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A evolução do Complexo Agroflorestal na economia portuguesa 23 Em 2022, a forte subida dos preços dos meios de produção (em consequência da invasão da Ucrânia pela Rússia) teve um impacto negativo sobre as margens do agricultor. De facto, nesse ano, os preços de venda dos produtos agrícolas não conseguiram repercutir o aumento dos custos de produção (+20,7% no preço no produtor, face a 26,8% nos custos correntes, dos quais 32,7% na alimentação animal e 41,4% na energia e lubrificantes). Contudo, em 2023, o preço no produtor continuou a crescer a um ritmo elevado (15,3%) enquanto os custos correntes começavam a desacelerar (1,1%). Em particular, ao comparar a remuneração média do trabalho familiar com os salários médios da Economia, em termos reais9, constatou-se um crescimento de 7,9% no indicador desde 2020, apontando para uma tendência de convergência com a Economia a partir de 2011 da remuneração média do trabalho familiar. A remuneração média do trabalho assalariado tem evoluído de forma aproximada à economia embora a níveis mais baixos. De facto, em 2023, o rendimento agrícola que já representava 98,9% dos salários médios da Economia em 2024 passou a representar 112% desses valores médios, devido à concentração pontual de pagamentos PEPAC (respeitantes a 2023 e 2024) no ano civil de 2024. Risco de pobreza10 No que se refere à evolução dos níveis de pobreza no nosso país, os dados que se seguem mostram que as zonas rurais são mais vulneráveis. De acordo com o último Inquérito às Condições de Vida e 9 Metodologia da Comissão Europeia para o indicador comum de contexto C.26 disponível em: https://agriculture.ec.europa.eu/system/ files/2023-01/context-indicator-fiches_en.pdf 10 Informação retirada do 3º relatório de monitorização da ENSANP – Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Rendimento realizado em 2024 (ICOR2024) pelo INE, sobre rendimentos de 2023, a taxa de risco de pobreza, ou seja, a proporção da população residente cujo rendimento equivalente disponível se encontra abaixo da linha de pobreza (7 588 euros/ano, cerca de 632 euros/mês), assumiu os 16,6% em 2023 após transferências sociais (diferindo consoante o grupo populacional: 44,3% na população desempregada; 31,0% nas famílias monoparentais; 23,5% na população com baixa escolaridade; 17,8% nos menores de 18 anos; 17,6% nas mulheres), diminuindo face ao ano anterior (17,0% em 2022). De notar que, ao excluir as pensões de velhice e de sobrevivência (e outras transferências sociais) dos rendimentos do trabalho e outros rendimentos privados, 40,3% da população encontrava-se em risco de pobreza em 2023. Se conjugarmos a população em risco de pobreza com a população em situação de privação material e social severa ou que pertence a um agregado familiar com baixa intensidade laboral, o indicador corresponde à taxa de risco de pobreza ou de Gráfico 13 – Taxa de risco de pobreza ou de exclusão social por grau de urbanização (%) Fonte: Eurostat

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