PAC 2028-34: um novo protagonismo na conservação da biodiversidade? 107 mantendo porém os mesmos desígnios, este poderia chamar a si as intervenções de restauração ecológica, cuja prática se encontra até agora sob alçada do LIFE. Seria assim possível concretizar medidas como: • Restauração de Ecossistemas: Destinar fundos do Desenvolvimento Rural para a reabilitação de elementos-chave da paisagem (reflorestação ripícola, criação de charcas permanentes, recuperação de turfeiras), com foco em resultados de biodiversidade a longo prazo, e não apenas em investimentos produtivos. • Compensação de Custos Não Agrícolas: Compensar os agricultores não apenas pelas perdas de rendimento (foregone income), mas também pelos custos totais associados à gestão ativa de áreas de conservação, incluindo a monitorização. A transição dos propósitos do LIFE para o âmbito da PAC não deveria ser apenas uma questão de realocação de fundos, mas sobretudo uma mudança de estratégia na gestão dos programas, passando a PAC a ser a força motriz não só da aplicação, mas também da descoberta de novas soluções ambientais. A proposta portuguesa teria de ser muito mais ambiciosa no seu esforço de conservação, de modo a conseguir preencher o vazio deixado pela perda do único fundo europeu com um mandato exclusivo de conservação. A LPN considera a agricultura uma valiosa aliada na preservação da diversidade biológica. Caso o Programa LIFE deixe de existir, mais importante ainda se torna espelhar essa aliança, incorporando na PAC objetivos conservacionistas.
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