 -0,2 6,4 P – valores provisórios Fonte: GPP, a partir de Contas Económicas da Agricultura (Base 2021), INE
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