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51 A Europa em três vértices: rumo a um novo (des) equilíbrio estratégico O lugar de Portugal, e da Política Agrícola Comum, num novo ciclo europeu 2028–2034 EDUARDO DINIZ Diretor-geral, Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) 1. Interrogações sobre um continente em busca de equilíbrio O atual contexto internacional caracteriza-se por uma instabilidade que não é conjuntural, mas estrutural. A combinação de guerra na Europa, tensões geoeconómicas entre grandes potências, aceleração tecnológica e disrupções nas cadeias de abastecimento criou um ambiente de incerteza sistémica que afeta diretamente a segurança, a economia e a autonomia estratégica dos Estados. Neste cenário de fragmentação global, a União Europeia permanece um dos poucos espaços onde a estabilidade democrática, a dignidade social e a qualidade de vida se mantêm como pilares identitários. Mas esta posição é mais frágil do que parece. Cresce o receio de que a Europa esteja a perder capacidade de influência económica e geopolítica num mundo dominado por atores mais agressivos, mais centralizados e mais rápidos a projetar poder. É precisamente neste quadro que surgem as propostas para o novo ciclo de programação 2028–2034 para a União Europeia. Embora pretendam responder a desafios reais (digitalização, reindustrialização, energia, defesa), no seu conjunto aquelas propostas suscitam dúvidas substantivas sobre o rumo político da Europa. A questão é saber se as propostas em causa traduzem uma visão estratégica coerente ou se resultam, sobretudo, de um processo tecno- -orçamental reativo, marcado por urgências conjunturais, mas relativamente desligado da reflexão política profunda sobre o que a Europa pretende ser no mundo. O setor agroalimentar torna essa tensão particularmente visível. O contraste internacional é eloquente. A questão é saber se as propostas em causa traduzem uma visão estratégica coerente ou se resultam, sobretudo, de um processo tecno-orçamental reativo, marcado por urgências conjunturais, mas relativamente desligado da reflexão política profunda sobre o que a Europa pretende ser no mundo.

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